Emma Wildes

Diz que cresceu a devorar livros e que a escrita foi algo que começou a fazer naturalmente. Movida pela curiosidade, apostou num curso de Geologia e numa aventura à descoberta das maravilhas da Terra. Contudo, o futuro reservava-lhe o lugar de uma das mais aclamadas autoras românticas da actualidade, com mais de 20 livros publicados. A fiel e convincente descrição que faz da era da Regência nas histórias que conta ao mundo concederam-lhe o prémio de Melhor Romance Histórico do Loriest Best Published, em 2006. Emma Wildes já conquistou a América e parte do mundo. Em Portugal, “Uma Aposta Perversa” e “Lições de Sedução” arrecadaram desde logo grandes admiradores e curiosos. Carregados de romance e ardentes paixões, os livros de Emma Wildes têm satisfeito os mais variados apetites literários. Como forma de agradecimento por todo o apoio e aclamação dos fãs portugueses, a autora acedeu em conceder-nos uma entrevista exclusiva onde nos dá a conhecer mais de quem está por detrás das ousadas protagonistas que dão vida às suas histórias.

Como é que uma licenciada em Geologia se tornou numa das autoras românticas mais aclamadas da actualidade? Acha que, de certa forma, essa ciência desenvolveu a sua veia de escritora?

A Geologia é uma ciência, sim, mas também tem o seu lado artístico. Afinal, a Terra é beleza no seu todo. As montanhas são magníficas, os diamantes são esplendorosos… Pode parecer aborrecido estudar a forma como tudo isto se cria e transforma, mas eu achei extraordinário e absolutamente mágico. Estava sempre intrigada e ansiosa para saber mais e mais sobre aquilo que nos rodeia.

Todos os dias se delicia com vinho. Será esta bebida alguma fonte de inspiração?

Oh, sim. Adoro vinho. Aliás, os tintos espanhóis e portugueses são alguns dos meus preferidos! O vinho é uma das indulgências da vida. Além do vinho, também considero a música particularmente inspiradora. Passo grande parte do dia a ouvir música clássica.

Diz que aquilo que faz na vida é sentar-se e sonhar durante todo o dia. Mas, para além do sonho, não é necessário qualquer tipo de pesquisa para as suas histórias? Como a acção dos seus livros decorre na Era da Regência e os cenários que descreve parecem tão convincentes e reais, pensa-se que deve ser necessário algum estudo.

Eu li imenso sobre os conflitos levados a cabo durante as guerras Napoleónicas. Foi uma altura da história que ainda hoje é muito relembrada e, com a pesquisa que fiz sobre a época, fiquei ainda mais fascinada – e triste também. A guerra é sempre esclarecedora no que diz respeito à experiência humana. Neste caso moldou o tempo e não há nada que a fazer para possa apagar ou esquecer aquilo que aconteceu.

Quando sonha e constrói as suas histórias, costuma passá-las de imediato para o papel ou prefere antes definir toda a acção na cabeça e, só depois, escrevê-las? Leva muito tempo a moldar as suas personagens – a descobrir o que sentem, os seus segredos e emoções?

Bem, sim. Afinal, é tudo uma confecção. Há que saber o que fica bem com o quê e experimentar diferentes situações para descobrir qual a melhor fórmula. Eu começo a história e depois as personagens decidem o que querem, como se sentem mais confortáveis, como preferem que as coisas aconteçam… É isto que, basicamente, acontece.

Quais foram os maiores desafios no processo de escrita de “Uma Aposta Perversa” e de “Lições de Sedução”?

Acho que, em “Uma Aposta Perversa”, o maior desafio foi saber que a aposta, portanto, o pilar da história, não tinha muito fundamento. Dois homens estavam um tanto bêbados e fizeram uma aposta ridícula sobre qual dos dois seria o melhor amante… Até a mim não fazia muito sentido como leitora! Mas a verdade é que, à medida que a história se desenrola, fiz o meu melhor para que o leitor percebesse que, afinal, cada um deles tinha as suas razões e que a protagonista tinha um motivo subjacente ainda mais profundo para aceitar o desafio. É uma premissa frívola, mas felizmente que a história não o é.
Em “Lições de Sedução” foi muito interessante lidar com duas personagens que já se encontravam casadas. A heroína seduz o herói e ele não faz a menor ideia das suas intenções visto tratar-se de uma sedução intelectual, não só física. Foi mesmo muito divertido escrever esta história!

As suas histórias baseiam-se, essencialmente, em mulheres que não são bem vistas e aceites pela sociedade devido às suas habilidades nas artes da sedução. Pergunto-me se já escreveu sobre a versão masculina destas senhoras. Afinal também há homens assim, com as suas próprias habilidades para a sedução, não é verdade?

Sem dúvida! E já fiz questão de escrever sobre isso mesmo. Na série “The Brothers of the Absinthe Club” poderão encontrar as aventuras de seis cavalheiros nas suas conquistas pelas respectivas mulheres.

Quais são, para si, as maiores diferenças entre homens e mulheres no que diz respeito à sedução? O que é que a atrai mais nas mulheres que a faz escrever mais sobre elas em vez de sobre os homens?

Os homens são mais físicos e, para as mulheres, isso é pouco. O conhecer o outro é sempre a parte mais interessante da paixão – e do amor. No fim, a soma destas duas partes forma o todo da relação.

Nos dois livros até agora publicados em Portugal, as mulheres conseguem o que pretendem – amor – através da sedução. É mesmo assim que vê o amor – como algo que não existe sem sedução?

Há vários tipos de amor e todos eles são especiais. O amor romântico, contudo, é diferente. É mais profundo.

As suas histórias têm, também, uma enorme carga emocional. É uma pessoa emotiva? Quão importante acha que são as emoções nas nossas vidas e relações?

