Este é um assunto complicado. Não sei se foi uma boa ideia postar aqui meu primeiro post mas, vamos lá.
No fundo eu gosto do novo acordo, mas creio que a primeira coisa que se tem que ter em mente sobre o acordo é que é um acordo, por mais óbvio que isto seja. Um acordo nunca é perfeito porque sempre implica em cedências... Ao contrário do que muitos querem fazer passar, houve cedências de todos os lados.
Segundo, o acordo é gramatical, o que faz confusão porque há o mito de que é preciso mudar expressões quotidianas para seu uso. Não é. Apenas a grafia é alterada.
Gosto muito de olhar para o acordo com as palavras de Camões em mente: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades".
Em muitos casos -- não aqui, obviamente -- vejo em certas pessoas aquela senhora que foi ao mercado e gastou todo seu dinheiro em enlatados, na mudança para o Euro, porque nunca mais queria tocar em dinheiro.
Uma mudança era precisa. Não tinha muito sentido haver uma língua e duas grafias. O brasileiro tinha que reconhecer facto, e o fato precisava também existir em Portugal. Chegou-se a um consenso que, apesar de imperfeito, tem sentido.
A verdade também é que os dinossauros extinguiram-se há milhões de ano. Nós também -- assim como nosso apego à antiga grafia -- extinguir-nos-emos. Da discussão que existe agora, não existirá sequer uma réstia em dez anos, quando nossos filhos estiverem a escrever e a ler em pleno.
A medida que formos sendo expostos ao novo acordo, vamos-nos também acostuma com ele, e vamos começar a achá-lo melhor. Creio que seu grande problema é mesmo a inércia, mas ela acabará por passar.
No fundo, houve ganhos para todos em termos políticos e comerciais.
Políticos porque a língua portuguesa fica mais forte para os que não são lusófonos. Adorei o texto da Judite Estrela em que ela comenta sobre a dificuldade que era ensinar o português em universidades pelo mundo afora.
Comerciais porque a troca de cultura Brasil x Portugal aumentou e muito com ele.
Enfim, é uma questão de deixar de lado o "não me consigo acostumar" para o "o tempo dirá".