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A Noite do Tamarindo
Segunda, 07 Setembro 2009 21:51


Autor: António Gómez Rulfo
Tradutor: Maria Teresa Martins
Páginas: 368
Editora: Saída de Emergência

Leia aqui um excerto do livro

Salvaria a vida do seu filho à custa da morte de outra criança?
Seria capaz de recorrer a métodos ilegais para comprar mais tempo de vida?
O amor ainda é o melhor refúgio do ser humano?

Porque é que os governos do mundo colocam questões éticas ao avanço da Ciência?
A Noite do Tamarindo dá resposta a estas e outras perguntas. Um romance apaixonante repleto de acção e com um ritmo espectacular que se desenvolve nos mais luxuosos cenários do mundo. Uma história para debater o futuro imediato, que já começou.

Sobre o autor:

Antonio Gómez Rufo (Madrid, 1954).Traduzida em alemão, holandês, búlgaro, português, francês, russo, húngaro, grego e polaco, a obra narrativa de Gómez Rufo tem sido elogiada pela crítica espanhola e internacional: «Uma estupenda novela sobre um dos personagens mais apaixonantes da história» (El País, sobre La Leyenda del falso traidor), «Romance tremendo, denso, subjugante. Uma delicia.» (revista Tiempo, sobre Los mares del miedo), «Um romance magnífico e necessário» (La Razón, sobre Adiós a los hombres), «Um romance romântico, de perfeição absoluta» (Kapital, Bulgária, sobre a El Alma de los peces) ou «Funciona como um relógio de fábrica, (…) cada tictac soa como tem que soar» (ABC, sobre El Secreto del rey cautivo) É também autor de outras obras como As lágrimas de Henan, Si tú supieras y Balada triste en Madrid. Com El secreto del rey cautivo obteve o Prémio de Novela Fernando Lara 2005.

Comentários
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Sebastião Barata  - Pobres ricos   |20:06:56 21-09-2009
Este é um livro que me deixou agradavelmente surpreendido! Na verdade, surpreende o leitor da primeira à última página, porque nunca se sabe qual o rumo que a história vai tomar a partir da página seguinte.
Começa com o roubo de uma pretensa décima sinfonia perdida de Beethoven, em que todas as testemunhas são eliminadas, mas cedo nos apercebemos de que não estamos perante mais um livro à Dan Brown. Depois contemplamos um multimilionário que viu morrer a sua esposa e está prestes a ver a sua única filha seguir o mesmo caminho, mas está disposto a usar os seus milhões para contrariar o que parece irreversível. As surpresas vão continuar até à surpresa final, porque a história toma rumos imprevisíveis, que surpreendem o leitor.
Este livro é uma fábula cuja lição de moral podia ser a famosa interrogação de Jesus Cristo: “De que te vale ganhares o mundo inteiro, se vieres a perder a tua alma?” Ou, dito de outra forma, o dinheiro pode comprar tudo, talvez até a imortalidade, mas não pode comprar a felicidade, que só o amor nos pode dar. “Pobres ricos!”, como disse alguém.
Um dos melhores livros que li nos últimos tempos!
sonia areia  - Viver eternamente   |22:32:54 18-10-2009
Neste livro são feitas questões que todos nós de certa forma já colocamos a nós próprios.

Salvaria a vida do seu filho à custa da morte de outra criança?
Seria capaz de recorrer a métodos ilegais para comprar mais tempo de vida?
O amor ainda é o melhor refúgio do ser humano?


Um livro fantástico ao qual é impossível ficar indiferente. O autor consegue prender a nossa atenção desde das primeiras páginas, tornando a sua leitura compulsiva.

Ao longo da história o autor vai demonstrando a vontade que o ser humano tem em viver eternamente, sem doenças. O que pode perder e ganhar com essas decisões.
Mas no final, apesar de várias surpresas, perdas e controvérsias que a vida nos dá, o ser humano consegue sempre ter força para lutar, para encontrar algo que nos prenda e nos dê força para continuar.

