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A Casa Dajani
Segunda, 09 Novembro 2009 23:36

Autor: Alon Hilu
Dimensão: 15x23
Páginas: 352
Editora: Quidnovi

Prémio Sapir 2009, o mais importante prémio literário israelita

Arredores de Jafa, 1895. Salah Dajani, um rapazinho muçulmano perturbado que vive num casarão em ruínas rodeado de pomares ao abandono, é consumido por estranhas visões de um desastre que se abaterá sobre o seu povo. A sua vida é, porém, virada do avesso com a chegada à cidade de um homem loiro e bonito, um colono judeu extremamente dinâmico, por quem se sente atraído e que vê como uma espécie de anjo salvador. Trata-se do agrónomo Haim Margaliot Kalvarisky, que rumou à terra dos antepassados na esperança de salvar o seu casamento com Ester – bela, mas frígida – e que anda desesperadamente à procura de terra fértil.
Desde a sua primeira visita à Casa Dajani – para a qual é convidado pela mãe de Salah, que vê nele a última esperança de cura para a agonia do filho –, a amizade entre Kalvarisky e o rapaz está, contudo, destinada à violência e à tragédia. Porque o colono não só cobiça a propriedade que o deslumbra, mas também a bela mulher árabe de olhos verdes, cujo marido se encontra quase sempre fora e acabará por morrer em circunstâncias misteriosas.
Este romance rico e colorido, construído a partir dos diários antagónicos dos dois protagonistas à medida que negoceiam o amor, a honra e a traição numa Palestina em mudança, é uma recriação ficcional da história dos primeiros sionistas e uma apresentação magistral do confronto entre duas culturas através dos sentimentos individuais de duas personagens notáveis.

Autor:
ALON HILU nasceu em Jafa, em 1972, filho de pais naturais de Damasco. Começou a escrever aos dezasseis anos, criando peças de teatro para uma estação de rádio.
É bacharel em Direito pela Universidade de Telavive, onde acabou por licenciar-se em Arte do Teatro com uma especialização em Escrita Dramática.
Depois de várias obras para teatro, estreou-se na ficção com um romance histórico intitulado Death of a Monk, finalista do prestigiado prémio Sapir em 2005, vencedor do Prémio Presidencial Israelita para um romance de estreia em 2006 e do Prémio do Primeiro Ministro Israelita em 2008 e foi traduzido em várias línguas.
O seu segundo romance, A Casa Dajani, ganhou o Prémio Sapir em 2009.
Alon Hilu vive com a família em Telavive.
Comentários
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Angelina Rosa Nogueira Santos Violante   |18:36:08 03-03-2010
Uma história bastante diferente do normal, que nos deixa a pensar, pois é nos dada a mesma história, mas de duas perspectivas diferentes: por parte do menino que é constantemente perseguidos por visões que lhe deturpam a visão da realidade; e por parte do agrónomo que nos dá uma ideia mais clara dos acontecimentos e nos guia no meio da incerteza.
De fácil leitura, mas com muita tragédia à mistura.
Helena  - Perturbador   |20:17:58 07-04-2010
Não gostei particularmente deste romance. Decorre no fim do séc. XIX, e é sustentada por diários e cartas de duas conturbadas personagens - um judeu/sionista(israelita) e uma precoce criança muçulmana/árabe (palestiniano), onde apresenta duas versões frequentemente dissonantes sobre as vivências e a relação que partilharam. Representa o início do choque cultural e a disputa pela terra que caracteriza o conflito que todos conhecemos.
Bem construída e com uma linguagem rica e elaborada, recorrente em figuras de estilo, é um tanto confusa e perturbadora com os relatos do menino problemático e infeliz que mistura emoções contraditórias e extremas, pensamentos negros e pesadelos visionários que envolvem tragédia e morte.
Em dado momento, não sabia quem tinha distorcido mais os factos em seu beneficio.
maria afonso   |23:35:52 09-05-2010
Este romance fantástico conta-nos, através da versão diferente de dois dos personagens e com citações dos seus diários pessoais, alguns acontecimentos que se passam em Jafa, Israel, em 1895 quando se começam as relações (tensas) entre muçulmanos e judeus. Os personagens, Salah Dajani, um estranho rapazinho muçulmano que não tem amigos e gosta de escrever contos e poemas e Haim Margaliot Kalvarisky, um dos primeiros judeus que começam a chegar a esta terra prometida, em busca de terra fértil, envolvem-se numa relação que nunca chegamos a compreender, porque são referidos acontecimentos a que cada um dos protagonistas nos dá uma visão diferente.
Se, ao início, Kalvarisky parece ser o "milagroso anjo" que cura o jovem Salah da sua permanente melancolia e a Casa Dajani da ruína, à medida que o tempo vai passando, as coisas mudam de figura. Kalvarisky envolve-se com a senhora Dajani, cujo marido morre, e começa a tomar conta de toda a propriedade. Salah tem visões proféticas de uma grande guerra que expulsará os muçulmanos daquela terra. A tensão vai crescendo gradualmente através da voz destas duas personagens, nas quais o leitor aprenderá a não confiar, porque, como qualquer pessoa, eles podem mentir.

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"333" de Pedro Sena-Lino