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TÓPICO: Me Chame Pelo Seu Nome

Me Chame Pelo Seu Nome há 1 mês 1 semana #87716

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Leia trecho de “Me Chame Pelo Seu Nome” por Aciman André em bit.ly/2JuH1w3


PARTE 1

Se não depois, quando?

“Até depois!”

As palavras, a voz, a atitude.

Eu nunca tinha ouvido alguém dizer “até depois” para se despedir. Parecia brusco, seco, desdenhoso, pronunciado com a indiferença velada de uma pessoa que talvez não se importe se vai revê-lo ou saber de você novamente.

É a primeira lembrança que tenho dele, e parece que ainda hoje consigo ouvi-lo. “Até depois!”

Fecho os olhos, pronuncio as palavras e estou de volta à Itália, tantos anos atrás, descendo a entrada arborizada, observando-o sair do táxi com uma camisa azul esvoaçante, o colarinho bem aberto, óculos escuros, chapéu de palha, muita pele à mostra. De repente ele está apertando minha mão, me entregando sua mochila, tirando a bagagem do porta-malas do táxi, perguntando se meu pai está em casa.

Poderia ter começado bem ali, naquele momento: a camisa, as mangas arregaçadas, os calcanhares escapando das alpargatas desgastadas, ansiosos para tocar o caminho de cascalho quente que levava à nossa casa, cada passo como se já perguntasse: Para onde fica a praia?

O hóspede da vez. Mais um chato.

Então, quase sem pensar, e já de costas para o carro, ele acena com a mão livre e solta um Até depois! desatento para o outro passageiro, com quem provavelmente dividiu a corrida ao sair da estação. Sem dizer seu nome, sem fazer uma gracinha que suavizasse o incômodo da parada, nada. A despedida típica dele: rápida, ousada e direta — pode escolher o adjetivo, para ele tanto faz.

Pode esperar, pensei, é exatamente assim que ele vai se despedir de nós quando for embora. Com um Até depois! abrupto e despreocupado.

Até lá, nós teríamos que suportá-lo durante seis longas semanas.

Fiquei totalmente intimidado. Ele era do tipo inacessível.

Talvez eu fosse gostar dele. Do queixo aos calcanhares. Então, em alguns dias, aprenderia a odiá-lo. O mesmo homem cuja foto no formulário de inscrição havia se destacado meses antes com promessas de afinidade imediata...
Última Edição: há 1 mês 1 semana por trechos.org.
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“Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo.”
Hermann Hesse