Concordo com o Sebastião quando diz que este foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos.
Catia Silva  - A minha opinião   |11:45:59 23-11-2009
Este livro no inicio a mim não me deixou muito "agarrada", pois é bastante descritivo e por vezes torna-se cansativo. Mas é uma história interessante e ficamos a pensar as voltas que a vida dá... e que muitas vezes ter muito dinheiro não significa que seremos felizes. Realmente o que é que o dinheiro pode comprar??? Amor?? Saude??? Estatuto???

Mas ficam aqui alguns excertos do livro que eu mais gostei.

(…Pág. 328…)
Sabe que dentro de cinquenta anos o mundo não se parecerá em nada com o que conhecemos hoje? Sabe que mais tarde ou mais cedo os que mandam vão provocar o aparecimento e a expansão de estripes de vírus invencíveis que semearão o planeta de pandemias? Sabe, senhor Salazar, que a população mundial ficará reduzida a metade graças a uma terrível epidemia antes de o século XXI acabar, que os nossos netos viverão sem água nem alimentos naturais, que a Europa ficará reduzida a um terço devido às inundações do Árctico e o que restar do Ocidente já não será a civilização que conhecemos? O estado de bem-estar tem os dias contados! Vejo que não tinha a menor ideia! Porque ainda há mais, muito mais… Disseram-lhe que vai ser ilegal fumar e beber álcool, que nos converterão em estéreis primeiro e depois em castrados para acabar com o crescimento demográfico, que respiraremos um oxigénio tão pobre que ficaremos todos tontos e que sobreviver será uma tortura? Ou será que ainda não verificou que o clima já não se parece em nada ao que era há alguns anos? Compreendo que não queira pensar nisso, que nem sequer o tenha considerado, mas a capacidade de adaptação do ser humano será um património exclusivo dos nossos netos, no caso de o conseguirem, o que duvido… Nem você nem eu conseguiremos sobreviver nesse mundo!

(… Pág. 309…)
Insisto na minha ideia de que a infelicidade produz o cancro. Mais do que outras causas que se dão com indutoras da inibição dos anticorpos que impedem a malignização das células, o pior para o ser humano é a infelicidade, meu querido amigo; a infelicidade. Se vivêssemos com optimismo e nos ríssemos mais, manteríamos o cancro na linha. Um dia destes vai ser obrigatório rir e vão educar-nos desde pequenos a não cair na asneira da competitividade, para controlar emoções descontroladas, para converter em algo relativo aquilo que nos acontece e para viver em sossego. Quando isto for assim, quero dizer que quando aprenderemos a ser mais felizes, diminuirá de forma radical a presença dos tumores malignos na nossa sociedade ocidental.

(…Pág. 340…)
O ódio é um sentimento mais forte que o amor e não se pode apagar quando se amaldiçoa não se sabe quem.

(…Pág. 365…)
A vida, depois de tudo, não era uma cebola, mas sim uma rosa, e não era envolvida por camadas para arrancar mas por pétalas para desfolhar. E no final das pétalas, no final do aromático coração da corola desfolhada, encontram-se os estames e os pistilos formados por mil pequenos órgãos produtores de pólen que são as minúsculas sementes que guardam uma promessa cada uma. A vida é uma rosa que brota e que se cobre de lindíssimas pétalas de cor para ocultar a continuação da vida. Continuar a vida. E desde aquele momento ia vivê-la de verdade. Livre, sem temê-la nem temer-se a si mesmo. Sem medos…

