O Dia da Liberdade: 25 de abril de 1974

 

 

Coordenador: Pedro Lauret
Edição: Abr/2015
Páginas: 272
ISBN: 9789899937741
Editora: Verso da História

 

 

Pelas 22h55 do dia 24 de abril os Emissores Associados de Lisboa transmitem E Depois do Adeus, de Paulo de Carvalho. Às 0h20 a Rádio Renascença coloca no ar Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso. Estão, assim, lançadas as senhas que dão a ordem de marcha a todas as unidades do Movimento das Forças Armadas. Às 3h a maioria das unidades já está na estrada e pouco depois, às 4h30, os principais objetivos são tomados e é difundido o primeiro comunicado do Posto de Comando do MFA pelos emissores do Rádio Clube Português.

Pelas 12h30 do dia 25 de abril chega ao Largo do Carmo a coluna da Escola Prática de Cavalaria de Santarém para cercar o quartel da GNR, onde se encontra refugiado Marcelo Caetano. A partir do início da tarde, torna-se claro para os responsáveis do regime que a queda é inevitável. Por volta das 18h, Spínola recebe a rendição do Presidente do Conselho. E o povo sai à rua para festejar. É o Dia da Liberdade!

Autor:

Pedro Manuel Cunha Lauret de Saldanha e Albuquerque nasceu em Lisboa a 23 de janeiro de 1949 e fez os estudos secundários no Liceu Camões, em Lisboa, onde foi dirigente da Ação Católica e participou nas movimentações estudantis. Frequentou a Escola Naval, onde concluiu o curso de Marinha. É um dos fundadores, em 1970, de uma organização politica clandestina de Oficiais da Armada de oposição ao Estado Novo. A partir de 1971, faz uma comissão na Guiné, como oficial imediato da Lancha de Fiscalização Orion. Em outubro de 1973, já na Metrópole, efetua, com outros oficiais, a ligação ao Movimento dos Capitães e faz parte da comissão que redigiu o Programa do Movimento das Forças Armadas e outros importantes documentos. Após o 25 de Abril,  faz parte da Comissão Coordenadora do MFA Armada e da Assembleia do MFA Nacional. Em 1981, frequenta e termina uma pós graduação em Estratégia e Organização no Instituto Superior Naval de Guerra. Depois de passar à reforma em 1986 com o posto de capitão-de-mar-e-guerra, inicia atividade empresarial no âmbito da engenharia e consultoria informática. É membro fundador da Associação 25 de Abril e integra atualmente a sua Direção. Coordenou a obra Os Anos de Abril, coleção de oito volumes editada em 2014. Atualmente, dirige um projeto de investigação histórica designado «Marinha: do fim da Segunda Guerra Mundial ao 25 de Abril de 1974». É Grande Oficial da Ordem da Liberdade.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2015-06-19 22:09
Este livro é um importante documento sobre o 25 de abril de 1974 escrito pelos próprios intervenientes na chamada Revolução dos Cravos. Por aqui se pode ver como o regime ditatorial estava podre e bastou uma ação bem concertada para o derrubar como baralho de cartas, sem disparar um tiro.
É especialmente aconselhado aos mais novos que não viveram o 25 de abril e não têm noção de como era a vida em Portugal antes da revolução. Mas é aconselhado também para os mais velhos que já esqueceram os acontecimentos daqueles dias e meses que devolveram a liberdade ao povo português.
Apresenta os testemunhos de militares que viveram os acontecimentos na primeira pessoa, como Salgueiro Maia, Otelo Saraiva de Carvalho, António de Spínola, Pedro Lauret e Vasco Lourenço (prefácio); também contém artigos escritos personalidades civis que viveram os acontecimentos ou são estudiosas do tema, como Fernando Rosas, Maria Inácia Rezola, António Reis e Medeiros Ferreira.
Além dos diversos artigos, apresenta uma cronologia dos acontecimentos ocorridos nos anos de 1974 a 1976, desde os preparativos da revolução e o seu desenvolvimento , até à eleição de Ramalho Eanes como primeiro presidente eleito em sufrágio direto, passando pelas tentativas de golpe das várias forças em confronto que culminaram no 25 de novembro, a eleição da Assembleia Constituinte, a aprovação da Constituição, as 1ªs eleições democráticas e a tomada de posse do 1º governo constitucional, liderado por Mário Soares.
Esta cronologia é pormenorizada ao minuto nos dias 24 a 26 de abril, com a evolução dos acontecimentos e o papel desempenhado pelos diversos intervenientes, que culminaram na destituição de Marcelo Caetano, a entrada em funções da Junta de Salvação Nacional e a festa popular nas ruas de Lisboa.

Como já disse, este livro vale sobretudo como memória da revolução, feita pelos membros do MFA que tornam tudo possível e pela sua continuadora a Associação 25 de Abril. É também uma importante recolha de fotografias e reprodução de documentos e publicações da época.
Como obra coletiva composta por testemunhos avulsos de muitas pessoas, são inevitáveis as repetições que, por vezes, tornam a leitura fastidiosa. No entanto, foi feito um bom trabalho de recolha e coordenação do capitão-de-mar- e-guerra Pedro Lauret que transformou esta obra num documento para memória de uma geração de militares que a história não pode esquecer.
 

Tem de iniciar sessão para submeter o seu comentário.

Últimas Opiniões

  • Hugo Chávez, o colapso da Venezuela
    Gosto de estar bem informado e não fazer juízos sem conhecimento de causa. O governo da Venezuela tem ...
  • 02.09.2019 14:09
  • Autobiografia
    "Autobiografia" , o novo romance de José Luís Peixoto, é o 3º livro que leio deste autor. Os anteriores ...
  • 18.08.2019 17:41
  • A Dama do Quimono Branco
    Com este volume, termina a saga do Samurai Negro, constituída por uma trilogia de romances históricos ...
  • 29.07.2019 17:54

Últimos Tópicos

Uma Pequena Palavra...

"Quando lemos, conseguimos viajar para muitos lugares, encontrar muitas pessoas e conhecer o mundo. Também podemos aprender a lidar com os problemas que tenhamos, instruindo-nos com as lições do passado."
Nelson Mandela