Lançamento do livro “João na Terra do Jaze”


No passado dia 25 de Março, Quinta-feira, realizou-se uma interessante apresentação de um livro sobre um tema igualmente interessante, mas com poucos interessados, comparativamente aos lançamentos de outras obras de géneros diferentes a que temos assistido. José Duarte lançou a 2ª edição do livro João na Terra do Jaze, uma obra em que reúne 76 textos e artigos do autor sobre o mundo do jazz, publicados em várias revistas e jornais ou proferidos na rádio, entre 1958 e 1979.

João Rodrigues, editor da Sextante Editora, apresentou as pessoas presentes na mesa, com “abuso de adjectivos”, afirmou, mas todos merecidos, após o que passou a condução dos trabalhos ao autor.
José Duarte deu as boas-vindas aos presentes dizendo, com alguma graça, que não sabia quem o estava a ouvir. Homem habituado a falar através da rádio e da TV, disse nunca saber se alguém o estará realmente a ver ou a ouvir. Contou, a propósito, alguns episódios engraçados, através dos quais mostrou que, muitas vezes, nem o próprio técnico que estava do outro lado do vidro o estava a ouvir. “Coitados, não têm culpa, porque não sabem nada de Jaze…”, concluiu. José Duarte afirmou que este foi o seu primeiro livro, editado em 1981 por uma editora que já não existe e que esta edição é igual à anterior, porque não alterou nada.
Falaram, então, os convidados. Começou por usar da palavra Rúben de Carvalho, conhecido político e, pelos vistos, grande amante e conhecedor de música. Estranhou o convite, porque os seus conhecimentos de Jazz são, como hoje se diz, “na óptica do utilizador”. Lembrou o tempo do Clube Universitário de Jazz”, fundado por José Duarte nos finais da década de 50, que acabou encerrado pela PIDE. Salientou o papel que José Duarte tem desempenhado na divulgação da música de Jazz, mas também a influência que exerceu na música portuguesa em geral.
Carlos do Carmo mostrou-se surpreendido, porque “não é costume ser convidado para coisas destas”. Salientou que o mais importante que aprendeu com o Zé foi a valorizar as pessoas. Todos, como cidadãos, lhe devemos uma enorme gratidão, pela sua obra. Contou que uma coisa que aprendeu com o crítico Mário Castrim foi que ninguém se deve meter naquilo que não conhece: “Cante o fado e deixe o resto para quem sabe”. E quem sabe de Jazz é o Zé. Portugal era analfabeto em Jazz antes dele. Devemos-lhe muito pelo que nos tem dado.
Falou, finalmente, Manuel Assunção, reitor da Universidade de Aveiro que realçou o papel de José Duarte como professor daquela Universidade, onde lecciona as cadeiras de História do Jazz e Audição Musical Comentada. Destacou como de inestimável valor o acervo que José Duarte doou à Universidade, constituído por CD’s, LP’s, livros, revistas, fotos, autógrafos, recortes, cartazes, que coleccionou ao longo da vida. O Centro de Estudos de Jazz daquela Universidade é pioneiro em Portugal e já está a proporcionar mestrados e doutoramentos em Jazz, através de trabalhos baseados no estudo daquele acervo. Manuel Assunção referiu-se a João na Terra do Jaze dizendo que não é um livro de memórias, mas um livro com memórias: tem ritmo, tem swing, tem improvisação.
A sessão terminou com dois momentos de grande valor artístico. Adriana, filha de José Duarte, interpretou um Medley de temas conhecidos em flauta transversal. Para terminar, tivemos o prazer de ouvir Rao Kiao que, na sua flauta de bambu, nos deliciou com um brilhante improviso, aquilo a que ele chamou “uma gracinha”, que arrebatou um merecido e grande aplauso dos presentes.

A sessão realizou-se na nova Livraria Almedina Oriente, um espaço agradável, que não conhecia, no local de eleição que é o Parque das Nações.

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