1640 - O poeta, A professa, O Prosador, O pregador

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Autora: Deana Barroqueiro
Género: Romance Histórico
Edição: Nov/2017
Páginas: 880
ISBN: 9789897418464
Editora: Casa das Letras

 

 

1640 é um marco fundamental na História de Portugal, o da Restauração da Independência, após 60 anos de domínio espanhol, quando os portugueses se revoltaram e elegeram um rei português, D. João IV.
O romance surge na sequência do D. Sebastião e o Vidente, depois do trágico fim da monarquia de Avis e anexação de Portugal pela Espanha. A acção decorre entre 1617 e 1667, período riquíssimo em factos, dramas e personagens, que lutam pela sua libertação e sobrevivência, face a uma crise social, económica e política, imposta por Filipe IV/Olivares, coadjuvados por Diogo Soares e Miguel de Vasconcelos, um triunvirato que só terá paralelo na Troika de 2011.

Quatro guias singulares conduzem o leitor nesta viagem ao passado, através dos seus dramas pessoais e colectivos: o poeta proscrito Brás Garcia Mascarenhas, autor da epopeia Viriato Trágico; a professa Violante do Céu, a Décima Musa da poesia barroca, enclausurada no convento; D. Francisco Manuel de Melo, o maior prosador ibérico do século XVII, prisioneiro na Torre; e o Padre António Vieira, o mais brilhante pregador do seu tempo, a contas com a Inquisição.

Desta autora no Segredo dos Livros:
O Corsário dos Sete Mares – Fernão Mendes Pinto
O Romance da Bíblia
O Espião de D. João II

Autora:

Deana Barroqueiro nasceu nos EUA, em 1945. Atribui à sua ascendência murtoseira e lisboeta, assim como à longa viagem de transatlântico, de Nova Iorque para Lisboa, que fez aos dois anos de idade, a génese da sua paixão pela grande aventura dos Descobrimentos Portugueses e seus protagonistas.
Licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa. Viveu e estudou em Inglaterra de 1973 a 1976.
Inicia a sua actividade literária como autora de romances históricos com os sete volumes da colecção Cruzeiro do Sul (2002-2004). Publica os Contos Eróticos do Velho Testamento (2003), traduzido e editado em Espanha, Itália e Brasil e os Novos Contos Eróticos do Velho Testamento (2004), a que se seguem os romances S. Sebastião e o Vidente (2006), vencedor do Prémio Máxima de Literatura 2007 (Prémio Especial do Júri), O Navegador da Passagem (2008), O Espião de D. João II (2009), Romance da Bíblia/Tentação da Serpente (2011).
Em 2003, a escritora foi agraciada pela Câmara de Newark, em reconhecimento do seu contributo para a divulgação e promoção da língua e cultura portuguesas entre as comunidades de emigrantes da América, Canadá e Europa.
Saiba mais no blogue da autora deanabarroqueiro.blogspot.pt

Veja aqui o booktrailer:

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2018-01-13 22:52
Ao iniciar o comentário a este livro, lanço um desafio matemático ao meus leitores: dividam o título por dois; somem-lhe sessenta. Qual é o resultado? Exato, é esse o número de páginas do livro, pelo que o poderemos considerar uma obra monumental (embora já tenha lido livros ainda maiores...). Tudo isto para dizer que esta será talvez a obra prima de Deana Barroqueiro. Como escreveu a própria, é um livro que lhe levou dezenas de anos a preparar, enquanto foi escrevendo e publicando outros.
A recolha de material histórico foi, certamente, muito grande, pelo enorme conjunto de factos que são narrados; a seleção dos trechos que reproduz não só nas introduções aos capítulos, mas também os que são inseridos na narração, deve ter exigido um esforço monumental; a fiel descrição de localidades, palácios, conventos, em Portugal e noutros países, exigiu muitas deslocações, anotações e consultas a documentos da época, porque não podem ser descritos como são agora, mas sim como eram há quatrocentos anos. Houve, por exemplo, o terramoto de 1755, na sequência do qual a baixa de Lisboa de 1640 quase desapareceu.
Uma parte do romance passa-se no Brasil em locais que hoje são grandes cidades, mas naquele tempo eram pequenos povoados situados em locais estratégicos na orla marítima. Desconstruir esses locais deve ter dado também imenso trabalho e povoá-los com engenhos de açúcar, escravos, gentios, fazendeiros, missionários, naus, etc. deve ter exigido muito trabalho, consulta e também imaginação.
Depois há as famílias nobres portuguesas, a distinção entre as que apoiaram a Restauração e o novo rei D. João IV e as que preferiram manter-se fiéis à dinastia dos Filipes de Espanha. Assim como aqueles que mudavam de partido como o vento, ou os que fingiam lealdade a Portugal, mas conspiravam na sombra para abortar a revolução e restaurar o poder dos ocupantes estrangeiros. Todas estas famílias como nomes de família, nomes pessoais, títulos e graus de nobreza, etc.

