Outubro mês de Prémios

Está visto que Outubro é o mês dos prémios literários. Depois do Prémio Nobel de Literatura 2011, conhecido no dia 6, foi anunciado o vencedor do Prémio P.E.N. Clube no dia 10. E não se fica por aqui, porque será anunciado no dia 18 o vencedor do Prémio Leya 2011 e no dia 25 o vencedor do Prémio Literário José Saramago 2011.

Neste ano, o Prémio Nobel de Literatura foi atribuído ao poeta sueco Tomas Tranströmer, porque «através das suas imagens translúcidas e condensadas, ele dá-nos um novo acesso à realidade», conforme afirmou a Academia Sueca, em Estocolmo. O prémio Nobel da Literatura tem o valor monetário de dez milhões de coroas suecas, cerca de 1,1 milhões de euros e distingue autores vivos,  pelo conjunto da sua obra. Tem periodicidade anual e é atribuído desde 1901. O único português contemplado foi José Saramago em 1998.

O Prémio P.E.N. Clube destina-se a galardoar anualmente as melhores obras publicadas no ano anterior, em língua portuguesa e em primeira edição, nas modalidades de Poesia, Ensaio e Ficção. Neste ano, foi distinguido na categoria de primeira obra o livro “Rio Homem”, da autoria de André Gago.
André Gago nasceu em Lisboa, em1964. Estreou-se como ator profissional aos 20 anos, mas a sua actividade tem-se desdobrado em múltiplas artes: música, desenho, representação e escrita. O seu romance “Rio Homem” publicado em outubro de 2010 pela ASA, cruza duas histórias: a de um foragido da Guerra Civil de Espanha, que vem a monte para Portugal e acaba por ficar a viver aqui; e a da comunidade, muito especial, que o recebe, que tem regras muito próprias, no local de Vilarinho da Furna.

Com características únicas pela sua especificidade e valor – 100 mil Euros -, o Prémio Leya foi criado em 2008 no sentido de distinguir um romance inédito escrito em português. Até hoje foram distinguidas com o Prémio LeYa as obras O Rastro do Jaguar, do jornalista brasileiro Murilo Carvalho, em 2008, e O Olho de Hertzog, do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, em 2009. Na edição de 2010 o júri decidiu, por unanimidade, não atribuir o Prémio LeYa. O vencedor de 2011 será anunciado no próximo dia 18, em cerimónia a realizar no edifício sede da LeYa, em Alfragide (Rua Cidade de Córdova, nº2).

O Prémio Literário José Saramago, instituído pela Fundação Círculo de Leitores em homenagem à atribuição do Prémio Nobel de Literatura a este autor português em 1998, tem uma periodicidade bienal e destina-se a divulgação da cultura e do património literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita por jovens autores da lusofonia, com idade não superior a 35 anos. Os nomes dos anteriores premiados confirmam que este prémio é, muitas vezes, um marco no início da carreira de grandes escritores: Paulo José Miranda, Adriana Lisboa, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe e João Tordo. O vencedor da sétima edição será anunciado no próximo dia 25 de Outubro, pelas 18h30, no edifício sede do Grupo BertrandCírculo, em Lisboa.

Atualização:

Prémio Leya galardoa autor inédito

O romance “O teu rosto será o último“, do escritor João Ricardo Pedro, venceu o Prémio literário LeYa , no valor de 100 mil euros. No anúncio do vencedor, hoje na sede do grupo editorial Leya, o presidente do júri, Manuel Alegre, disse que este foi um dos prémios Leya mais disputados, tendo sido escolhido João Ricardo Pedro “por maioria”.
O autor, lisboeta de 38 anos, não tem obra publicada, é licenciado em Engenharia Eletrotécnica, casado, pais de dois filhos e mora em Lisboa, segundo informações biográficas disponibilizadas pelo júri.
Relativamente à obra premiada, “O teu rosto será o último“, o júri salientou a “composição delicada de histórias autónomas, que se traçam em fios secretos”, considerando que o romance, “apoiado em imagens fortes, constrói um perturbador painel do presente português”.
O júri considerou ainda que “as personagens instigantes, geradas por uma linguagem marcada pelo lirismo e pela violência do quotidiano, transitam em relatos atravessados por elipses e interrogações”. Os jurados sublinham ainda o “referencial erudito” e o “poder de imaginação” que o romance, a publicar pela Leya, evidencia.
in Jornal Expresso

2ª atualização:

Autora paulista vence Prémio José Saramago

Conforme previsto, o vencedor da 7ª edição do Prémio Literário José Saramago foi anunciado nesta tarde  de 25 de Outubro pela Fundação Círculo de Leitores. E o vencedor foi o romance Os Malaquias da autoria da brasileira Andréa del Fuego.

Andréa del Fuego é natural de S. Paulo, Brasil, onde nasceu no ano de 1975. Com formação em publicidade, fez produção de cinema e realizou duas curtas-metragens. Colaborando em várias revistas, inicia-se na escrita com Minto enquanto posso (2004). Uma primeira coletânea de contos seguida por Nego Tudo (2005), Engano seu (2007) e Nego fogo (2009). Em paralelo experimenta o juvenil com Quase caio (2008) e Sociedade da Caveira de Cristal (2008) e o registo infantil com Irmãs de pelúcia (2010). Decidida a completar a sua formação em Filosofia, ingressa na Universidade de São Paulo. Incluída em diversas antologias de contos, nomeadamente 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira e Os cem menores contos brasileiros do século, foi distinguida ainda este ano com o Prémio São Paulo de Literatura.

Opiniões dos membros do júri:

Os Malaquias dão-se a conhecer num intrincado jogo que a escrita controla e refaz. O resultado é misterioso mas absolutamente fascinante. (Ana Paula Tavares)
Os Malaquias é um romance áspero, poético, original. Voltado para a paisagem rural, a que raramente os autores contemporâneos se circunscrevem, seu perfil arcaico e trágico suscitam emoções intensas. (Nélida Piñon)
A escrita surpreende insuspeitados recursos de estranheza na coloquialidade quotidiana e desenvolve-se num ritmo muito seguro, perturbante e por vezes quase alucinatório. (Vasco Graça Moura)
(…) personagens feitas de uma luminosidade e única individualidade, iluminadas por dentro, através de uma invenção de linguagem que (…) reúne as palavras mais inesperadas. (Nazaré Gomes dos Santos)
Inusitado, originalíssimo. Tradicional e atual. Seiva exemplar, sem pretensões. (Maria de Santa Cruz)
(…) no registo estilístico de uma linguagem tremendamente seca e austera, Os Malaquias vai objetivando situações tão concretas no seu realismo que o tempo do romance se mede sobretudo pelo tempo das próprias personagens. (Manuel Frias Martins)
Vale a pena ler Os Malaquias para sabermos de nós próprios. Um dia, depois de tudo, se estivermos à altura da vida, cada uma das nossas histórias fará parte de uma vertigem como a que é descrita nestas páginas. (José Luís Peixoto)

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