Jill Mansell

A divertida autora britânica Jill Mansell aceitou o desafio de presentear os seus fãs portugueses com uma entrevista exclusiva ao nosso site. Com mais de três milhões de cópias dos seus livros vendidas em todo o mundo, Jill Mansell é uma das mais aclamadas escritoras da actualidade, célebre por roubar muitos sorrisos e gargalhadas aos leitores.Depois de inesquecíveis bestsellers como “Doce Vingança” e “Uma Oferta Irrecusável”, a autora provou nunca desiludir os fãs a cada livro novo que é publicado. Amante da vida e de tudo o que de bom ela nos dá, Jill Mansell revelou-se tão ou mais doce que as personagens dos seus romances.

Qual é a fórmula para olhar a vida com o mesmo humor que a Jill?

Não faço ideia! É apenas a maneira como eu vejo as coisas. Eu bem que já tentei escrever um tipo de ficção mais dramática e séria, mas nunca funciona! É impressionante como o humor está presente em tudo o que eu escrevo e domina as minhas histórias. A verdade é que, se formos a ver, estão sempre a acontecer coisas divertidas e engraçadas na nossa vida! Nem sempre damos por elas, mas elas estão lá. E sempre que eu vejo alguma, tomo nota e crio uma nova história a partir dessa ideia.

Quando escreve pensa naquelas pessoas que vão ler e rir-se com as suas histórias e personagens?

Não, eu não penso em nada nem ninguém quando escrevo. Aquilo que eu penso e imagino é aquilo que eu escrevo. Mas, depois, é sempre maravilhoso receber cartas e e-mails de pessoas que leram os meus livros a dizer que se divertiram imenso com as histórias. Já chegou a acontecer, haver pessoas que estavam no hospital ou que estavam a passar por uma fase má da vida e que me escreveram a agradecer do fundo do coração, porque os meus livros fizeram-nas sorrir de novo. Isto é simplesmente maravilhoso! Fico muito, muito feliz.

Onde é que vai buscar as ideias para as suas histórias? À vida real?

Eu vou buscar ideias a todo o lado. Pode ser a uma conversa que eu ouvi acidentalmente num restaurante ou no comboio, pode ser a um jornal, a uma revista, a um programa de televisão… Elas estão em todo o lado! É preciso é estar com atenção e olhos bem abertos.

No seu mais recente livro publicado em Portugal, “Uma Oferta Irrecusável”, a protagonista Lola é subornada com uma grande quantia de dinheiro para deixar o namorado. Isto aconteceu-lhe ou a alguém que conheça? De onde é que surgiu a história?

A mim nunca aconteceu e, que eu saiba, também não aconteceu a ninguém que eu conheça. Foi uma história pura e simplesmente inventada!

Mas se isto acontecesse mesmo à Jill, será que ia lidar com a situação com o mesmo sentido de humor que a Lola?

Nunca pensei nisso, mas espero que sim! Quer dizer, nos programas de TV e nos filmes isto não é nada novo. Já todos vimos uma cena destas em que alguém suborna outra pessoa. Mas a verdade é que esse suborno ou é aceite por personagens más, gananciosas, que vivem da cobiça e da ambição, ou então pelos vilões. E eu quis mudar isto tudo! Fiz questão de ter uma personagem doce e com um grande coração a aceitar o dinheiro por uma boa causa.

Um efeito invariavelmente comum entre aqueles que lêem os seus livros é que ficam a sentir-se bem com a vida, mesmo quando têm problemas. Dizem que a Jill e as suas personagens fazem-nos olhar para esses problemas com outros olhos. Concorda?

Acho que sim. Eu gosto de animar as pessoas e já houve quem me dissesse que eu consegui mudar as suas vidas. Por exemplo, uma senhora tinha um marido que a mal tratava há imensos anos. Depois de ler um dos meus livros, ela ganhou coragem e deixou-o! Hoje já voltou a casar, já teve dois filhos e é extremamente feliz. E, como forma de agradecimento, baptizou os filhos com os nomes de duas personagens do livro. Não há nada melhor do que saber que mudamos a vida de certas pessoas e que conseguimos que sejam mais felizes.

A Lola acabou também por se revelar uma personagem muito especial para os leitores. É uma grande amante de livros e ainda conseguiu um emprego numa livraria, coisa que qualquer leitor gostaria de ter. Isto foi intencional?

Sim. Eu adoro ler e derreto-me sempre que entro numa livraria. Como pensei que aqueles que lessem o meu livro também deviam gostar de livrarias, achei que era o trabalho ideal para a Lola. Para me manter fiel à realidade, fiz questão de falar com várias pessoas que trabalhavam em livrarias e pedi-lhes que me contassem histórias engraçadas com os clientes. Depois de tudo anotado, a única coisa que fiz foi pegar nelas e inseri-las na história!

O seu género literário tem sido o mesmo há já algum tempo e todos os fãs adoram cada livro novo da Jill que é publicado. Ainda assim, nunca pensou em mudar e escrever algo diferente?

Eu não quero mudar. Nem eu, nem os meus leitores íamos gostar! E eu já sei que não ia conseguir escrever uma história séria. Não sou capaz! Além disso, eu gosto de passar os dias com as minhas personagens. São uma óptima companhia!

Pessoalmente, o que há de melhor em ser-se a Jill Mansell?

Posso-me sentar na cama e trabalhar quando quiser, o que é óptimo. Posso escrever tudo aquilo que gosto e quero. Se me apetecer mandar as minhas personagens de férias para Portugal, posso fazê-lo! Para além de tudo isto, é fantástico saber que faço muitas pessoas felizes com os meus livros. Até porque, se há coisa que me dá mais prazer é conhecer os meus leitores. Essa é, sem dúvida, a melhor parte.

E o que é que os fãs da Jill vão encontrar quando a conhecerem? Alguém cheio de sentido de humor como as suas personagens?

Acho que sim! Eu escrevo os meus livros à mão e a minha filha de 18 anos passa-os a computador. E, segundo o que ela diz, as personagens são mesmo a minha cara e dizem o mesmo tipo de coisas que eu. Portanto, acho que sim. Acho que sou como eles! (Embora a idade seja diferente e algumas delas também sejam mais novas que eu…)

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