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 A propósito do lançamento do seu novo romance “O Espião de D. João II”, contactámos a autora que, amável como sempre, nos enviou o seguinte texto, no qual nos dá informações complementares à sinopse que vai constar no livro.
“O Espião de D. João II” é a história ficcionada de Pêro da Covilhã, que foi, no Séc. XV, uma mistura de James Bond e Indiana Jones, não só por ser o melhor espião de D. João II, como pela espantosa viagem que fez, em busca da rota das especiarias e do reino do Preste João, percorrendo durante cerca de seis anos, primeiro na companhia de Afonso de Paiva e depois sozinho, três continentes, conhecendo lugares e povos que nenhum branco, e menos ainda europeu, havia visto.
Este romance trata das missões de espionagem em Marrocos e, depois do seu regresso, da Grande Viagem, primeiro até ao Cairo, Mar Vermelho e Adem, nas caravanas dos mercadores e nos zambucos mouros; seguindo até à Índia, pela costa do Malabar que serve de pretexto para o encontro com o pirata Timoja (mais tarde aliado de Afonso de Albuquerque ) e para pôr o herói em situação nas antigas lutas marciais do Grande Desafio de Bisnagá, onde recebe um estranho talismã da Vidente Ida. Prossegue para a Índia com um grupo de amigos, que vai conhecendo nas suas andanças, a espiar o comércio e os costumes estranhos dos seus povos, continuando a sua missão por Goa. Vai em seguida para Ormuz, envolvendo-se em mais perigos e recebe a sua espada Lilith, prosseguindo para Sofala, no Monomotapa das Minas de Salomão, segundo as histórias do tempo. Conhece o amor da judia Rute Safarti e ajuda a salvar o futuro Monomotapa, o “Senhor das Minas”, descobrindo na fuga a cidade de Makeba ou da Rainha de Sabá, no Zimbabwe. Continua para o Cairo, ao encontro do malogrado Afonso de Paiva e quase perde a vida, partindo em peregrinação a Meca e ao Sinai e seguindo então para a Etiópia/Abissínia onde vai encontrar o Preste João, com a ajuda de uma misteriosa escrava.
Retomei o tema da saga publicada, há já alguns anos, pela Editora Livros Horizonte. Este romance está construído segundo o modelo clássico de livro de viagens e de acção, narrado no presente, um tempo verbal de maior proximidade, com uma linguagem própria de uma personagem do tempo, o guerreiro/aventureiro, muito semelhante ao discurso dos anciãos das nossas aldeias das Beiras. É propositadamente menos difícil do que os meus dois anteriores romances, portanto destinado a um leque mais abrangente de leitores, porque quis manter as características de um romance de espionagem e aventuras, de acordo com este Indiana Jones português. Todavia, sendo aparentemente mais fácil, é de todos os meus romances o que tem mais tempo e trabalho de investigação, cinco anos, se contarmos com este ano de reescrita. Tem por base todas as crónicas e itinerários escritos pelos padres, cronistas, cientistas e aventureiros do Séc. XV ao XVII, além da historiografia contemporânea, como se poderá ver na bibliografia, pois esse conhecimento que os meus leitores passam a ter das obras antigas é a mais-valia dos meus romances. Comporta todos os dados históricos conhecidos sobre esta personagem, mas é uma obra de ficção, por isso me permito a fantasia e a efabulação de pôr o herói em situações que me servem para descrever os costumes dos povos e os lugares que ele encontra.
Deana Barroqueiro |