Alma Azul – Uma vida dedicada à Poesia

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Pelo que temos observado ao longo dos 11 anos de dedicação a este projeto de divulgação literária e promoção da leitura, que é o Segredo dos Livros, Portugal tem, resumidamente, três tipos de editoras: 1) as grandes editoras que todos conhecem e têm sede na zona de Lisboa ou do Porto; 2) um leque de editoras mais pequenas que, embora sedeadas nos grandes centros, procuram imitar as grandes e aspiram a ser grandes; 3) depois, há uma infinidade de pequenas editoras, fundadas e dirigidas por “carolas” que prezam mais a edição do que o dinheiro e fazem da profissão uma paixão. É neste 3º lote que encontramos a Alma Azul.

A Alma Azul foi criada, em Coimbra, no ano de 1999, por Elsa Ligeiro. É uma produtora de atividades culturais que tem na edição (revistas e livros) oitenta por cento do seu trabalho.
Tem editado parte da obra de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Eça de Queirós, Raul Brandão e Machado de Assis, entre muitos outros autores de Língua Portuguesa, mas também Antologias de poetas brasileiros e espanhóis, resultado de dois Encontros realizados nas cidades de Coimbra e Castelo Branco.

Utiliza grande parte das obras que edita como suporte das suas atividades de promoção e divulgação da Leitura em Bibliotecas Municipais, Centro Culturais e outros espaços públicos.

Coleção Literatura Portátil

O grande projeto da Alma Azul é tornar a leitura um ato quotidiano e acessível ao maior número de portugueses. Criou para o efeito uma coleção de grande sucesso – Literatura Portátil – da qual já editou 57 títulos que, mais do que uma edição de bolso, propõe múltiplos e diversificados conteúdos literários, como o conto, a antologia de poesia e a crónica de viagem. Estes livros, com um preço acessível, reduzidos no formato e muito acessíveis, pretendem ser um bom encontro literário para jovens ou para pessoas sem hábitos de leitura.

Tendo como matriz a Literatura, a Alma Azul procura um diálogo com outras artes, como o Cinema, o Teatro e a Fotografia.

Prémio Ciranda

A Alma Azul instituiu em 2008 o Prémio Ciranda para destacar o livro editado em Portugal no ano anterior que, pela sua qualidade e importância, conquistasse um lugar permanente nas atividades desenvolvidas pela Alma Azul. O mais interessante é que o prémio que os autores recebem é em géneros, mais concretamente em produtos regionais da Beira Baixa, como o azeite, vinhos, compotas, queijos, biscoitos, entre outros produtos, todos aconchegados, precisamente, dentro de uma ciranda, associando assim o ofício da escrita a atividades da Região.

O vencedor da 1ª edição foi Jaime Rocha, com o livro Anotação do Mal, da Sextante Editora. Em 2009 o vencedor foi Rui Zink, com o livro O Destino Turístico, da Teorema. Dulce Maria Cardoso, com o livro O Chão dos Pardais, da ASA, ganhou o Prémio Ciranda, em 2010. Em 2012, a vencedora foi Teolinda Gersão com o livro A Cidade de Ulisses, da Sextante. Rui Nunes venceu em 2013 com Barro, da Relógio d’Água, e, em 2014, Pedro Eiras, escritor e professor da Universidade do Porto, com A Cura, da Quid Novi. Em 2015, premiou o livro A Máquina do Mundo, de Paulo José Miranda, da Abysmo.

A editora anunciou que, em 2018, para assinalar os 10 anos da sua criação, o Prémio Ciranda voltará a ter uma regularidade anual e trará algumas inovações, ente elas estender o prémio a livros de poesia.

Outras iniciativas

A Alma Azul realiza desde 2009 o Festival de Língua Portuguesa – A LÍNGUA TODA – dedicado à diversidade cultural dos países que se expressam em português.

Criou ainda, em 2009, o projeto EM NOME DA BEIRA dedicado à Identidade cultural das Beiras.

Porque acredita na economia solidária, a Alma Azul criou de raiz uma Biblioteca na aldeia de Tinalhas, concelho de Castelo Branco, em setembro de 2008. O projeto teve como suporte económico as antologias “Mil Razões Para Ler Um Livro” que a Alma Azul promoveu, juntamente com a divulgação de novos autores, através de “Uma Boa Razão Para Escrever Um Livro”.

A Alma Azul dinamiza por todo o país sessões sobre autores como: Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Mário Cesariny, Sophia de Mello Breyner Andresen, Camilo Pessanha, Vergílio Ferreira, Miguel Torga, entre outros. A próxima iniciativa será a Leitura Integral de Clepsidra, de Camilo Pessanha, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, no próximo dia 7 de setembro, quinta-feira, às 17 horas.

Em 2016, criou as Residências de Escrita Alma Azul » As Mãos no Fogo, para revelar novos autores e para funcionar como uma Academia Literária, de ensino livre. Em agosto de 2017, apresentou a primeira antologia As Mãos no Fogo, com 3 autores que frequentaram as residências: Marta Dutra, Fátima Mateus Ramos e António Fontinhas.

Breve biografia da dinamizadora

Elsa Ligeiro nasceu em 1962 em Alcains, concelho de Castelo Branco. Foi jornalista no Jornal do Fundão, que também é editora, onde começou a tomar contacto e a apaixonar-se pela feitura do livro.
Decidiu então investir o seu tempo na cultura, na poesia, e fundou em Coimbra a livraria e editora A Mar Arte em 1993 que se dedicava ao lançamento de novos poetas, mas tinha também uma componente de promoção cultural. Publicou, no total, 87 obras, na sua maioria de poesia, entre as quais os dois primeiros livros de Valter Hugo Mãe. O projeto foi suspenso em 1999, por falta de rentabilidade, porque infelizmente a poesia não vende o suficiente para ser rentável.
Em outubro de 1999, fundou a Alma Azul que, além de editora, é produtora de atividades culturais, com o objetivo de lançar novos livros para o mercado, mas também promover a cultura. O primeiro livro editado pela Alma Azul foi o Manifesto do Imaginário, de José Pires e o mais recente As Mãos no Fogo, uma antologia de contos de Marta Dutra, Fátima Mateus Ramos e António Fontinhas.
Dentro da sua atividade cultural, a Alma Azul faz animação em bibliotecas municipais e outros locais, promovendo a poesia portuguesa de autores como Álvaro de Campos, Mário Sá Carneiro, Al Berto, Eugénio de Andrade ou Sophia Mello Breyner.
Falar de Elsa Ligeiro é sinónimo de falar de Alma Azul, porque, mais do que profissão, é a concretização do seu sonho de vida.

Aconselhamos vivamente a visualização deste vídeo, realizado há um ano, por alturas do 17º aniversário da Alma Azul:

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“Dos muitos universos que o homem não recebeu em dom da natureza mas que forjou para si próprio, extraindo-os do seu espírito, o universo dos livros é o mais vasto.”
Hermann Hesse in Uma Biblioteca da Literatura Universal