ANÚNCIO: Empreste-me a sua alma; pago bem.

Meu nome é Judas Iscariotes. Nasci na Galileia, há 2040 anos. Fui discípulo de Jesus, um extraordinário profeta, a quem chamaram Cristo. Convivi com ele durante três anos e tive o privilégio de assistir aos seus milagres. Vi-o dar vista a cegos, curar paralíticos e pôr coxos a andar. Tudo coisas que outros milagreiros fazem.
Mas vi-lhe fazer três prodígios que ninguém conseguiu fazer: transformou água de lavar mãos em vinho de excelente qualidade; alterou condições meteorológicas, fazendo instantaneamente cessar o vento e a tempestade; deu de comer a cerca de 10.000 pessoas com 5 pães e 2 peixes e, no final, os 12 cestos usados na distribuição ficaram cheios. Estes prodígios convenceram-me de que ele era, de facto, o Messias que o nosso povo esperava há muitos séculos.
Que grande foi a minha alegria no dia em que entrou em Jerusalém, aclamado pela multidão. Pensei: “É agora que vai restaurar a soberania de Israel e expulsar os Romanos do nosso território”. Mas a minha esperança ruiu naquela fatídica ceia, quando declarou que o seu reino não era deste mundo e ia ser julgado e condenado à morte.
Num relance, vi todos os meus sonhos caírem por terra e grande foi a minha desilusão. Mas maior foi a minha surpresa. Após aquela declaração, Jesus apertou as minhas mãos nas suas, olhou-me firmemente nos olhos e disse: “Bom amigo, vai e faz o que tem de ser feito”. Aquele olhar penetrou até ao mais fundo do meu ser e roubou a minha alma.
O que fiz toda a gente sabe. Agora, vinte séculos depois, este meu corpo ainda vagueia pelo mundo à espera de uma alma digna do seu acto.
Se pensa que pode ajudar-me, empreste-me a sua alma. Se for julgada digna e eu entrar no paraíso, devolvo-lha gloriosa.

0 comentários
0 likes
Anterior: Conceito de beleza alterado nos dias que corremSeguinte: Sapatos de Rebuçado

Comentar