Segredo dos Livros - Sugestões e Críticas Literárias

Jude Deveraux Enviar por E-mail
Escrito por Margarida Cruz   
Sexta, 05 Agosto 2011 15:46

Queria ser tecedeira, mas o futuro reservava-lhe um lugar de topo nas livrarias de todo o mundo. Depois de se formar em Arte pela Universidade de Murray, tentou a sorte como professora até que a ideia para uma história a levou a escrever as primeiras linhas daquilo que viria a ser o seu primeiro livro. E foi assim que, há trinta anos atrás, mil e uma novas ideias se desencadearam na mente de uma escritora que nascia pelo nome de Jude Deveraux. Hoje, autora de uma vasta obra, já vendeu mais de 50 milhões de exemplares no mundo inteiro, sendo best-seller em vários países. Com uma invejável carreira literária marcada por consecutivos lugares de topo do New York Times, a aclamada autora quis presentear os seus fãs portugueses com uma entrevista exclusiva ao Segredo dos Livros. Saiba mais sobre esta mulher de Kentucky que já conquistou milhões de fãs por todo o mundo.

É licenciada em Arte. Contudo, acabou por seguir a carreira de escritora. Como é que isto aconteceu? Como é que descobriu esta sua vocação e paixão pela escrita?

Na altura, o meu maior desejo era tornar-me uma das maiores tecedeiras artísticas do mundo. Contudo, quando acabei o curso, dei conta que ninguém estava disposto a pagar-me para tecer. Então arranjei um trabalho como professora numa escola primária. Os miúdos eram absolutamente fantásticos, mas a administração insuportável. Na altura, ler era a melhor fuga dos problemas do dia-a-dia que podia ter. A verdade é que nunca quis ou fiz algo para ser escritora. Foi uma coisa que aconteceu naturalmente, sem quaisquer planos ou intenções. Simplesmente tive uma ideia para um livro e comecei a escrevê-la para ver se realmente era capaz de a elaborar e de escrever um livro. Quando o terminei tive outras quantas ideias para mais livros e foi assim que tudo começou… Foi muito inocentemente. 

"Gosto de saber aquilo que se está a passar no mundo onde vivem as minhas personagens e que tipo de coisas é que só podíamos fazer se voltássemos atrás no tempo."

Os seus romances são na sua maioria históricos. Porquê este interesse em contar histórias que decorrem no passado?

Adoro pesquisar, saber mais sobre como as pessoas agiam e faziam determinadas coisas. Por exemplo, se para jantar tinham um belo de um bom bitoque no prato, como é que isso ia parar à mesa? Gosto de saber aquilo que se está a passar no mundo onde vivem as minhas personagens e que tipo de coisas é que só podíamos fazer se voltássemos atrás no tempo. 

Já escreve há mais de trinta anos. Qual a sua perspectiva sobre esta longa carreira em escrita?

Quando dei os primeiros passos na escrita, fiz planos para fazer dela a minha vida para sempre. Aliás, muitos dos meus livros estão interligados entre eles, para que os leitores queiram saber mais e, assim, leiam o próximo. A maioria das minhas decisões de carreira foi tomada mais a pensar a longo prazo do que propriamente naquilo que se estava a vender. Tive imensas discussões com os meus editores e também com outros autores românticos por causa disto, mas fiz questão de me manter sempre fiel àquilo em que eu acreditava.

Ainda é fácil criar as suas histórias ao fim de tanto tempo a explorar a sua imaginação?

Algumas são fáceis, outras são tão difíceis que só me apetece desistir de as escrever. Gosto daquelas que fluem facilmente, ao ponto de parecer que se escrevem por si mesmas…

Ao fim de três décadas como escritora, qual é o melhor conselho que pode dar com base na sua experiência?

Mantenham o vosso ego completamente intacto. Não se deixem afectar nem pelas boas coisas que vos dizem e acontecem, nem pelas más. Tenho visto demasiadas carreiras a serem destruídas por causa do ego de um escritor. Mas olhem para cada um dos vossos novos livros como se fosse o primeiro, porque será assim para alguns leitores! E nunca pensem que são alguém especial por terem escrito alguns livros. Humildade acima de tudo.

Apesar de ser escritora, prefere ver filmes a ler livros. Porquê?

A literatura tornou-se um paraíso para o negócio. Actualmente, sempre que olho para a linha editorial de um livro, pergunto-me, por exemplo, porque é que o autor pôs aquele capítulo ali em vez de o ter deixado completamente de fora? Já não consigo ler ficção, pois está tudo demasiado manipulado e artificial. Por outro lado, leio muitos livros de não-ficção.

Embora não leia muita ficção, quando lê, não lê romances…

Nunca. Só thrillers com crimes, mistério e muita acção.

"Nunca pensem que são alguém especial por terem escrito alguns livros."

