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Lançamento do livro “O Evangelho do Enforcado”
Sexta, 26 Fevereiro 2010 22:53


Realizou-se na passada quinta-feira, dia 25 de Fevereiro, na FNAC do Colombo, em Lisboa, uma sessão de apresentação do livro O Evangelho do Enforcado, de David Soares. Trata-se de um romance com fundo histórico, que gira à volta dos Painéis de São Vicente, atribuídos ao pintor Nuno Gonçalves, mas cobertos de segredos e enigmas, que têm dado origem às mais desencontradas teorias ao longo dos séculos.

Começou por usar da palavra Luís Corte-Real da Editora Saída de Emergência, que afirmou ser um orgulho para a sua editora o lançamento de originais portugueses, apesar de ser responsável pelo lançamento em Portugal de obras traduzidas que são grandes êxitos, como, por exemplo, os livros da Nora Roberts.

Fez a apresentação do livro o Prof. Dr. Manuel Gândara, que começou por afirmar tratar-se de uma obra que se lê compulsivamente. O autor faz reflexões que levantam pistas e conduzem a novas reflexões. Quem é o ouriço-cacheiro? Nuno Gonçalves nasce estranho, torna-se uma criança hiper-activa que se transforma num adolescente parolo e acaba num adulto louco. Nuno Gonçalves é bipolar, como, aliás, todo o romance.

Diz Manuel Gândara, com uma certa ironia, que David Soares resolve neste romance dois problemas, que ninguém ainda tinha solucionado: a biografia do pintor e a origem do Tarot.

Sobre a questão do Tarot, está provado que foi inventado por um francês no século XVIII, que procurou fazer passar a “história” de que é um jogo muito antigo, com origem no antigo Egipto. Mas foi criado em Portugal no tempo de Nuno Gonçalves um baralho de cartas a que se chamou “dos Dragões”, porque tinha um dragão no Ás. Era produzido em rigoroso monopólio e exclusivamente para exportação, porque a Igreja proibia jogos de azar. Ainda hoje se joga com esse baralho em diversos países, como o Japão, a Tailândia e o Brasil.

Sobre o livro propriamente dito, disse tratar-se de um texto coerente, bem escrito, bem arquitectado. Apresenta uma bibliografia no final, mas a história do livro apresenta muitas divergências em relação às teses propostas naqueles livros.

No final, falou o autor. David Soares começou por afirmar que era muito complicado falar do livro sem desvendar nada, mas não queria retirar o interesse aos leitores. Esclareceu que é um ficcionista e, para ele, a História submete-se à história que quer construir. Por tal motivo, não tem pejo em alterar factos, se tal interessar ao desenrolar da trama do romance.

Muitas têm sido as teses apresentadas ao longo dos séculos para desvendar os segredos dos Painéis. Há quem afirme saber quem são as pessoas retratadas pelo pintor; outros procuram atribuir a cada uma um significado simbólico; por vezes, a mesma personagem terá vários significados, aliás de acordo com a simbologia da pintura medieval. Para construir o romance, baseou-se, fundamentalmente, em duas teses: a tese fernandina e a tese dos gémeos, por lhe parecerem as mais lógicas para abordar o tema, sob o ângulo mítico, já que não parecem credíveis as teorias do real. Já pensaram que há uma só pessoa repetida nos Painéis?

Procurou fazer uma obra ficcionada, mas realista, sem anacronismos, pensando como pensavam as pessoas medievais.

No final, o editor voltou a usar da palavra para realçar que, apesar de tudo o que foi dito, não estamos a falar de um ensaio, de um livro “pesado”, mas de um romance muito agradável, com uma escrita musical, cheia de enredos que vão prender o leitor.

 

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