A Condessa

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Autora: Rebecca Johns
Edição: Set/2011
Páginas: 336
ISBN: 9789892315966
Editora: ASA

A bela condessa Erzsébet Báthory nasceu num berço de ouro da aristocracia húngara. Nada faria prever que acabaria os seus dias encarcerada na torre do seu próprio castelo. O seu crime: os macabros assassínios de dezenas de criadas, na sua maioria jovens raparigas torturadas até à morte por desagradarem à sua impiedosa senhora.
Pouco antes de ser isolada para sempre, Erzsébet conta a apaixonante história da sua vida.

Ela foi capaz dos mais cruéis actos de tortura mas também do mais apaixonado e intenso amor. Foi mãe, amante, companheira… uma mulher que teve o mundo a seus pés e se transformou num monstro.  
Os seus opositores retrataram-na como uma bruxa sanguinária, um retrato que fez dela a mulher mais odiada da História. Erzsébet inspirou Drácula, inscreveu-se na literatura clássica e contemporânea, deu azo a filmes, séries de TV e até jogos de computador.

 

Autora:
Rebecca Johns é professora assistente de Inglês na Universidade DePaul, em Chicago, nos Estados Unidos. Icebergs, o seu primeiro romance, foi finalista do Hemingway Foudation/PEN Award em 2007 para melhor primeiro romance e vencedor do Michener-Copernicus Award. O seu trabalho foi já editado em diversas publicações, entre elas, o Chicago Tribune, a Harvard Review, a Cosmopolitan ou a Seventeen.

Comentários  

 
#2 Vanessa Montês 2012-04-14 13:30
Nunca tinha ouvido falar desta mulher. Nunca tinha ouvido falar de que a lenda de Drácula vinha de uma pessoa real. Nunca tinha ouvido falar deste livro... Mas, quando ouvi falar nele, foram boas críticas, muitíssimo boas.

Erzsébet Báthory nasceu para uma vida de riqueza e requinte. Embora tendo sido apaparicada pela mãe desde pequena e tratada como uma rainha, não se pode afirmar que a sua juventude tenha sido o que se chama de normal. Tendo ficado noiva aos onze anos de idade, Erzsébet teve, desde muito cedo, que aprender a ser uma boa mulher e uma boa governanta. Mas o seu infeliz início de noivado não a ajudou, pois o seu prometido marido, um conde mais velho que ela, ignorava-a completamente, levando-a a acabar por se apaixonar pelo primo deste. Chegou inclusive a engravidar, mas o bebé foi levado pela mãe de Erzsébet mal nasceu e esta nunca mais soube nada dele.

Para que o noivado não se desfizesse, Erzsébet é casada de imediato com o conde, mas o medo de um casamento infeliz apenas se evaporou quando ela descobriu ter uma paixão em comum com o marido... a tortura. Uma mulher que, de pequenos castigos que aplicava nas criadas por roubarem, partirem algo, ou não cumprirem as suas tarefas, passou a praticar castigos tais, que levavam essas raparigas à morte. Erzsébet considerava essas mortes um mal menor, pois a culpa de tal acontecer era da falecida, por não ter cumprido o seu dever para com a sua ama.

“Oferecera-lhes emprego, instrução, os refinamentos da boa comida e da boa companhia, a oportunidade de se distinguirem, mas nenhuma das minhas criadas provara ser digna dos meus esforços, nem uma em todos aqueles longos anos.”

Este foi um livro muito estranho, mas, por outro lado, positivo. Se, por vezes, nos encontramos a condenar as acções da personagem principal, nunca a conseguimos odiar! Foi um sentimento que me perseguiu ao longo de todo o livro e que estranhei imenso. Acho que tal se deveu ao facto de que, neste livro, que é escrito como se fosse a personagem a relatar-nos a sua vida, conhecemos uma Erzsébet com uma educação muito avançada para a época, uma educação que a faz ser diferente das outras damas da altura, mais cabeça erguida e com noção de que sabe mais do que muitos homens que, de acordo com os parâmetros da altura, poderiam ter maior categoria que ela. Uma personagem que, apesar de tudo, se preocupa com os seus e consegue ser a melhor companheira do mundo para quem nunca a trai. Uma mãe exemplar, que faz tudo para que os seus filhos tenham uma boa educação e vivam numa casa cheia de amor e carinho.

Provavelmente, foi isto que me fez nunca conseguir odiar a personagem, embora tenha desconfiado das suas habilidades psicológicas em imensas passagens do livro, perante a sua indiferença relativamente à morte de certas criadas. Um acto que Erzsébet começou a julgar como algo banal, pois, como senhora da casa, apenas exigia o normal e tinha todo o direito de as castigar. Mas continuava a questionar-se como é que as criadas da mãe gostavam tanto da ama, mesmo sendo, por vezes, castigadas, e nenhuma criada mostrava afecto por ela.

Contudo, o que mais me afectou no livro, não foi a morte de dezenas de criadas... foi quando se falou do castigo de uma delas, a primeira criada que Erzsébet castigou a sério: a mais bela criada da casa, que se gabava de ser amante do marido da ama. Uma mulher que, inicialmente, era apenas para sofrer o castigo que a mãe de Erzsébet fazia às suas criadas mais desenvergonhada s, mas que acabou por se tornar um castigo demasiado severo, à medida que a imaginação de Erzsébet fervilhava.

Este é um livro em que, mal começamos a ler, é impossível parar enquanto não o terminarmos! Um livro em que, com uma escrita simples mas muitíssimo fluída, a autora consegue criar dentro de nós um sentimento de compaixão, pena e até compreensão por esta personagem tão assustadora e horrível. Um livro que adorei e que recomendo a todos os que ainda não o leram!
 
 
#1 sofia 2012-01-21 22:44
Um livro muito fácil de ler, com uma escrita muito simples e clara.
Mais do que a descrição da vida da primeira assassina em série da História (conforme vem mencionado na capa do livro), achei que é a descrição excelente da vida de uma mulher que viveu em tempos muito conturbados e inseguros.
Teve de se adaptar, devido à sua condição de mulher aristocrata, teve de proteger os seus filhos da cobiça e inveja de vizinhos, amigos e familiares e, no fim, morreu na miséria, encarcerada na sua própria casa.
Talvez tenha sido fria, impiedosa e cruel. No entanto, nunca teve a percepção de tal comportamento, visto este ser normal nos tempos conturbados da sua existência, onde a divisão de classes era muito vincada e a vida humana praticamente nada valia.
Depois de ter lido este livro, fiquei com a impressão de que foi acusada apenas para ficarem com tudo o que lhe pertencia (terras, roupas, jóias,...).
Acredito que, ao longo dos tempos, existiram pessoas muito mais cruéis, às quais não foi feita quase nenhuma crítica.
Esta Condessa foi, sem dúvida nenhuma, uma mulher fantástica, muito à frente do seu tempo, com uma pontinha (bem grande) de crueldade que a ajudou a sobreviver naqueles tempos tão recheados de insegurança e incertezas.
Talvez tenha sido mesmo a primeira assassina em série da história, mas não pelo que narra este livro e pela forma como é abordada e descrita a sua vida.
 

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