Não sei se serei emotiva, mas sentimental sou, de certeza, bem como uma romântica inata. Adoro uma boa história de amor… mas quem não gosta? Não é por acaso que quase todos os filmes e músicas são sobre o amor.

É curioso: os seus livros, embora decorram na era da Regência, vão muito de encontro à realidade actual. As histórias que encontramos ainda acontecem nos dias de hoje, especialmente a necessidade de se salvar o casamento, de se ser amado e se descobrir o amor através de aventuras um tanto ridículas. Concorda? Deu conta disto quando os estava a escrever? Foi intencional?

Não. Só acho que os temas abordados são intemporais!

As protagonistas, Caroline Wynn e Brianna, são duas mulheres fortes, corajosas, honestas e determinadas. Porquê estas heroínas? É assim que olha para as mulheres?

Absolutamente. As mulheres são fortes, embora numa maneira diferente, comparativamente com os homens. E felizmente que é assim! Recuso-me a que as minhas protagonistas sejam salvas por heróis porque nós, mulheres, somos tão capazes quanto os homens de nos safarmos, embora não de maneiras diferentes! Se homens e mulheres não se complementassem entre si, então a raça humana já não existiria.

As capas dos seus livros, tanto na versão portuguesa como na original, são magníficas. Correspondem àquelas que tinha imaginado para as suas histórias?

As capas são, efectivamente, magníficas, obrigada. Mas não tinha nada em mente e, tanto a PLANETA como a NAL, a minha editora americana, fizeram um trabalho sublime. Não mudaria nada!

Sei que se divertiu imenso enquanto escrevia “Lições de Sedução”. O que é que, na história, lhe proporcionou tão bons momentos?

Acho que ter uma história baseada num livro escandaloso tem, só por si, a sua graça. Inventar excertos atrevidos, então, foi uma experiência que me proporcionou inúmeras gargalhadas!

O que foi mais intrigante: escrever sobre um casal que ainda não era casado (como acontece em “Uma Proposta Perversa”) ou sobre um que já o era (como em “Lições de Sedução”)? Porquê?

Adorei as duas experiências. Os protagonistas são muito diferentes entre as duas histórias e o conflito entre personagens leva-nos a conhecer os seus sentimentos. Em “Uma Aposta Perversa”, a Caroline e o Nicholas têm alguns obstáculos para ultrapassar em termos de confiança e, em “Lições de Sedução”, também o Colton e Brianna os têm.

Como é o seu local de trabalho? Em que aspectos acha que o local de trabalho de um escritor de romance sensual difere dos restantes escritores?

Tenho um escritório com uma grande janela para o lago. Adoro a vista. Deleito-me a olhar para ela sempre que estou a trabalhar… Também oiço música, a maior parte do tempo – qualquer coisa leve, suave. Mas não faço ideia de onde os outros escritores trabalham. A verdade é que somos um grupo extremamente variado. Sei que alguns gostam de ir para cafés ou livrarias, mas eu prefiro ficar em casa a martelar no teclado.

O que a leva a escrever dois romances num só livro? E como faz para decidir qual deles será o romance principal e o secundário? Não acontece, por vezes, querer desenvolver, de igual forma, as duas histórias ou, até, escrever mais sobre a que era, supostamente, secundária?

É uma decisão difícil, confesso. Mas, às tantas, fico tão absorvida pela história que uma coisa leva a outra e cada um dos casais encontra o seu caminho. No fim, até acabo por não ter de decidir nada porque as personagens traçam o seu próprio caminho.

Para aqueles que, infelizmente, ainda não leram os seus livros em Portugal, diria que eram sobre mulheres à procura de desejo, mulheres à descoberta das suas próprias habilidades de sedução, mulheres à procura de amor… Ou talvez outra coisa?

Diria que ambos os livros, “Uma Aposta Perversa” e “Lições de Sedução”, são sobre a interessante e complicada viagem que os homens e as mulheres fazem juntos quando descobrem a paixão e o amor. Será sempre fácil lidar com estes sentimentos? Eu não acho. Há uma complexidade que lhes é inerente e que fazem deles o ingrediente perfeito para uma história.

Comparando “Lições de Sedução” e “Uma Aposta Perversa”, o que enumeraria como as principais diferenças – para além da acção principal e das personagens?

Penso que, “Uma Aposta Perversa” é mais sobre ultrapassar obstáculos e demolir certas paredes que surgem nas nossas vidas. Por sua vez, “Lições de Sedução” baseia-se mais em determinação. Ambos, no fundo, são histórias de alguém que corre riscos para conseguir aquilo a que realmente dá valor na vida.

Muitos afirmam que os seus livros são capazes de satisfazer o apetite de todo o tipo de gostos literários. Concorda?

Que simpáticos! Muito obrigada! Espero mesmo que os livros sejam tão interessantes como devidamente bem escritos. Eu não sei quanto aos outros, mas, quanto a mim, sei que leio pelo entretenimento e pelo prazer.

É uma pessoa romântica como as protagonistas dos seus livros? Adora o amor e tudo o que lhe seja próximo? Houve alguma loucura que tenha feito por amor e que possa partilhar connosco?

Sou, sem dúvida, uma pessoa romântica. Muito romântica mesmo. Ah, o amor… É simplesmente lindo. O melhor da vida. Se fiz alguma loucura? Bem, fiquei noiva do meu marido seis semanas depois de nos termos conhecido. Quando liguei aos meus pais a contar que me ia casar eles perguntaram logo “Com quem?!”. Eles não o conheciam, nunca o tinham visto! Acho que isso foi uma pequena loucura. Mas a verdade é que, vinte anos depois, sei que tomei a decisão certa.

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