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| A Arte de Produzir Efeito sem Causa |
| Terça, 16 Março 2010 23:40 | |||
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Num cenário típico de uma classe-média baixa, Júnior entrega-se a um quotidiano feito de objectivos pequenos e imediatos — a próxima refeição, a ida ao bar da esquina, o dinheiro do cigarro. Mas esta pasmaceira é interrompida quando pacotes misteriosos começam a chegar pelo correio. Lentamente, a realidade ganha contornos distorcidos e Júnior vai sendo arrastado para um mergulho na própria consciência — que revelará os seus limites e abismos.
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| Actualizado em Sexta, 07 Maio 2010 11:52 |
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| Re:Destak da semana 14 a 20 pedsimpson 18.5.2012 1:58 |
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Comentários
Para confundir ainda mais esta personagem perdida, Bruna, a jovem inquilina do pai José, junta-se à história, despertando na mente instável de Júnior desejos impossíveis de concretizar.
O pai prepara-lhe a comida, o pai incentiva-o a procurar emprego, o pai fala com a vidente, o pai leva Júnior ao médico. Mas o prognóstico é reservado. Resta-lhe assistir impotente ao caminho trágico do seu filho mais velho.
Depois há as misteriosas encomendas anónimas endereçadas a Júnior. Caixas com enigmas, velas e fotografias rasgadas que remetem para William Burroughs e para a sua segunda mulher, morta acidentalmente com um tiro disparado pelo escritor em 1951.
As sinistras encomendas tornam-se a obsessão de Júnior. Tudo o resto resvala. Não precisa de um emprego, nem de encontrar um novo rumo de vida. Precisa apenas de decifrar aquelas mensagens. Escrevinha freneticamente: letras, códigos, diagramas. Cada vez mais cansado.
A loucura vai-se sentando calmamente na cabeça de Júnior, para quem o pai e Bruna já não são aqueles que eram: “Júnior abre os olhos e vê alguém que se tenta passar por seu pai [...]. Júnior sabe que é melhor fazer o jogo”. Um dia, vasculhando as gavetas do pai, Júnior encontra a arma que procurava… e duas balas calibre 38.
Não me agradou por aí além.
Conheço pouco da literatura brasileira contemporânea, mas, apesar da crítica tão favorável que tenho lido por aí, este autor não me convenceu com esta obra.
Gostei da personagem de Sênior, do seu Viagra e das visitas à vizinha do andar de cima, do seu espírito jovial e da forma como resolvia todos os problemas com ovo mexido; da sua ternura.
Este universo da loucura, a linha ténue que nos separa dela, deixa-me sempre o que pensar.
Não será, certamente, um livro para me deixar memória.
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