1089 - O Livro Perdido das Origens de Portugal

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Autor: Emílio Miranda
Edição: Mar/2015
Páginas: 496
ISBN: 9789897541414
Editora: Marcador

 

 

 

Ano de 1089. Uma nação em formação ergue-se na bruma do tempo, movida pelo forte e leal braço do povo, pelo arrojo de senhores feudais e pela fé nos ditames da Igreja e dos seus ministros. Num velho mosteiro, são muitas e sinceras as preces, mas também as manobras pela conquista do poder nesse novo território.

Magistralmente concebido, 1089 - O Livro Perdido das Origens de Portugal relata, de forma precisa, viva e cativante, os dias da fundação de Portugal tendo como palco central as terras de um mosteiro beneditino. E não deixa de fora relatos concisos da ambição dos homens e, em particular, dos da Igreja, com os seus segredos e jogos de luz e sombra.
No alvor da nação, plebeus e senhores lutam pelo Céu e pela Liberdade. Um antigo mosteiro esconde ambições, desejos e amores proibidos. 1089 - O livro perdido das origens de Portugal, o nascimento de uma nação, as lutas dos homens, o destino de um povo.

Leia as primeiras páginas aqui.

Autor:

Emílio Gouveia Miranda nasceu em Luanda, Angola, em 1966. Em 1975, fruto da guerra colonial, vem viver para o Norte de Portugal, de onde os pais são originários, mais concretamente para a aldeia de Lordelo, próxima de Vila Real, onde mais tarde passou a residir. É o contacto com esta nova realidade – de espaços abertos no verão e horizontes fechados nos longos invernos – que definitivamente o vai marcar. Uma realidade na qual conviveu com costumes tão surpreendentes como a matança do porco, a vindima e a pisa do vinho, com a agricultura regida por preceitos tradicionais e com essa mistura mágica das práticas religiosas com as pagãs que também cinzelou esse território.

Veja aqui o booktrailer:

Comentários  

 
#2 Ana Costa 2015-07-17 13:27
Onde termina o bem e começa o mal? Qual o alcance daquilo a que se chama ‘justiça’ e ‘liberdade’? Depende dos tempos e dos lugares? Ou as questões e dúvidas de outrora são as mesmas de hoje e de amanhã?

1089 - O Livro Perdido das Origens de Portugal faz um retrato genuíno das vivências, das ambições, das intrigas, da fé, das venturas e das desventuras de um país em construção. Muito em torno da vida religiosa e das rotinas de um mosteiro, é incrível a forma enigmática como ‘a vida dá muitas voltas’ e acaba por ser responsável por encontros, desencontros e reencontros inesperados. Ainda que não abundem os factos históricos explícitos, o discorrer dos acontecimentos transporta o leitor para aqueles tempos e acontecimentos, tendo a perceção clara do seu lugar na História.

A escrita é cativante e realista, ao ponto de fazer o leitor sentir as injustiças e revoltas na própria pele, com especial intensidade por serem vistas à luz da atualidade. 1089 - O Livro Perdido das Origens de Portugal é uma obra de verdades e mentiras, de segredos e revelações, de fé e ceticismo, de poder e serventia que fará qualquer leitor refletir sobre as suas origens.
 
 
#1 Vanessa Montês 2015-06-23 11:14
Quase parece que andei numa maratona dos "Livros RTP". Após o livro anterior, sentia necessidade de um livro histórico. Algo que fosse romanceado, mas que, por trás, tivesse uma boa história com um ou outro facto histórico. E, sim, encontrei isso neste livro. Um início lento que muda totalmente de ritmo a certa altura da narrativa, quando traições e mentiras entram na história.

Tudo começa num dia como qualquer outro, não fosse um simples acontecimento: a coragem de um servo para com o seu senhor. Um senhor que se encontrava decidido a atirar sobre um animal que ainda estava a amamentar os seus filhos, tendo sido impedido pelo servo, que se colocou à frente do animal. Mas, se pensam que o senhor teve pena do servo, estão enganados. Arreliado por as suas vontades lhe terem sido negadas, atirou contra o servo, deixando-o abandonado à morte. Mas a sorte, por vezes, bate à porta dos mais infortunados e é isso que acaba por acontecer. Um velho casal que morava perto do mosteiro que ali se encontrava, encontra o rapaz à beira da morte e, vendo nele o filho que nunca haviam tido, decidem tentar salvá-lo.

Enquanto isso, noutro lugar, também perto do mosteiro, existia uma pequena casa com uma família de três, que agora contava com quatro, não estivesse a irmã da mãe da família a morar "temporariament e" com eles. Uma família que só quer viver sossegada, alimentar-se do que a terra lhes dá e não dar trabalho a ninguém. Algo que é ameaçado pela natureza demasiado livre e apaixonada do novo "membro da família", que encontra no mosteiro um lugar de paixão e ódio.

Também dentro do próprio mosteiro as coisas não são preto no branco, tal como deveriam ser. Uma vida que, inicialmente, nos é apresentada como pacífica e calma, acaba por ficar de pernas para o ar, quando o antigo chefe do mosteiro começa a ficar demasiado velho e cansado para o trabalho, levando a que novas vozes e opiniões se elevem, algumas delas com demasiada arrogância e ganância. A juntar à luta pela chefia, antigos segredos começam a ser lentamente revelados, enquanto as paixões dentro das portas fechadas do mosteiro dão lugar a novos segredos.

Foi um livro que me surpreendeu e cuja escrita é construída à medida que se avança na narrativa. Inicialmente, todas as histórias parecem separadas e não dá para compreender bem qual o fio condutor entre todas as narrativas, para além, claro, do mosteiro. Mas, passadas umas 100 páginas, a narrativa toma outro ritmo, as personagens acabam por se tornar reais e ficamos de tal forma ligados a toda a história, que não a conseguimos largar.

Este é um livro que tem imensas nuances históricas, desde os costumes e mentalidades a atos, e todos refletem a mentalidade da época. As personagens foram o ponto forte de toda a narrativa. Apesar do início ser lento, acabamos, ao longo do livro, por conhecer todos os pontos das suas personalidades, conseguindo por vezes antecipar as suas ações, pois conhecemo-las de tal forma, que parece que são reais. Mas, apesar de anteciparmos as suas ações, não antecipamos ao que estas levam.

Um livro que me surpreendeu, especialmente porque estava a ficar desanimada com o início lento. Mas, após essa parte, devorei o livro. Recomendo e fico à espera de novos títulos do autor!
 

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