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A minha avó desconhecida... PDF Imprimir e-mail
Escrito por Fátima Rodrigues   
09-Dec-2007

Que aroma é este que me envolve? Lírios nesta altura do ano? Estarei a enlouquecer?
Mas... estarei louca ou estou a ver a minha avó Celeste à minha frente? Mas... tão parecida com aquelas fotos velhinhas que andam perdidas pelas velhas caixas de memórias da minha mãe...
- Avó? És tu?
- Sim, vim ver-te, sei que precisas de mim. Não penses que não te conheço só porque não nos cruzamos no tempo minha filha, que não te amo, amo, muito, e sei que estás a precisar neste momento de mim, aqui estou.
- Mas... como?
- Não interessa, mas sim que não te esqueças que te amo, que te conheço, que és parte de mim e acredito em ti e te apoio em todos os momentos da tua vida.
- Sabes avó, sinto imenso a tua falta, sempre senti, como que um vazio no meio do meu peito, falta daquele abraço, daquele mimo e afago, quantas noites te imagino ali comigo, secando as minhas lágrimas e rindo dos meus medos infundados.
- Querida, mas eu estou sempre contigo quando pensas em mim e sempre que me chamas eu estou ali, mesmo sem que me vejas, partilhando as tuas emoções.
- Avó?
- Sim...
- Obrigado por me amares e te preocupares comigo...
- Não tens de quê, mas não te esqueças nunca de que estou contigo, de que acredito em ti mesmo quando tu não acreditas e de que me orgulho muito de ti. Não tenhas medo da vida, ela é dura e cruel mas é também suave e terna. Vive-a sem medo, o que tiver de vir virá mesmo que lutes contra isso, aceita-o e vive-o com confiança. Tudo vem e tudo passa, apenas fica a memória e a aprendizagem, os momentos felizes que viveste e deixaste marcados no teu coração.
- Mas a tua vida foi tão cruel avó...
- A minha vida continua em ti, em mim, na tua mãe, a vida nunca acaba e só o bom permanece...
- Obrigado avó! Tens de ir?
- Tenho, mas não tenho... continuarei aqui contigo.
- Amo-te avó.
- Também te amo muito...

Comentários
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Sebastião Barata   | Publisher | 2008-01-12 22:06:52
Pelos vistos, os avós são importantes para os netos, mesmo quando já faleceram!
Diz quem sabe que a presença dos avós é muito importante, porque são o contraponto dos pais. O pai e a mãe procuram educar os filhos, são exigentes para eles e castigam-nos quando merecem. Os avós não devem opôr-se às ordens dos pais, ou de qualquer outra forma pôr em causa a sua autoridade junto dos filhos, mas são a dose suplementar de carinho e de apoio que todas as crianças precisam. O avô tem sempre um guloseima para dar ao neto, ou uma história linda para lhe contar. O pai, atarefado com as exigências da vida, nem tempo tem para pensar nisso.
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