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Segredo dos Livros


Stonehenge PDF Imprimir e-mail
Escrito por Francisco Norega   
19-Dec-2007

ImageAutor: Bernard Cornwell

Editor: Planeta

ISBN: 9789727311019

Ano de Edição/ Reimpressão: 2000

N.º de Páginas: 390

Sinopse:
Na Idade da Pedra há cerca de quatro mil anos, homens e mulheres hoje desconhecidos ergueram construções imensas, monumentais, em pedra. A imagem das pedras de Stonehenge, dispostas em círculo, é hoje amplamente conhecida. Cornwell deitou mãos ao tema e ofereceu ao leitor este magnífico romance.
No centro da narrativa estão dois irmãos. Um que honra o seu pai, o antigo chefe da tribo, sendo moderado e sábio; outro, feiticeiro, parricida, toma o poder pela força e obriga a tribo a perseguir uma visão religiosa que culmina na construção de Stonehenge.

Pois bem, este romance histórico foi o primeiro que li deste autor e posso afirmar sem dúvidas que foi um dos melhores que li este ano, senão o melhor.

Eu achei fantástico ler no final do livro a Nota Histórica e saber que o autor, como base para aquele livro teve um esqueleto com mais de 4000 anos de idade, com uma pulseira no pulso.
O primeiro capitulo deste livro relacciona-se directamente com o homem ao qual pertence esse esqueleto. Nele, ele aparece montado num cavalo, quase morto de cansaço. O cavalo vai andando sozinho e vai parar no Velho Templo, local onde actualmente está aquilo que que hoje chamamos de Stonehenge. Aí, ele desmonta o cavalo e cai no chão e Lengar e Saban, dois filhos de Hengall, o chefe da tribo de Ratharryn, que o haviam estado a seguir, aparecem. O fugitivo, pertencente ao longinquo Povo da Fronteira começa a chamar por Sannas, numa lingua que os dois jovens não compreendiam.
Sannas era a mais famosa feiticeira de todo o mundo conhecido, a feiticeira de Cathallo, a tribo rival de Ratharryn.
Mas Lengar não entendia o que o fronteiriço dizia, e mesmo com todas as suplicas por piedade, matou o miserável homem. Teve de lhe perfurar a carne com 4 setas até ele morrer.
Como o homem bem morto, Lengar aproximou-se e "roubou" a bolsa do cadáver. Ao ver o que estava lá dentro, gritou de euforia. Eram losangolos de ouro. O losanglo de Lahanna, a Deusa Lua, e o ouro de Slaol, o Deus Sol. Juntos. Certamente, e tendo aparecido eles no templo de Slaol, seriam uma mensagem dos Deuses.
Saban afirma que se devem levar os losangolos ao pai deles, chefe da tribo, para que depois os sacerdotes pudessem analisá-los e decifrar a mensagem dos deuses mas Lengar contraria-o, controlado pela ganância e, perante a insistência do irmão mais novo, perseguiu-o, ameaçando-o com o arco, até que Saban avista o seu tio e desata a correr para ele, expondo-lhe a situação.
No dia seguinte, Lengar é obrigado por Hengall a entregar os tesouros.
Depois disso "programa-se" um sacrificio em honra do deus Slaol, e Camaban, a criança-torta, é escolhida mas o Deus recusa-a.
Posteriormente muitas mais desgraças se abatem sobre a tribo de Ratharryn, periodo durante o qual se dão acontecimentos que porventura parecem quase insignifantes na altura mas que são importantes para o decorrer da história.
Até que é decidido que é preciso fazer "voltar ao activo" o Velho Templo, para que Slaol faça as pazes com os homens.
Mas nem tudo é fácil. Passando diversas vezes por mudanças de chefia, matanças, batalhas, periodos de escravidão, viagens de centenas (?) de quilómetros, alianças, reviravoltas, traições e muito mais, a tribo de Ratharryn vai construir uma das mais incriveis obras da humanidade, que se mantém erguida através dos milénios.

É estranho como, numa sociedade muito mais "primitiva" que a nossa, Bernard Cornwell consegue criar personagens extremamente verosimis e humanas, com as quais nos identificamos, mesmo sendo 4000 anos mais antigas que nós.
Personagens cheias de qualidades e ao mesmo tempo com tantos defeitos e inseguranças, que nos apaixonam e desiludem.

E depois a escrita dele. É fabulosa. Agarra-nos completamente, tendo descrições suficientes para podermos criar imagens complexas e completas nas nossas cabeças, mas nada maçudas. Períodos de narração excelentes e diálogos extremamente verosimis.


Aconselho a toda a gente.

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” Carlos Ruiz Zafón em “A sombra do vento”

 

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