Formalmente, há quatro narradores que descrevem sucessivamente os acontecimentos ao longo do livro. O primeiro é Brás Garcia Mascarenhas (o poeta), um beirão membro da pequena nobreza que teve um papel importante antes e depois da Restauração. Foi um aventureiro, um militar valoroso e um fervoroso apoiante de D. João IV, o que não lhe evitou incompreensões e inimizades, que ele descreveu na sua epopeia lírica, escrita ao estilo dos Lusíadas, a que deu o nome de "Viriato Trágico" e é objeto de muitas citações ao longo do livro.
O segundo é Soror Violante do Céu (a professa), uma das muitas meninas nobres que, para não serem obrigadas a casar contra vontade ou por interesses familiares, iam para os conventos, onde faziam uma vida faustosa compatível com a sua condição, à custa de chorudos dotes ao convento. E tudo podia acontecer, incluindo amores (mais ou menos) platónicos, serem "protegidas" de reis e outros poderosos, desenvolverem gosto pela arte, escrita e outras formas de cultura. Neste caso, foi uma poeta muito conceituada.
O terceiro narrador é Dom Francisco Manuel de Melo (o prosador), que foi escritor de renome na época. Serviu os reis de Espanha como militar e político, mas aderiu à revolução, tendo passado a servir o rei de Portugal. No entanto, alvo de intrigas, acabou preso por vários anos, acusado de conspirar a favor de Espanha, tendo escrito a maioria dos seus livros na prisão.
O quarto narrador (o pregador) é o famoso Padre António Vieira, jesuíta dotado de grandes dotes de orador, sendo os seus sermões muito concorridos e ainda hoje estudados nas nossas escolas. Além disso, foi um grande protetor dos indígenas do Brasil contra a escravização e, depois da restauração, tornou-se conselheiro de D. João IV que o enviou em várias missões ao estrangeiro, para angariar apoios para a independência de Portugal. Acabou vítima de invejas, incluindo de religiosos da sua própria congregação, mas especialmente dos dominicanos que dominavam a Inquisição e quase conseguiram condená-lo como herege e protetor dos judeus.
Estes narradores são autónomos, mas as suas histórias cruzam-se pontualmente em diversos pontos da narrativa. Para além dos narradores, há toda uma plêiade de personagens, a maioria autênticas, mas também algumas fictícias, criadas para construir a trama romanesca.

Uma característica desta autora é a sua preferência por uma linguagem erudita, como nos tem mostrado nos seus outros livros e revela a sua grande cultura. Mas, neste, é de realçar a utilização de termos que, além de eruditos, eram correntes da época em que a trama se desenvolve, estando alguns bastante em desuso na atualidade. Confesso que consultei o dicionário diversas vezes. No entanto, realço positivamente este facto, pois revela, mais uma vez, o esforço da autora para nos situar o mais possível no centro dos acontecimentos que nos leva a viver, numa época que foi crucial para a existência de Portugal, como um dos países mais antigos da Europa.

Embora, para alguns leitores, a leitura deste livro possa tornar-se cansativa, pela sua extensão, para mim não foi e julgo que não será para a maioria dos apreciadores de romances históricos.
 

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