A Cidade do Fim

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Autor:
Miguel Real
Edição: Out/2013
Páginas: 312
ISBN: 9789722053242
Editora: Dom Quixote

 

 


Fugindo de uma família com a qual nunca se identificou, Fátimo - assim chamado por ter nascido no ano das Aparições - concorre a um lugar de professor no Liceu Infante D. Henrique, em Macau, acabando por permanecer quase toda a vida nessa cidade que, dividida em duas comunidades aparentemente estanques - a branca e a chinesa -, soube cruzar e reunir o melhor dos costumes de ambas, gerando uma atmosfera social deveras singular.

Partilhando o seu tempo entre a escola e os livros, a portuguesa Maria Augusta - com quem mantém um casamento de fachada - e a chinesa Siu Lin, a «Pequena Flor de Lótus» - por quem nutre desde sempre uma paixão proibida -, o protagonista de A Cidade do Fim será, ao longo de meio século, uma testemunha privilegiada da lenta decadência do poder imperial, dos conflitos com a comunidade chinesa e, por fim, da entrega oficial do território à República Popular da China, em 1999. Tomando então consciência de que, com a independência das Colónias, se jogou em Macau o fim do império português, decide relatar num romance de amor a história de Macau a par da sua própria história - e nenhuma das duas está isenta de improbabilidade, escândalo, surpresa e mesmo violência.
A Cidade do Fim é, pois, a homenagem de Fátimo à sua língua natal, à pátria que o adoptou e, claro, à pequena flor de lótus que fez desabrochar. E é mais um notável romance de Miguel Real, que assim celebra os 500 anos de relações entre Portugal e a China.

Deste autor no Segredo dos Livros:
A Ministra
Memórias de Branca Dias

Autor:

Miguel Real é o pseudónimo do professor e, também, escritor Luís Martins. Licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa e Mestre em Estudos Portugueses pela Universidade Aberta, tem publicado ensaio, filosofia, teatro e romance, sendo ainda autor de vários manuais escolares e traduções de obras filosóficas de autores como Descartes ou Leibniz.
Recebeu o Prémio de Revelação nas áreas da Ficção e do Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Ler/Círculo de Leitores e o Prémio Fernando Namora da Sociedade Estoril Sol, este último atribuído ao romance A Voz da Terra, também finalista do Prémio de Romance e Novela da APE.
Na área da ficção publicou, entre outros, os seguintes romances: A Verdadeira Apologia de Sócrates, A Visão de Túndalo por Eça de Queirós, Memórias de Branca Dias, A Voz da Terra, O Último Negreiro, O Sal da Terra, O Último Minuto na Vida de S., A Ministra, A Guerra dos Mascates, o Feitiço da Índia e A Cidade do Fim.
É colaborador permanente do JL, Jornal de Letras, Artes e Ideias, onde faz crítica literária.

Comentários  

 
#2 Helena 2014-01-26 21:41
Tentei e não consegui. Uma leitura pesada e muito exaustiva, com todo o envolvimento dos portugueses em Macau e o desenvolvimento da região, que encadeia em si uma tal série de situações e de personagens ao longo dos tempos, que me perdia em frases muito, muito longas.

Uma excelente narrativa, um romance histórico de excelência, que não é para mim nesta fase. Necessitava de serenidade para me dedicar a esta leitura exigente e cuidada que foca um período da nossa história, nesta colónia portuguesa - Macau, quando muitos procuraram melhor vida nestas paragens culturalmente tão distintas. Um retrato detalhado de Macau e dos seus habitantes, bem como dos portugueses que lá se fixaram, resultado de grande investigação e estudo.

Fátimo é a personagem principal e a sua história é paralela à história de um Macau português.
 
