Uma viagem à… Polónia

Como prometido, vou tentar partilhar convosco um pouco do que vivi e senti nesta minha viagem (Junho/Julho 2007).
 
A Polónia é um país muito bonito, estranhamente parecido com o nosso relativamente às pessoas e aos seus valores.
É um país que ainda sofre os traumas resultantes da sua história.
Para quem não saiba, a Polónia era um país com monarquia até ser ocupado pelos nazis durante a II Guerra Mundial, tendo o seu povo sido considerado uma raça a exterminar, em conjunto com os judeus e ciganos, entre outros.
Quase todas as famílias têm elementos que morreram nos campos de concentração ou que por lá passaram.
Falei com uma senhora cuja mãe tinha estado 3 anos em Auschwitz e que ainda hoje não lhe conta o que por lá viveu. Tudo isto é partilhado por este povo incrível entre lágrimas sentidas e dor profunda.
É admirável a sua capacidade de partilha, de perdão e de amor. Pessoas que passaram por mais do que conseguimos imaginar, cujas familias estão desfalcadas pelos horrores da guerra e da repressão e que não são amargas nem frias, que são ternas e amistosas e que sempre partilham connosco a verdade, como lhe chamam.
Mas continuando com a parte histórica, após a ocupação nazi, esperando ter alcançado a liberdade, sofreram uma ocupação soviética que os reprimiu e levou tudo o que pode, inclusivamente parte do território, segundo eles, uma parte muito rica que após a sua libertação ficou com os soviéticos.
Contam que os livros de história pelos quais aprenderam e que tinham de proclamar como verdade, culpava os nazis de tudo, mesmo dos crimes e atrocidades que tinham da sua responsabilidade, obrigando-os a considerar os soviéticos como os salvadores a quem eles tudo deviam.
Para eles, os edifícios que nos encantam são dores visiveis, simbolos dos tempos de repressão, pelo que querem desfazer-se deles. Custa-me devido ao património belicissimo que perderão, mas entendo. Não fizémos nós o mesmo após os tempos do salazarismo? Quantos edifícios se perderam e toponímias se alteraram?
Mostram-nos os campos de concentração com muita dor e pesar mas sem deixar de o fazer, pedindo-nos apenas que passemos a verdade aos outros.
Têm uma gastronomia interessante, onde gostei de muita coisa, embora lá a sopa de beterraba e o trigo cozido me seja intragável!
Em todas as ruas têm duas ou três gelatarias, onde ao domingo há sempre filas de pessoas e todos comem gelados pelas ruas. Vendem-se também maçarocas de milho cozidas e umas fiadas de uns bolinhos secos. Todos os dias há senhoras a vender pequenos bouquets de flores que criam com flores que apanham nos campos e é com esses ramos que recebem as pessoas nos aeroportos e agradecem qualquer coisa a uma senhora.
Os preços são semelhantes aos nossos. Não bebem quase água às refeições, dispondo apenas de um pequeno copo, mas terminando sempre as refeições com um chá ou café (bem fraco diga-se!).
Tomam um bom pequeno-almoço, um almoço normal e um leve jantar à base de saladas e peixe. Têm um pão de mistura com pevides maravilhoso, então com um quejo fumado deles, ai ai!!
Comem um doce de pétalas de rosa que gostei e com o qual recheiam as bolas de Berlim, nas dão-lhes outro nome.
Bem, e por hoje tenho de ficar por aqui, quando puder escrevo mais e fica prometido que farei uma entrada só sobre os campos de concetração!
Ora para os curiosos um pequeno dicionário! Atenção que escreverei como se diz e não como se escreve!
 
Obrigado: Jen Kuian
Muito obrigado: Jen Kuian Barzo
Sim: Tac
Não: Nié
Bom dia: Jen Dobre
Boa noite: Dobra Notz
Pão: Rleb
Leite: Meleko
Desculpa: Pcheprocham
Táxi: Taxúfca
Por favor: Proprocham
Adeus: Dovidzenha
De nada: Prócham
Saúde (num brinde): Nas Drovié!

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Comments

  • Sebastião Barata

    Dezembro 16, 2007 at 17:26
    Reply

    Confesso que uma das coisas de que mais gosto é viajar, mas, paradoxalmente, é o que menos tenho feito na vida. Só fui ao estrangeiro uma vez, para visitar a Eurodisney. Quando residia na Covilhã, nos primeiros anos após o 25 de Abril, fui algumas vezes a Espanha, especialmente para meter gasolina (Já nesse tempo assim era! Triste sina a nossa com os combustíveis!...) e comprar caramelos. Nunca fui mais longe do que a Ciudad Rodrigo. Tenho pena de nunca ter visitado lugares como Roma, Atenas, Jerusalém, Paris ou Londres, para não citar mais. Mas a vida é como é... […] Ler Mais...Confesso que uma das coisas de que mais gosto é viajar, mas, paradoxalmente, é o que menos tenho feito na vida. Só fui ao estrangeiro uma vez, para visitar a Eurodisney. Quando residia na Covilhã, nos primeiros anos após o 25 de Abril, fui algumas vezes a Espanha, especialmente para meter gasolina (Já nesse tempo assim era! Triste sina a nossa com os combustíveis!...) e comprar caramelos. Nunca fui mais longe do que a Ciudad Rodrigo. Tenho pena de nunca ter visitado lugares como Roma, Atenas, Jerusalém, Paris ou Londres, para não citar mais. Mas a vida é como é... Em compensação, conheço, embora não profundamente, quase todo o Portugal. Só ainda não estive na zona de Bragança, Mirandela e arredores. Espero ainda lá ir um dia. Read Less

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