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A Dádiva
Sexta, 09 Outubro 2009 19:10


Autor: Toni Morrison
Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues
Páginas: 144
Editora: Editorial Presença
Colecção:
Grandes Narrativas nº 448

Leia aqui um excerto do livro

Livro da autoria da primeira mulher negra a ser distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (1993).
A Jacob Vaark é um comerciante anglo-holandês que, apesar de se manter à parte do negócio dos escravos, que então dá os primeiros passos, acaba por aceitar uma menina negra, Florens, como pagamento de uma dívida de um fazendeiro de Maryland.

Nesta parábola do nascimento traumático dos Estados Unidos, Morrison revela-nos o que se esconde sob a superfície de qualquer tipo de sujeição, incluindo a da paixão, e o quanto essa falta de liberdade é nociva para a alma.
Dádiva é um romance extraordinário que se passa na América do Norte de finais do século XVII. Profundas divisões sociais e religiosas, opressões e preconceitos exacerbados propiciam o cenário ideal para a implantação da escravatura e do ódio racial.

Considerado O MELHOR ROMANCE DO ANO, pelo Sunday Times e UM DOS MELHORES 10 LIVROS DO ANO DE 2008, pelo The New York Times.
Traduzido em 24 países: Árabe (território); Brasil; Catalão (território); Chinês; Croácia; República Checa; Dinamarca; Finlândia; França; Alemanha; Grécia; Israel; Itália; Japão; Coreia; Holanda; Noruega; Polónia; Portugal; Rússia; Sérvia; Eslováquia; Eslovénia e Espanha.

Autora:
Toni Morrison foi laureada com o Prémio Nobel da Literatura em 1993 e recebeu ainda dois outros prémios literários de grande prestígio – o Pulitzer Prize, em 1988, e o National Book Critics Circle Award, em 1977. Foi professora de Inglês na Universidade de Howard, titular da Cátedra Albert Schweitzer em Humanidades na Universidade do Estado de Nova Iorque, em Albany, e titular da Cátedra Robert F. Goheen em Humanidades na Universidade de Princeton. Foi editora sénior na Random House, em Nova Iorque durante cerca de vinte anos. Com uma vasta obra literária publicada, Toni Morrison é uma referência incontornável da literatura norte-americana contemporânea.

Prémios:
Prémio Pulitzer (1998)
Prémio Livro Anisfield-Wolf (1998)
Jefferson Lecture (1996)
Prémio Nobel de Literatura (1993)
Prémio National Book Critics Circle (1977)
Actualizado em Sábado, 14 Novembro 2009 16:28
 

Comentários  

 
0 #4 Joana Dias 03-01-2010 13:12
Este livro não é fácil de ler. Ao inicio é tudo muito confuso quase como uma história contada de um ponto de vista esquizofrénico, numa realidade totalmente à parte a que ninguém é permitido entrar.
Mas à medida que nos vamos habituando à história e ao tipo de escrita da autora, rendemo-nos fascinados a cada palavra que nos é dada. A história é muito rica e interessante e a escrita é muitas vezes mais prosa poética que só prosa. Um livro essencial para todos aqueles que não podem passar sem um bom livro, mesmo que ele dê um pouco mais de trabalho a ler.
 
 
0 #3 Ataner 20-11-2009 19:56
Bom como eu gostaria de ter lido a sugestão do Sebastião antes de ler este livro.

Demorei a entrar na historia, devido a esses saltos de narrador, que no inicio me confundiram. A partir do momento em que entendi a logica da narrativa, devo confessar que me deliciei com a historia, com as várias visões da mesma e com a forma de escrita da autora, que se transforma conforme a voz da personagem que narra os "capitulos".
Não sendo um livro fácil, é um livro que vale a pena insistir e ler.
 
 
0 #2 Helena 30-10-2009 13:37
De facto, é um romance extraordinário. Para o descrever cito aquela frase "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Não pode ser lido de ânimo leve, desatento ou distraido porque nos confunde e não compreendemos a intenção do autor com frases curtas que aparentemente são incoerentes e desfasadas. Existe uma cadência que quando compreendida é brilhante e simples. Desenvolve-se num determinado período histórico em que as convulsões sociais, politicas, religiosas tornavam a vida humana dificil e muitas eram transacionadas e exploradas como mercadoria com ou sem valor. Através das personagens de diferentes proveniências e raças que se cruzam com Jacob Vaark temos uma perspectiva da natureza humana, como se relacionavam e como evoluiam nessa época conturbada da formação dos Estados Unidos. Florens, a menina negra que é aceite por Jacob como forma de pagamento, leva-nos a reflectir sobre a liberdade fisica e emocional e a importância dos afectos. Um livro que certamente vai ser uma das minhas prendas de Natal para quem aprecia boa literatura e tem o prazer de ler.
 
 
0 #1 Sebastião Barata 18-10-2009 15:24
Será que o Comité Nobel publicita todos os critérios que o levam a eleger o escritor agraciado em cada ano? A mim parece-me que, para além das razões invocadas, há uma que se mantém todos os anos: o eleito tem uma forma de escrever própria que ninguém é capaz de imitar integralmente. É o caso de Toni Morrison, autora de A Dádiva.
Ao ler este livro, parecia-me estar à deriva no alto mar. Às vezes, as ondas são alterosas: a narração alterna entre paixões destruidoras e amores inocentes. Outras vezes, navega-se em mar calmo: a narração é simples e doce. O estilo acompanha a narração: por vezes é difícil, com flashbacks desfasados no tempo verbal utilizado, sem pontuação, aparentemente incoerentes; outras vezes, segue todas as regras estabelecidas nos manuais de escrita. A variação pode dar-se de um parágrafo para o outro, às vezes de uma linha para a outra.
É um livro difícil de ler? Para mim não foi. O meu conselho para os futuros leitores é: ler o primeiro capítulo duas ou três vezes, quase para o decorar, embora, depois dessa leitura, continue confuso. É um texto escrito sempre no presente, mas com cenas passadas em diferentes tempos e situações, sem preocupações de cronologia.
Mas não se preocupe, porque, à medida que avançar na leitura, vai descobrir o sentido de cada frase, a sua mente vai abrir-se ao que parecia incompreensível .
Só mais um apontamento, que pode ajudar à compreensão do livro: Os capítulos são, alternadamente, falas da personagem principal, Florens, escritos no presente, e narrativas do autor, escritas no passado. No primeiro caso, tudo é dito no presente do indicativo, mesmo que seja um acontecimento passado; no segundo, tudo é escrito no pretérito imperfeito, mesmo que seja um acontecimento actual.
E não se esqueça: quando acabar, volte a ler o primeiro capítulo e tudo será diferente.
 

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