O Pássaro dos Segredos

Autor: João Morgado
Edição: Abr/2014
Páginas: 44
ISBN: 9789899841628
Editora: Kreamus

 

 


«O pássaro dos Segredos»
é um conto ilustrado que relata uma história de ternura e intimidade entre pai e filho, confidentes da vida, num cenário antes do “25 de Abril” em que as “paredes tinha ouvidos” e era preciso guardar segredos.
Uma criança a olhar ingenuamente para a revolução e a segurar a antena para ouvir na rádio o povo que nas ruas já gritava “liberdade”…

A obra tem o prefácio de Martins Guerreiro, um “capitão de Abril”, que disse ter sentido “uma forte emoção” ao ler este conto da celebração de Abril e da Liberdade.
O poeta Joaquim Pessoa também assina o prefácio dizendo que todo o conto é em si mesmo “um longo poema”, um hino ao amor e à liberdade.

Excertos:
“Eu achava meu pai enorme, imenso. A porta de casa era pequena para um homem tão grande, dizia eu. Por isso, acreditava que ele entrava pela janela – não que fosse maior que a porta, mas, se pela janela entrava o céu, também podia entrar meu pai; para mim ele tinha a grandeza do céu imenso em claros dias de Verão.”

“Tinha por meus pais uma admiração imensa, um imenso amor. Amor é tudo o que ainda não foi dito e tudo o que nunca será dito, porque o amor não se diz. De todos os modos, por aquele tempo, eu era apenas um pássaro pequeno, se o amor se dissesse, eu não o saberia dizer – sabia apenas retribuir abraços quentes…”

“E eu, com toda a força, a apertar o fio da antena na ponta dos dedos pequenos sempre que falhava a emissão, sempre que se perdia o sinal, sempre que se perdiam os sons que de longe nos traziam as novidades daquilo a que meu pai chamava “a revolução!”
Ouviam-se músicas pelo meio e de novo voltavam as palavras e as ruas cheias de gente e o grito de um povo que estava com o MFA. Com os soldados – explicava meu pai -, com aqueles que tinham prendido os homens que já não mandavam no país.
“Agora já não precisamos de ter segredos, pois não?”, perguntava eu. “Não. Agora podemos falar de tudo, acho que podemos falar de tudo…”, respondeu-me com um sorriso. Quando nos recolhemos no ninho, eu, pássaro pequeno, por dentro dos cobertores, enroscado no pássaro grande, adormeci a ouvir explicações sobre a palavra Liberdade.”

Deste autor no Segredo dos Livros:
Vera Cruz

Autor – João Morgado

Autor:

João Morgado nasceu em 1965, em Aldeia do Carvalho, Covilhã.
É formado em Comunicação pela Universidade da Beira Interior, tem um mestrado em Estudos Europeus na Universidade de Salamanca, Espanha e uma pós-graduação em Marketing Político pela Universidade Independente/Universidade de Madrid. Trabalhou como jornalista e, para além da imprensa regional, escreveu no diário Público e semanário Sol. Consultor de comunicação nos meios empresariais e políticos, é atualmente Chefe de Gabinete do Presidente da Câmara de Belmonte – Terra de Pedro Álvares Cabral.
Na literatura, afirmou-se com dois romances: Diário dos Infiéis (2010) e Diário dos Imperfeitos (2012), posteriormente adaptadas ao teatro pela ASTA – Associação de Teatro e outras Artes. É também autor dos livros Meio-rico, contos (2011), O Pássaro dos Segredos, conto ilustrado (2014) e Para Ti, poesia (2014), entre outros.
Conquistou o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2012 com Diário dos Imperfeitos, o Prémio Literário António Alçada Baptista 2014, com Gama – O Herói Imperfeito e o Prémio Literário Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’Escritas 2014, com O Céu e o Mar.

Saiba mais em www.joaomorgado.net e siga a atividade do autor na sua página no Facebook

Veja e ouça aqui a leitura de um excerto:

1 comentários
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Comentários

  • Sebastião Barata

    Dezembro 21, 2015 às 23:47
    Responder

    Este livrinho, escrito para crianças, foi editado no dia 25 de abril de 2014, como homenagem do autor aos heróis de abril, no 40º aniversário da "revolução dos cravos", embora só agora me tenha chegado às mãos. Mas é também uma homenagem aos resistentes do tempo da ditadura que eram forçados a lutar na clandestinidade, porque "as paredes tinham ouvidos".Vivi muitos anos na Covilhã, com início em janeiro de 1972. Vivi, portanto, um pouco do ambiente que se vivia naquela que era, na altura, uma das cidades com maior e mais explorado proletariado deste país, os operários da indústria de […] Ler Mais...Este livrinho, escrito para crianças, foi editado no dia 25 de abril de 2014, como homenagem do autor aos heróis de abril, no 40º aniversário da "revolução dos cravos", embora só agora me tenha chegado às mãos. Mas é também uma homenagem aos resistentes do tempo da ditadura que eram forçados a lutar na clandestinidade, porque "as paredes tinham ouvidos".Vivi muitos anos na Covilhã, com início em janeiro de 1972. Vivi, portanto, um pouco do ambiente que se vivia naquela que era, na altura, uma das cidades com maior e mais explorado proletariado deste país, os operários da indústria de lanifícios. E vivi ali o meu 25 de abril, o dia em que o País acordou e descobriu que o ditador e o seu "burro velho" foram presos. "Agora já não precisamos de ter segredos, pois não?", perguntava a criança ao pai. E foi mesmo assim o dia da liberdade na Covilhã e nas aldeias em redor, que o autor nunca cita, mas que eu vi em cada linha do livro.Esta é uma obra dita infantil, mas comovente para todas as idades, escrita nunca linguagem poética e que fica como um marco dos 40 anos de liberdade em Portugal. Vale a pena ler e recordar, para que não volte a acontecer esse tempo de miséria, de medo e de isolamento. Read Less

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