Quando está a escrever as suas histórias, pensa em alguma mensagem que queira transmitir aos seus leitores?

Há sempre alguma coisa que quero dizer, mas não o escrevo directamente nos meus livros.

E ainda enfrenta algum tipo de desafio enquanto escreve?

Sim. Aliás, faço questão de lançar desafios a mim mesma, para não me acomodar e cair na mesma fórmula de escrita e de história vezes sem conta. No livro que acabei de escrever (Moonlight in the Morning), por exemplo, o desafio era ver se conseguia fazer com que o meu herói e a minha heroína se apaixonassem sem se verem um ao outro uma única vez. Não foi nada fácil…

Porquê escrever uma série sobre a cidade de Edilean?

Eu queria uma cidade isolada, onde pudesse conhecer as pessoas que lá habitavam e conduzi-las ao longo dos séculos. Queria ver como é que os descendentes de algumas famílias se iam relacionar com o mundo moderno e que tipo de características se mantinham.

E é uma cidade totalmente imaginária ou foi criada com base na realidade?

É unicamente fruto da minha imaginação.

"Espero poder escrever um livro só de pequenas histórias de encantar, todas elas modernas e passadas no século XXI."

E quanto às suas histórias e personagens? Alguma delas se baseia no mundo real?

Sim, por vezes crio personagens com base em pessoas reais. Uma vez escrevi um livro com base no Capitão Richard Francis Burton, um explorador vitoriano. Mais recentemente, escrevi o livro Scarlet Nights com base em histórias verídicas de fraude.

Uma fã sua, de Portugal, pergunta se há alguma história sobre Tess e Ramsey na série de Edilean. Acontece que, no primeiro livro da série publicado em Portugal (Jardim de Alfazema), eles apaixonam-se mas não chegam a juntar-se e no segundo (Perfume da Paixão) surgem, para surpresa de todos, já casados.

Não. E confesso que até eu fiquei surpresa com a situação! A verdade é que eu tinha, de facto, planeado escrever sobre a Tess e o Rams, mas quando escrevi o Jardim de Alfazema dei-me conta que a Tess já estava completamente apaixonada pelo Ramsey. Só faltava fazer com que ele se apercebesse que também a amava. Eu gosto de escrever sobre um casal que se encontra e se conhece. A Tess e o Rams já sabiam tudo um sobre o outro, pelo que não podia escrever mais nada sobre eles...

As suas histórias fazem também, muitas vezes, lembrar a história da Cinderela. Há uma espécie de base de conto de fadas, especialmente em Jardim de Alfazema. O que a atrai tanto neste tipo de histórias de encantar?

Eu adoro contos de fadas! Um dia, espero poder escrever um livro só de pequenas histórias de encantar, todas elas modernas e passadas no século XXI!

Enquanto autora e pessoa que cria as suas próprias histórias, costuma sonhar com a vida que gostava de ter?

Sem dúvida! Adorava poder fazer viver e fazer parte de uma das minhas histórias!

Para além de escrever, o que é que lhe dá mais prazer fazer?

Jardinar e praticar box.

E como é um dia normal da Jude Deveraux?

Acordo por volta das 4h da manhã e escrevo no silêncio da madrugada. Gosto de escrever à mão. É mais fácil para mim. Às vezes, tenho ginásio às 6h30 e só escrevo quando volto. Depois do almoço, vejo filmes na televisão e esquematizo aquilo que escrevi durante a manhã. Ao final da tarde, faço exercício físico. Depois disso, dou uns jeitinhos no jardim e, normalmente, deito-me pelas 21h.

Segue algum tipo de lema ou máxima no seu dia-a-dia?

Simplesmente ignoro tudo e todos para poder escrever. Nada de influências. Apenas eu mesma.

Que tipo de feedback recebe dos seus fãs? E de Portugal?

Tenho tido alguns problemas com o feedback dos leitores, uma vez que as pessoas tendem a escrever coisas maravilhosas em privado, através do meu site, e a escrever publicamente críticas terríveis e de muito mau tom em sites como o Amazon.com. Estive aí há pouquíssimos meses e fiquei maravilhada com a beleza e a serenidade do vosso país. Quero muito voltar e poder passar mais tempo aí!

"Fiquei maravilhada com a beleza e a serenidade do vosso país. Quero muito voltar e poder passar mais algum tempo aí!"

E de Portugal?

Estive aí há pouquíssimos meses! Fiquei maravilhada com a beleza e a serenidade do vosso país. Quero muito voltar e poder passar mais algum tempo aí!

E o que acha dos seus fãs portugueses?

Gostava de ouvir mais deles! Criei recentemente uma conta no Facebook e no Twitter, onde recebo várias mensagens dos meus fãs e onde tento responder a cada uma delas. Passem por lá!

Actualizado em Segunda, 29 Agosto 2011 10:37
 
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