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Que aroma é este que me envolve? Lírios nesta altura do ano? Estarei a enlouquecer? Mas... estarei louca ou estou a ver a minha avó Celeste à minha frente? Mas... tão parecida com aquelas fotos velhinhas que andam perdidas pelas velhas caixas de memórias da minha mãe... - Avó? És tu? - Sim, vim ver-te, sei que precisas de mim. Não penses que não te conheço só porque não nos cruzamos no tempo minha filha, que não te amo, amo, muito, e sei que estás a precisar neste momento de mim, aqui estou. - Mas... como? - Não interessa, mas sim que não te esqueças que te amo, que te conheço, que és parte de mim e acredito em ti e te apoio em todos os momentos da tua vida. - Sabes avó, sinto imenso a tua falta, sempre senti, como que um vazio no meio do meu peito, falta daquele abraço, daquele mimo e afago, quantas noites te imagino ali comigo, secando as minhas lágrimas e rindo dos meus medos infundados. - Querida, mas eu estou sempre contigo quando pensas em mim e sempre que me chamas eu estou ali, mesmo sem que me vejas, partilhando as tuas emoções. - Avó? - Sim... - Obrigado por me amares e te preocupares comigo... - Não tens de quê, mas não te esqueças nunca de que estou contigo, de que acredito em ti mesmo quando tu não acreditas e de que me orgulho muito de ti. Não tenhas medo da vida, ela é dura e cruel mas é também suave e terna. Vive-a sem medo, o que tiver de vir virá mesmo que lutes contra isso, aceita-o e vive-o com confiança. Tudo vem e tudo passa, apenas fica a memória e a aprendizagem, os momentos felizes que viveste e deixaste marcados no teu coração. - Mas a tua vida foi tão cruel avó... - A minha vida continua em ti, em mim, na tua mãe, a vida nunca acaba e só o bom permanece... - Obrigado avó! Tens de ir? - Tenho, mas não tenho... continuarei aqui contigo. - Amo-te avó. - Também te amo muito...
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