Bob Dylan vence Prémio Nobel 2016

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Acaba de ser nomeado o vencedor do Prémio Nobel de Literatura de 2016. O seu nome é Bob Dylan. Mais uma vez o juri surpreendeu tudo e todos. Era, de facto, um dos nomes mais falados, mas julgado o mais improvável entre os grandes.

Bob Dylan é um cantor e compositor norte-americano de folk. Um dos ícones da contracultura. É considerado um dos maiores compositores do século XX. Nome artístico de Robert Allen Zimmerman, nasceu em Duluth, Minnesota, Estados Unidos, no dia 24 de maio de 1941. Neto de imigrantes russos e judeus, na infância aprendeu a tocar harmónica e guitarra influenciado pelas músicas de Hank Willians, cantor folk americano. Também gostava de ouvir Little Richard. Dylan influenciou artistas e bandas importantes como Rolling Stones e Beatles. A canção Like a Rolling Stone foi considerada pela revista Rolling Stone como a melhor do século XX.

Há muitos anos que não havia tanta controvérsia à volta da atribuição do Prémio Nobel de Literatura do que neste ano de 2016. Será que se vai esgotar com a proclamação do vencedor agora feita?

O vencedor devia ter sido anunciado há uma semana, uma vez que é tradicional ser anunciado na quinta-feira da semana em que são anunciados os premiados nas restantes categorias. Então, porque não foi seguida a tradição neste ano? A Organização afirma ter sido uma questão de oportunidade. As reuniões do juri terão começado uma semana mais tarde, o que motivou a impossibilidade de concluir os trabalhos na data prevista. Recorde-se que o juri tem de reunir pelo menos quatro vezes para discutir os nomes nomeados e só no final tomar uma decisão. Dificuldades de agenda de alguns membros do juro terão impossibilitado a realização dessas reuniões em tempo útil.

Mas a comunicação social especulou sobre as verdadeiras razões do atraso. Houve quem dissesse que não havia consenso entre os 18 membros do juri e teria a ver com a hipótese de o autor premiado poder ser “especialmente controverso”. Outra hipótese seria a de que o júri estaria a refletir sobre o continente de origem ou o sexo do vencedor, uma vez que tem havido discussões acerca da preferência histórica da Academia por autores masculinos de países ocidentais.
Ainda ontem as más línguas insinuavam que a responsável pelo adiamento seria a nova secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, que decidiu alterar as regras do jogo tradicional em que os respeitáveis membros do júri se reviam tão bem e criou um conflito dentro da Academia ao serem obrigados a apontar um nome relacionado com causas em vez do valor da obra.

No início, foi indicado simplesmente que o anúncio tinha sido adiado, não se sabendo a data em que seria feito. Mais tarde, foi fixada esta data de 13 de outubro, exatamente uma semana depois da data prevista. Mas este anúncio não acabou com a especulação e as parangonas dos jornais. Surgiram os mais variados prognósticos e cada um defendia os candidatos que mais lhe convinha. Portugal torcia para que fosse António Lobo Antunes, um dos nomeados e bem colocado nas casas de apostas, ou Mia Couto, outro nome muito falado. Nos EUA, achava-se que já é altura de ganhar outra vez um americano e propunham Philip Roth ou Don DeLillo. A solidariedade para com as vítimas da guerra na Síria levou muita gente a desejar que fosse o poeta Adonis, daquele país. Murakami era desejado por muitos admiradores e pelos países do Oriente. No Brasil, uns torciam por Paulo Coelho e outros faziam piadas e ridicularizavam a situação. As maiores casas de apostas lançavam outros nomes. Um dos nomes mais bem colocados, aliás número um na casa de apostas que mais vezes acertou até hoje, a Ladbrokes, era o queniano Ngugi wa Thiong’o.

Nas últimas horas antes do anúncio oficial, os 5 nomes mais bem colocados nos prognósticos eram o japonês Murakami, o sírio Adonis, o americano Philip Roth, o norueguês Jon Fosse e o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o. Afinal, todos os prognósticos estavam enganados!

O certo é que o juri é soberano e ganhou quem tinha de ganhar. Bem ou mal decidido, é o que se vai ver nos próximos tempos. E se quiser saber quem foram os preteridos, vai ter de esperar 50 anos, quando a Academia Nobel divulgar a lista dos finalistas deste ano.

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"Acredito que, assim como na nossa vida se vão sucedendo acontecimentos de todo o tipo, também na literatura se sucedem esses acontecimentos, que são expressão do que sentimos e pensamos: a criação é a forma que temos de colocar cá fora as nossas esperanças, as nossas certezas, dúvidas, as nossas ideias."
José Saramago in A Estátua e a Pedra