 
#1 João Teixeira 2013-11-07 16:48
Até hoje, tenho sido sempre um entusiasta dos romances históricos de Miguel Real, ainda que tenha a vaga ideia de que alguns dos seus romances são mais "pesadões" (pelo menos, era isso que pensava tendo em conta o número de páginas de, por exemplo, O Último Negreiro). Mas verdade seja dita que este é apenas o terceiro livro que dele leio. O primeiro foi Memórias de Branca Dias e gostei muito! Com esse livro, percebi que Miguel Real consegue fazer-nos (re)viver, quase sem darmos por isso, as épocas que retrata através de pormenores que nos passam despercebidos, mas que, por isso mesmo, nos provam de que este autor é exímio na construção e criação de romances históricos.

Posso mesmo transcrever para aqui um breve exemplo que demonstra a excepcional pesquisa histórica que Miguel Real fez para nos apresentar uma narrativa credível: «as senhoras ostentavam os caracóis, símbolo do portuguesismo feminino, enrolavam o cabelo com fitas de pano embebidas em água quente de cebola (...), fixavam-se assim os caracóis, os canudos de cabelo dos penteados.». Se esta passagem não foi inventada (e acredito que não o tenha sido), ficamos com um breve apontamento que, disperso no meio da narração, nos diz bastante sobre a forma como as mulheres tratavam o cabelo em Macau no século XX e, parecendo que não, estas simples informações dispersas no texto (e como esta, há outras) ajudam a enquadrar as personagens no seu tempo e no seu meio. E porém...

Porém, é este tipo de descrições, por vezes exaustivas, que tornam este livro um pouco maçudo... Sem desprimor para a qualidade literária a que Miguel Real já habituou os seus assíduos leitores, este é um romance demasiado prolixo, no qual o autor decidiu dar mais importância à descrição do que à acção. Quero com isto dizer que a parte romanceada (a acção), aquela que daria mais vontade de ler, não é a mais explorada. A tal ponto que, só lá para meio do livro, é que começamos a ter um maior desenvolvimento da história em torno de Fátimo, o qual, apesar de amar Siu Lin, mantém um casamento de fachada com Maria Augusta, que por sua vez se sente atraída por Herculano, que corresponde ao seu amor; no entanto, nenhuma destas personagens poderá concretizar o seu amor devido aos preconceitos da sociedade luso-macaense de meados do século XX. Antes disto tudo, temos exaustivas descrições e longas dissertações sobre a História de Macau e a forma como foi ali implantada a religião cristã que, sinceramente, não creio que seja muito interessante para o leitor comum de romances históricos.

Em todo o caso, e como o narrador diz no último capítulo, «A Cidade do Fim é um romance de amor a Macau e, verdadeiramente , nele existe apenas uma personagem - Macau, a cidade, a sua identidade, as suas gentes, os seus casais frustrados ou amorosos», uma cidade que tantas máscaras adquire, sejam elas a do último Governador, a de Herculano Noronha-Pereira , a de Siu Lin, a de Camões, a de Fernão Mendes Pinto ou a de Fátimo Martins. E pronto. Dito isto, creio que nem toda a gente vai achar este livro apelativo, nem terá mesmo paciência (apetência) para o ler até ao fim. Além disso, este não só é um livro muito exigente ao nível da narrativa, é-o também ao nível da pontuação. O texto é demasiado corrido, sem outras pausas que não vírgulas e, raramente, pontos finais, sem parágrafos.

Resumindo e concluindo, Miguel Real tem excelentes ideias, mas não faz concessões para adoptar um estilo mais "leve" que, de certa maneira, creio que tornaria o livro mais apelativo ao leitor "comum". Isso não é, obviamente, mau. Mas creio que, deste modo, este livro não chegará a tantas pessoas como poderia chegar. Custa-me a dizer isto, mas de facto este foi o livro menos interessante que dele já li, o que não significa que não seja um bom romance histórico. Apenas significa que não recomendo este livro a ninguém que não tenha lido outros livros do autor, pois o que ele escreve e a maneira como escreve merecem ser apreciadas sem que se desista a meio (ou logo no primeiro capítulo...), devido a eventuais faltas de paciência para romances mais palavrosos.

6 em 10 estrelas
 

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