A escola portuguesa não tem comparação com a finlandesa, mas também não podia ter. A cultura é outra, os pais são diferentes e os alunos também.
Em Portugal, quando o aluno aprende bem, é porque "o meu filho é muito esperto"; quando aprende mal, é porque "o professor é um estúpido e um incompetente". Como pode haver autoridade, se os pais vão à escola e ameaçam partir tudo, se o professor ralhar com o menino, lhe der má nota no teste ou o puser de castigo? Como pode a escola educar crianças, cujos pais já desistiram de as educar? Como ensinar crianças, cujo único objectivo na vida é vadiar ou jogar na consola (conforme o estatuto social)?
Para cúmulo disto tudo, como se pode trabalhar com empenho, quando o patrão (Ministério da Educação) acha que a classe dos professores é uma cambada de lambàµes, que só querem boa vida e precisam de ser metidos na ordem? Isto, depois dos professores trabalharem sistematicamente muitas horas extraordinárias gratuitas em sua casa a preparar lições e ver testes, utilizando os seus próprios computadores, impressoras, papel e outros consumíveis.
Em minha opinião, o Governo só teria legitimidade para impor controlo de produção aos professores se lhes desse condições para tal, como qualquer patrão: sete horas diárias no local de trabalho, findas as quais arrumava os papéis e vinha descansado para casa. Daria 4 ou 5 horas de aulas e, no restante tempo, ocupava uma secretária com computador numa sala de trabalho, onde prepararia lições, veria testes, etc. No fim do horário, estava livre para viver a sua vida. O tempo não chegaria? É a prova de que os professores trabalham demasiado, desgastam a sua saúde e são incompreendidos.