Bem gostei tanto desta temática que já estou a escrever a continuação do que postei na 1ª página.
Deixo aqui mais um pedaço, é de outro capítulo.
Peguei na adaga e fiz um corte no braço direito, deixando o sangue jorrar. Mergulhei a ponta da pena do arcanjo Gabriel nele e comecei a escrever no outro braço.
– A rapariga não sabe nada.
A minha pele absorveu o sangue que usava como tinta e, segundos depois, uma resposta apareceu no seu lugar.
– Tens a certeza?
Irritava-me que duvidassem das minhas capacidades. Se não tinha encontrado nada é porque não havia nada para encontrar. Voltei a carregar a pena de sangue.
– Sou O Invencível – Sublinhei a palavra Invencível para reforçar o seu significado.
– Disseste-me que a memória dela era intocável. Sendo assim, como podes estar tão certo disso? – voltou a insistir, deixando-me cada vez mais irritado.
– Todas as muralhas têm brechas, só temos de as conseguir localizar – disse. Não revelei como tinha conseguido e ele também não perguntou. Optei por ocultar-lhe o episódio das lágrimas porque, no fundo de mim, sentia que tinha feito algo que extravasava a posição de um Nefilim. Não me interpretem mal, qualquer Nefilim teria bebido as lágrimas da rapariga se isso o ajudasse a cumprir a sua missão. Mas eu não me limitei a bebê-las, como conclui mais tarde.
Senti uma agulha a rasgar a minha pele, deixando um rasto de sangue. Voltei a olhar o braço.
– Já sabes o que tens de fazer.
– Tenho de acabar com a… – Deixei a pena pousada no braço, enquanto pensava no que estava a escrever. Não me apetecia matá-la, mas tinha de o fazer. Eu era um Nefilim. Quando retomei a escrita, tinha uma poça de sangue onde devia de estar a palavra rapariga. A mensagem seguiu sem me dar tempo de corrigir aquele incidente e a resposta não tardou a chegar.
– Há alguma coisa que me queiras dizer?
– Não – escrevi.
– Muito bem. Aguardo o teu próximo contacto.
Estaquei o sangue do corte que me servia de tinteiro e, antes de puxar a manga da camisola para baixo, reparei nas inúmeras cicatrizes que tinha no braço. Já tinha prestado inúmeros serviços e tinha-me saído bem em todos eles. Porém, ao invés de sentir orgulho, sentia-me preso à minha condição de predador.