Como Sentimos

 

 

Subtítulo: O que a Neurociência nos pode – ou não – dizer sobre as nossas emoções
Autor: Giovanni Frazzetto
Edição: set/2014
Páginas: 350
ISBN: 9789722526340
Editora: Bertrand Editora

 

 


O que pode um exame ao cérebro ou a nossa reação a uma pintura de Caravaggio revelar sobre um profundo sentimento de culpa?
Como pode a leitura de Heidegger ou a realização de experiências em ratos ajudar-nos a lidar com a ansiedade provocada pela crise económica mundial?
Podem remédios antigos combater a tristeza com mais eficácia do que antidepressivos?
O que pode a neurociência dizer-nos sobre o processo de sentirmos empatia ou de nos apaixonarmos por um ator em palco?

O que pode a poesia dizer-nos sobre o funcionamento da alegria?
E de que modo pode uma síndrome neurológica bizarra ou um soneto de Shakespeare explicar o amor e intimidade?
Vivemos numa época em que a neurociência continua a desvendar os segredos das nossas emoções. Mas é a ciência suficiente para explicar-nos por que sentimos o que sentimos?
Giovanni Frazzetto leva-nos numa viagem através da nossa vida quotidiana e das emoções mais comuns. Em cada capítulo, o conhecimento científico mistura-se com a experiência pessoal, oferecendo-nos uma perspetiva única do contraste contínuo entre a racionalidade e os sentimentos, a ciência e a poesia, e como, enfrentando esse contraste, poderemos compreender-nos melhor e ao modo como nos sentimos.

Autor:

Giovanni Frazzetto é neurocientista, um dos fundadores da European Neuroscience & Society Network e o criador do projeto transdisciplinar Neuroschools, pelo qual ganhou o Prémio John Kendrew para Jovem Cientista, em 2008.

Saiba mais em giovannifrazzetto.com

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2014-10-15 17:39
Aqui está um livro muito interessante! Embora seja de divulgação científica, escrito por um investigador em neurociência, lê-se com muito agrado, porque foi escrito para leitores comuns e não é, como tenho visto muitos, uma adaptação de teses de mestrado ou doutoramento.

O autor socorre-se de casos concretos da vida, muitos deles da sua própria experiência, para nos falar das emoções e do que a ciência nos tem a dizer sobre elas. Centrando-se nas sete grandes emoções que comandam a vida do ser humano (e dos outros animais também), vai explicando em que consiste cada uma delas e como não devemos confundir emoções com sentimentos. As emoções são instintivas, automáticas e incontroláveis; os sentimentos são manifestações racionais e exteriores das emoções e, esses sim, podemos reprimir, disfarçar ou, pelo contrário, extravazar e exaltar. Em outros tantos capítulos, são analisadas sete emoções: raiva, culpa, ansiedade, luto, empatia, alegria e amor. As quatro primeiras são despoletadas por situações desagradáveis e as três restantes por momentos de felicidade.

Volto a repetir que a leitura é agradável. Só se torna um pouco mais fastidiosa quando o autor entra da parte mais científica de cada capítulo, ou seja, quando explica as zonas do cérebro onde são disparadas as emoções e descreve os estudos que têm sido feitos sobre a matéria. Mas mesmo estas descrições não são totalmente intragáveis, pois são feitas de uma forma breve e numa linguagem para leigos na matéria.

Gostei de ler que a ciência não explica tudo, pois cada ser humano é único e reage de forma diferente perante os mesmos estímulos. Todos reagimos de maneira diferente perante, por exemplo, uma situação de luto, seja por morte de um ente querido, seja pelo fim de uma relação, ou até por ter perdido o emprego. Para uns é uma situação irreparável que até pode levar ao suicídio, enquanto para outros é uma oportunidade para mudar de vida, uma janela que se abre para seguir em frente. O mesmo se pode dizer das outras emoções. Veja-se o caso da alegria: qualquer pequena vitória gera uma felicidade imensa para alguns, enquanto, para outros, o êxito é pouco valorizado, por maior que seja.

Em resumo: a neurociênca ajuda a compreender as nossas emoções, a desenvolver novas terapias médicas para as enfrentar, mas vai haver sempre um grande espaço para a filosofia, a psicologia, a religião, a família, os amigos... Na realidade, temos a nossa herança genética, mas também a educação que nos dada na infância e todas as ocorrências que, ao longo, da vida vão moldando as nossas emoções e condicionam a resposta que damos às situações que a vida do dia a dia nos apresenta.

Gostei e aconselho a quem gosta de conhecer a razão das coisas, a quem se interessa por temas científicos, a quem se quer conhecer melhor a si e aos que o rodeiam.
 

Tem de iniciar sessão para submeter o seu comentário.

Últimas Opiniões

  • 25 de Abril, Corte e Costura
    Este livro é exatamente o que eu esperava dele: uma sucessão de quadros em que se ridiculariza a ...
  • 28.04.2019 21:03
  • A Aluna Americana
    Este é o mais recente romance de João Pedro Marques, autor de, entre outros, "Uma Fazenda em África" ...
  • 25.04.2019 20:42
  • O Último Cabalista de Lisboa
    Consegui, finalmente, ler este livro que foi o primeiro romance de Richard Zimler. Publicado em 1996 ...
  • 07.04.2019 23:56

Últimos Tópicos

Uma Pequena Palavra...

“Há livros facilmente consumíveis e que dão um conforto simples às pessoas. Não é o meu negócio.”
Salman Rushdie