(…Pág. 284…)
As calças caídas pela anca… Os negros do Bronx, desse bairro nova-iorquino, começaram a usá-las assim, sem cinto nem suspensórios, como forma de protesto, como uma maneira de se solidarizarem com os seus irmãos negros que esperavam no corredor da morte para serem executados. A estes eram-lhes retirados os cintos e os atacadores para evitar que se suicidassem, por isso no corredor todos traziam as calças descaídas. E na rua os negros usavam-nas também assim para chamar a atenção do mundo sobre aqueles irmãos que esperavam a morte, muito deles, asseguravam, pelo único motivo de serem negros.
Sílvia  - O dinheiro não compra TUDO!   |14:36:01 19-12-2009
É um livro repleto de surpresas, vou tentar não desvendar a história, o que é difícil! Relata a história de um homem muito rico que perde a mulher e quando está prestes a perder a filha (Síndrome de Morris) decide dedicar-se exclusivamente a ela, dispondo os seus milhões a quem converter a situação de saúde da filha e, ainda, comprar a sua imortalidade através de procedimentos pouco éticos. Posteriormente apaixona-se perdidamente por uma brasileira (que investiga a morte do irmão) e quando pensa que encontrou o amor da sua vida esta padece de uma doença muito grave. A personagem principal entra numa espiral que quase o leva à loucura! É uma história paradigmática sobre os valores morais e éticos, como algumas citações famosas dizem o dinheiro “pode comprar o médico mas não a saúde, pode comprar o sexo mas não o amor” e para quem acredita na imortalidade Jack London diz ”a verdadeira função do homem é viver e não existir”.
O início do livro é preocupante pois comecei logo a pensar-se em Dans Browns e nas teorias das conspirações, mas à medida que o vamos ler não tem nada a ver, sinceramente o inicio do livro enquadra-se muito pouco na restante história! O autor aproveita e deixa um alerta sobre o futuro do ambiente e como o vamos deixar para os nossos filhos e netos.
Este livro aproxima-se a um “grande livro”, relata uma história muito moderna e actual com factos reais, mas interessantes. Relativamente à narração, a descrição em alguns momentos é um pouco exagerada, mas salienta-se o facto de a história se passar em vários países e com personagens de várias nacionalidades o que na minha opinião se torna bastante interessante.
Pontos positivos: escrita muito rica e interessante e os factos reais relativos à medicina e ao meio ambiente
Pontos negativos: o inicio do livro, para quem não gosta de ficção e das teorias, pensa logo em desistir
Classificação:*****
Roberta Gonçalves   |22:48:57 15-02-2010
Este livro começa com um roubo, indiciando o leitor de forma errada na história, que do nada toma um rumo completamente diferente.

Um milionário que toda a sua vida se dedicou a aumentar mais e mais a sua fortuna, desprezando aquilo que realmente importava, resolve mover "mundos e fundos" para salvar a vida da sua filha que tem um grave doença e pouco tempo de vida.

Uma luta que trava consigo próprio e que vê perdida logo no início do romance, e aí mais uma vez o rumo da história muda.

Este é um romance que nos mostra que a palavra riqueza é sempre interpretada da pior maneira possível.

Foi uma leitura, que confesso, me custou bastante a fazer. Apesar da história não ter nada de monótona, não me conseguiu entusiasmar muito.

Quanto ao Tamarindo:
"O Tamarindo é uma árvore muito peculiar: quando chega à noite o sol se põe, as suas folhas fecham-se sobre si mesmas e deixam visível o tronco que pode ser contemplado em toda a sua nudez. Então é possível observá-lo sem cobertura nem camuflagem, pois não dissimula a sua beleza, nem os seus defeitos. A indiscrição paradoxal da escuridão, a vingança da noite por roubar-lhe a luz. O mesmo sucede com muitas das emoções que aparecem na vida: à noite são mais visíveis os prazeres e os sofrimentos, as esperanças e as decepções. Mais evidente a vida; mas também mais evidente a morte." (pag.48)

Um romance "diferente", onde recomeçar é o mais importante, mas nem sempre da melhor maneira, nem com os mais nobres objectivos...

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” Carlos Ruiz Zafón em “A sombra do vento”