Bolota

 

 

Subtítulo: Poemas e meditações
Autora: Yoko Ono
Edição: Set/2014
Páginas: 216
ISBN: 9789896872212
Editora: Pergaminho

 

 


Faz quase cinquenta anos que Grapefruit, o meu livro de instruções conceptuais, foi publicado.
Há uns anos, peguei no ponto onde tinha ficado e escrevi o Bolota para um evento de um site.
Agora, vejo-o ser publicado em forma de livro. É como se estivesse a viajar numa máquina do tempo que me transportasse para a forma antiga de fazer as coisas! Ótimo!

Acrescentei-lhe os meus desenhos ponteados, para vos dar um pouco mais em que pensar.
Estou apenas a plantar as sementes. Divirtam-se.

Autora:

Yoko Ono é uma artista e ativista política, conhecida pelo seu trabalho artístico avant-garde, a sua música, e a realização de filmes. Considerada louca por uns e vanguardista por outros, o certo é que as suas obras, tanto musicais quanto plásticas e conceptuais, são caracterizadas pela provocação, introspecção e pacifismo.
Entre os seus livros anteriores contam-se Grapefruit e An Invisible Flower.
Yoko Ono nasceu em Tóquio em 1933 e é viúva de John Lennon, com quem casou em 1969. Vive em Nova Iorque desde 1952.

Comentários  

 
#1 João Teixeira 2014-10-03 14:30
Este livro lê-se de uma assentada, dado o diminuto tamanho dos seus textos! Mas é uma pena que o livro seja tão pequeno, pois estas meditações zen de Yoko Ono até são muito interessantes. Nota-se uma certa preocupação com a natureza («A Terra é como um amigo que tens maltratado e ignorado. Pede-lhe perdão. Diz à Terra o quanto te preocupas com ela. Diz à Terra quão bela é. Diz à Terra que a amas.») e o lugar do ser humano no mundo e da sua relação com o(s) outro(s).

No entanto, dá para perceber, até pela explicação da própria Yoko Ono, que o que temos em mão não é, na sua origem, material escrito para um livro, mas sim para um blog, ou algo parecido, e isso explica a pequena dimensão do livro. Isso explica também a interactividade implícita que Yoko Ono pretende de quem a lê, sendo que em todos os pequenos textos é utilizado o Imperativo e através das interpelações directas de quem escreveu a quem a lê, tais como: «Conta uma história que te tenha ajudado a sobreviver» ou «Fala da tua desculpa para estares onde estás na tua vida».

Dada a pequena dimensão do livro, penso que o editor deveria ter feito uma edição bilingue para que, dessa forma, tivéssemos igualmente acesso ao texto inglês no original.

De ressaltar ainda os desenhos "ponteados" da autoria de Yoko Ono que são uma mais valia para o livro. Ainda que sejam abstractos ao ponto de não conseguirmos encontrar ligação com os textos que os acompanham, não deixam de ser muito bonitos e interessantes de apreciar.

Aqui ficam dois dos textos de que mais gostei:

«A PARTE DO CÉU V

Outono

Imagina-te a correr num campo de trigo
o mais rápido que consigas.
Imagina o teu amigo a correr para ti
o mais depressa possível.

Imagina a cor do céu.
Se estiver nublado,
repara se há manchas de azul.
Se estiver limpo,
repara se há nuvens.
Se estiver tempestade,
procura trovões e relâmpagos.
Se estiver a nevar,
despe o casaco
para o pores nas costas do teu amigo.»


«A PARTE DA LIMPEZA II

Faz uma lista numerada das tristezas na tua vida.
Empilha pedras correspondentes a esses números.
Acrescenta uma pedra de cada vez que te sintas triste.
Queima a lista e aprecia a beleza do monte de pedras.

Faz uma lista numerada das alegrias na tua vida.
Empilha pedras correspondentes a esses números.
Acrescenta uma pedra de cada vez que te sintas feliz.
Compara esse monte de pedras com o da tristeza.»

Um livro que vale a pena ter na prateleira lá de casa e abrir de vez em quando ao acaso, para sermos surpreendidos de cada vez que o fazemos com estes pequenos textos poéticos.

8 em 10 estrelas
 

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