Nobel da Literatura 2011 para Tomas Transtromer

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O Prémio Nobel da Literatura 2011 foi atribuído ao poeta sueco Tomas Tranströmer, porque «através das suas imagens translúcidas e condensadas, ele dá-nos um novo acesso à realidade», afirmou hoje a Academia Sueca, em Estocolmo.
Segundo a Academia Sueca, é «um dos poetas vivos mais traduzidos em todo o mundo (em 30 línguas)», cuja obra incide sobre «a morte, a História, a memória e a natureza».
Tranströmer, de 80 anos, começou a publicar poesia aos 23 anos e o seu primeiro livro intitulava-se «17 dikter» («17 Poemas»).
O prémio Nobel da Literatura tem o valor monetário de dez milhões de coroas suecas, cerca de 1,1 milhões de euros.

Diário Digital / Lusa

 

Tranströmer, o poeta do surreal
O poeta sueco é também psicólogo (formado pela Universidade de Estocolmo, em 1956, e clínico até 1990) e tradutor. A sua obra ocupou um lugar de destaque na literatura dos anos 1950. De acordo com a nota da Academia dos Prémios Nobel, será o mais conhecido poeta escandinavo da actualidade para os falantes de língua inglesa.
A maior parte da sua obra está escrita em verso livre, apesar de ter feito também experiências com linguagem métrica.
O seu universo literário descreve um imaginário de magia, onde o surreal é traduzido pela poesia. A sua obra está traduzida em mais de 60 línguas. Tranströmer não tem obra traduzida em português. No entanto, está representado na coletânea «21 poetas suecos», editada pela Vega, em 1981. Neste livro escreveu poemas sobre o Funchal e Lisboa.
Tomas Tranströmer nasceu em Estocolmo em 1931. Filho de um jornalista que se divorciou da mãe, professora, quando ainda era pequeno. Por ter vivido com a mãe, teve muito pouco contacto com o pai, refere a nota biográfica divulgada pela Academia do Prémio Nobel.
Na sua infância, passou muitos Verões na ilha de Runmarö, o que veio a inspirar directamente a matriz dos seus poemas.
Os interesses de Tomas Tranströmer passaram pela pintura e pela música, mas também pela arqueologia e ciências naturais em geral.
O galardoado começou cedo a escrever, tinha 13 anos e andava na escola de latim Södra. Foi influenciado pelas leituras de poesia, género que começou a apreciar.
O primeiro livro foi publicado quando tinha 23 anos («17 dikter» - «17 Poemas», 1954). Os seus poemas são construídos a partir da sua própria experiência, das percepções psicológicas e interpretações metafísicas do seu mundo.
Em 1997, a cidade operária de Vaesteraas, onde viveu 30 anos, antes de regressar a Estocolmo nos anos 1990, criou o Prémio Transtroemer.
Em 1990 Tranströmer sofreu um acidente vascular cerebral que lhe afectou a fala, deixando-o parcialmente afásico e hemiplégico.
Vive actualmente numa ilha e continuou a escrever, tendo desde então publicado três obras. Ao todo tem cerca de 15 obras numa longa carreira dedicada à escrita e venceu numerosos prémios literários, como o Prémio Literário do Conselho Nórdico, em 1990.
A primeira obra que publicou após o AVC, seis anos depois, é um livro de poemas intitulado «A Gôndola Mágoa», que vendeu 30 mil exemplares, um número incomum em matéria de poesia.
TVI24

O poeta português Valter Hugo Mãe regozijou-se hoje por o vencedor do Prémio Nobel da Literatura 2011 ser um poeta, mas lamentou que o escritor António Lobo Antunes não tenha sido o galardoado pela Academia Sueca.
Em entrevista à agência Lusa, Valter Hugo Mãe, com nove livros de poesia publicados, afirmou que o Prémio Nobel da Literatura tem sido atribuído, nos últimos anos, a uns escritores "muito menores", com uns livros "muito desinteressantes" e revelou agrado por a Academia Sueca fazer "alguma justiça" ao ter distinguido este ano um "género que é sempre mais difícil".
SIC Notícias

Poeta cantou Lisboa
No livro "21 poetas suecos", publicado em 1981 pela editora Vega, uma obra organizada por Vasco Graça Moura e Ana Hatherly, surge o poema "Lisboa", onde o poeta sueco destaca elementos típicos das zonas históricas da capital portuguesa.
Uma passagem pelo Funchal também inspirou Tomas Transtroemer, dedicando-lhe um verso onde destaca o mar, a receita atlântica do peixe com tomate e a "língua estranha".
Tomas Tranströmer é o primeiro sueco a receber o prémio desde que Eyvind Johnson e Harry Martinson o partilharam em 1974. A Academia Sueca é particularmente cuidadosa na atribuição de prémios a escritores suecos para não a poderem acusar de tendenciosa e o próprio secretário da instituição se referiu a esta na cerimónia de hoje.

RTP

Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.
"Mas aqui!", disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
"aqui estão políticos". Vi a fachada, a fachada, a fachada
e lá no cimo um homem à janela,
tinha um óculo e olhava para o mar.
Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
"será verdade ou só um sonho meu?"

Tomas Tranströmer
(tradução de Vasco Graça Moura)

Uma biografia e uma bibliografia completa de Tomas Tranströmer pode ser consultada no site da Academia Sueca. Veja aqui.

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