Olá! Vi este tópico e não pude deixar de dar o meu parecer como: filha, estudante e futura profissional. (Apesar de já se ter passado um ano desde que ele foi colocado aqui

)
Estou no curso de Educação de infância (agora mais conhecido como Educação Básica, devido ao Tratado de Bolonha) e cada vez mais compreendo e concordo com tudo o que foi dito aqui.
Gostei da ideia que foi dada pela Ana. A meu ver, pode se tornar um bom tema de conversa e uma boa forma de reflexão. É pena constatar que não teve grande adesão como o Sebastião previu.

Actualmente, o nosso país encontra-se em crise e esta não é apenas ao nível financeiro e económico mas também ao nível da educação, entre outros aspectos. Nunca me tinha apercebido deste problema nacional até entrar para a faculdade e começar a estagiar. Até a esse momento, tinha a ideia que o facto de ver tantas crianças mal educadas e instruídas, fosse apenas culpa do Governo e dos professores, que eram uns incompetentes. Agora sei que não é bem assim. Como futura educadora de infância sei que a educação começa desde pequeno, e os verdadeiros educadores de uma criança são os seus pais. O jardim-de-infância e a escola são os complementos dessa educação. Existem para ajudar os pais a educar as suas crianças. No entanto, não é assim que os pais vêem estas instituições.
No meu estágio e, em conversa com as educadoras com que tive o prazer de trabalhar até agora, vejo o quanto elas (e eu também) sofrem com as “diabruras” dos seus grupos. É claro que, quando me refiro a “diabruras”, não estou a falar daquelas que são típicas e já esperadas de crianças com idades entre os 3 e os 6 anos. Refiro-me às atitudes mal educadas e muitas vezes grosseiras que têm para connosco e para com os outros. Cada vez mais cedo, os pais deixam de se preocupar tanto com a educação dos seus filhos, pois o jardim-de-infância e a escola é que são responsáveis por esse papel. Eles estão isentos desse “trabalho”. Somos nós educadores/professores que temos o dever de educar os meninos e as meninas. Sim, concordo. É esse o nosso papel mas não devemos começar do zero. Não é nossa responsabilidade (ou não deveria ser) dar a educação, que já deveria ter sido dada em casa. No entanto, isso já se tornou habitual.
Quantos são os pais que entram, nos portões destas instituições, com a atitude de quem vem deixar o cão ou o gato, para mais logo (quando o trabalho terminar) vir buscar o bichinho pois não têm mais lugar nenhum onde o deixar. Tal atitude revolta-me e dá-me muitas vezes vontade de os chamar e dizer “São os vossos filhos, são o vosso bem mais precioso!!”. Tenho sempre a sensação que muitos pais ainda não se aperceberam disso e, daí, fazerem tantas asneiras com a sua educação.
É claro que entendo perfeitamente porque é que tantos pais surgem com esta atitude quando deixam as suas crianças no jardim-de-infância. Quantas são as pessoas que consideram que os educadores de infância não são assim tão importantes e que as crianças, durante o tempo que estão no jardim-de-infância, não estão a fazer nada a não ser brincar. O que eles não sabem é que, ao brincar, as crianças adquirem muitas competências.
Mas não vou agora falar sobre o quanto a educação de infância é incompreendida pelas pessoas em geral (em especial, pelos pais), pois não é disso que estamos a falar. Estamos a falar do quanto há falta de educação neste nosso país. Tal como os educadores de infância tentam fazer o seu papel em vão, acontece o mesmo aos professores que tentam incutir, por exemplo, o gosto pela leitura nos seus alunos. Os professores tentam, a todo o custo, fazer com que as crianças se interessem pelos livros, por se divertirem ao fazerem a sua leitura e tal até pode acontecer na sala de aula. O problema está quando os alunos vão para casa e não há ninguém que continue a incentivar esse interesse. Os pais deveriam apoiar os professores, deveriam ajudá-los no seu trabalho em casa mas não o fazem, o que faz com que os professores sejam obrigados a começar tudo de novo. Tal também acontece com os educadores de infância que ensinam às crianças boas maneiras, entre outros ensinamentos. As crianças vão para casa e, no dia seguinte, quando voltam ao jardim, o educador é obrigado a ensinar tudo de novo.
É uma pena ver que os pais não sentem o quanto são importantes na educação dos seus filhos e que têm o direito mas, principalmente, o dever de ajudar no trabalho feito pelos educadores/professores. É claro que não são apenas eles que devem ajudar. O Governo também tem esse dever, sendo obrigado a proporcionar as melhores condições para que todos os professores possam fazer um bom trabalho.
De minha parte, digo que sempre tive pais presentes e interessados na minha educação. Sempre tentei ser uma aluna aplicada (o que considero ser) e pretendo vir a ser uma boa futura profissional, cujo único objectivo é educar as crianças o melhor possível, tendo a esperança que estas, no futuro, se tornem uns adultos melhores.