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TÓPICO: O ENGENHEIRO DE VISÃO

O ENGENHEIRO DE VISÃO há 12 anos 2 meses #328

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Aqui fica o texto que publiquei num desafio do "Escreva", cujo tema é a novela do novo aeroporto de Lisboa. Pode considerar-se um artigo de actualidade com cariz irónico. Reparem na data de "publicação" :wink:

O ENGENHEIRO DE VISÃO

No último editorial do ano, queremos destacar aquela que foi, sem sombra de dúvida, a figura do ano: Mário Lino.
Este homem de grande visão delineou um projecto grandioso que iria resolver todos os problemas que têm afligido Portugal nas últimas décadas. Infelizmente, por razões mesquinhas, foi impedido de o por em prática. Passamos a explicar:
Logo no início do ano tomou a decisão que muitos governos adiaram: a localização do novo aeroporto de Lisboa, que, de acordo com os estudos, será Alcochete. De imediato, começaram a movimentar-se vastos interesses, a favor e contra a decisão, mas, para todos, Mário Lino, tinha uma solução.
Os especuladores que tinham adquirido grandes terrenos na Ota não queriam perder os seus investimentos. A solução era simples: o Governo iria expropriar os terrenos à volta de Alcochete a preços de “deserto” e trocá-los por terrenos na Ota, à razão de metro quadrado por metro quadrado.
A Lusoponte reivindicava o direito contratual de explorar todas as pontes sobre o Tejo abaixo de Vila Franca. Nada mais fácil de resolver: o Governo mandava construir a ponte para acesso ao novo aeroporto, pagava-a e cedia-a à Lusoponte para esta explorar.
Os ambientalistas esgrimiam com a questão das aves do estuário do Tejo. Muito simples de resolver: a Quercus, com o apoio de um generoso subsídio do Ministério do Ambiente, encarregar-se-ia de as transportar para o Alqueva. Bastava levar algumas fêmeas mais vistosas e todas as restantes iriam de livre vontade.
Mas que fazer aos vastos terrenos que o Estado ia adquirir na Ota nas permutas com os especuladores? Esta questão exigia uma solução mais complexa, mas também de maior interesse estratégico. Nestes terrenos seriam construídas as grandes infaestruturas de que o País necessitava há muitos anos e os sucessivos Governos têm adiado sistematicamente: uma central nuclear, que iria resolver os nossos problemas energéticos nos próximos 50 anos; uma grande unidade de triagem e preparação de resíduos recicláveis; uma central de co-incineração de resíduos perigosos; nos terrenos restantes, seria construído um gigantesco aterro sanitário. Um parque desta dimensão provocaria um enorme movimento de veículos de transporte de resíduos, mas, para isso, seriam construídas as mesmas auto-estradas que estavam previstas quando o aeroporto era para ser na Ota. Com este investimento e esta rede viária ficavam completamente satisfeitas as reivindicações dos Municípios do Oeste, que legitimamente desejavam ser compensados das expectativas que alimentaram durante muitos anos sobre a Ota.
Também para os terrenos resultantes da desactivação do actual aeroporto da Portela o Engº Mário Lino tinha uma solução, digna de um grande génio. Dizem os especialistas que, com o aquecimento global, o nível do mar vai subir vários metros daqui a algumas dezenas de anos, o que vai provocar o alagamento da zona baixa de Lisboa. Para nos anteciparmos ao problema, seria construída na Portela uma cidade moderna e grandiosa, para onde seriam transportados os moradores, comércio, organismos públicos e até monumentos da ribeira desde Alcântara ao Poço do Bispo, que seria transformada numa belíssima zona de lazer, em vias de ser praia.
Infelizmente, mais uma vez, a Nação foi madrasta para um dos seus melhores filhos e o Engº Mário Lino, foi, inexplicavelmente, demitido do Governo. Palavras para quê?!
Neste final de 2008, desejamos, para finalizar, aos fiéis leitores da revista “Vistas Curtas” o Natal possível e o Ano Novo a que temos direito.
Última Edição: há 10 anos 8 meses por vibarao.
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Re: O ENGENHEIRO DE VISàƒO há 12 anos 2 meses #342

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Muito bem!!!
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Moderadores: vibarao
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"Escrever um romance é um strip-tease invertido e todos os romancistas são exibicionistas discretos." Mario Vargas Llosa