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| A Casa do Sonho Pagão |
| Sexta, 18 Setembro 2009 17:47 | |||
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Uma história de amor e traição de inspiração gótica, passada em Lisboa, numa Casa que reúne um grupo de jovens com muitas cicatrizes da vida. Vagabundos que procuram afectos nos labirintos da sociedade contemporânea e que encontram os seus valores no paganismo, música, dança, sexo, droga e artes circenses. Paira sobre eles o Corvo de uma fábula infantil, o herói corajoso que não desiste de lutar pelo seu Sonho. Uma conspiração vai alterar o curso dos acontecimentos. No combate entre a inocência e a violência, qual será o destino da Casa do Sonho Pagão?Inquietante! Provocador! Surpreendente!
João Pedro Duarte. Nasceu a dois passos do Chapitô e do Castelo de São Jorge. Ganhou nos anos 90 o gosto pela liberdade ao som da banda gótica The Cure. Licenciado em Psicologia na área Clínica, cedo demonstrou interesse pela escola Transpessoal, que estuda o fenómeno da parapsicologia. Trabalhou em IPSS com crianças orfãs, provenientes de famílias disfuncionais ou sob o espectro da síndrome autista. Vive agora da informática no centro histórico de Lisboa e já não prescinde da vista panorâmica sobre o rio e das calçadas mouriscas. Conheceu diversos artistas ― cantores, fotógrafos, artesãos e escritores ― e com eles cria cumplicidades que prometem surpresas para o futuro.
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| Actualizado em Terça, 13 Outubro 2009 19:31 |
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Comentários
O romance está muito bem delineado, tem uma trama bastante envolvente, em que a intriga está sempre presente, despertando a nossa curiosidade a cada segundo que passa.
Ao longo do romance, vai sendo contada uma história paralela - O Corvo da Crista Grisalha - que em muito nos mostra, de outra forma, o que vai acontecendo ao longo do livro.
Ao início, achei a escrita um pouco confusa, mas, ao longo do livro, esta foi evoluindo e foi sendo cada vez mais fácil de ler. Gostei bastante da história no geral. Achei alguns desfechos genialmente dramáticos, em que o autor consegue transmitir exactamente aquilo que, se calhar, qualquer um de nós sentiria e mostra também a inevitabilidade dos acontecimentos.
Com uma linguagem entre as personagens extremamente real, o livro é um misto de riso e espanto.
No entanto, tenho que apontar alguns aspectos menos bons. Quanto à escrita, acho que o primeiro terço do livro tem demasiados estrangeirismos e que é utilizada uma linguagem demasiado real. Como posso transmitir isto? Expressões como "ya", "Ché", ou outras do género, eu ouço na rua, mas não estou habituada a ler num livro. Por outro lado, compreendo que, se essas expressões não estivessem lá, talvez não fossem tão características .
Depois outro aspecto pessoal, e peço a quem está a ler esta opinião que tenha consciência disso mesmo. É uma crítica minha, sob a minha perspectiva.
Como toda a gente que frequenta o meu blog já deve ter reparado, sou pagã. Sou e não tenho vergonha de o admitir, apesar de tanto preconceito que ainda há nos dias de hoje.
Quando comecei a ler este livro, pensei que fosse tratar de forma mais fiel a imagem dos pagãos. O autor teve, sim, o cuidado de pesquisar certas práticas wiccanas e tentou transmiti-las de forma fiel. Eu, como sou druida, essa parte pouco me afectou. O que me afectou um pouco foi a imagem que acho que o livro transmite dos pagãos.
Do meu ponto de vista, parece dar a ideia de que todos os pagãos são malucos, ou têm taras, ou andam metidos na droga ou são delinquentes.
Achei que este aspecto ficou pouco trabalhado. Há que ter em conta que o paganismo ainda é visto com maus olhos por muita, muita gente. Enfim, é mais um desabafo que outra coisa. Com isto não pretendo denegrir o livro, de forma nenhuma!!!
Acho que o livro está bastante interessante, é um romance bom de se ler, com acontecimentos imprevisíveis, mas que, ao mesmo tempo, relatam tanto da humanidade.
João Pedro Duarte é, assim, um autor a ter debaixo de olho. Certamente irei ler o seu outro livro publicado.
Nota: 7/10
http://branmorrighan.blogspot.com/2010/04/opiniao-casa-do-sonho-pagao-de-joao.html
Houve diálogos que achei muito interessantes e inteligentes. Espero que o resto do livro me continue a motivar.
Para quem tiver curiosidade, deixo o link para a entrevista com o autor que fiz no meu blog:
http://branmorrighan.blogspot.com/2010/04/joao-pedro-duarte-escritor-portugues.html
Não é um livro de leitura fácil, com uma escrita rica e bastante elaborada (chegando em certas alturas a parecer forçadamente elaborada, o que retirou alguma fluidez à história), mas acabou por ser uma leitura interessante pela sua singularidade.
Uma nova voz da literatura portuguesa a manter debaixo de olho.
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