A Dama do Quimono Branco

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Autor:
João Paulo Oliveira e Costa
Género: Romance Histórico
Trilogia: O Samurai Negro (Vol. 3)
Edição: Mai/2019
Páginas: 528
ISBN: 9789896445621
Editora: Temas e Debates

 

 

A saga dos Fonsecas de Nagasáqui e dos Vicenzo de Roma conclui-se nesta obra que encerra a trilogia do Samurai Negro. A cristandade japonesa caminha para o seu destino fatal, enquanto do outro lado do mundo, o Brasil vai-se afirmando como uma terra do futuro, promissora para os colonos, e, nesse primeiro tempo, sobretudo para os que têm a sabedoria de se entenderem com os indígenas. Nessas terras onde o Sol nunca se põe, os mestiços têm um papel fundamental na sedimentação do poder da Coroa e da Igreja, e os Fonsecas e Vicenzo percebem que em Lisboa os mestiços serão sempre subalternizados e ostracizados, mesmo sendo endinheirados.

Enquanto o tempo passa, um biombo vai sendo composto; uma mulher morta continua a despertar sentimentos de sensualidade nos homens que com ela privaram; um navio explode com estrondo; um imperador foge do palácio; a crueldade é vingada com uma crueza ainda maior, mas também há quem consiga amar e ser feliz e há um peregrino que descobre finalmente o seu lugar no mundo, sempre inspirado pela dama do quimono branco.

Volumes anteriores da trilogia:
Xogum - O Senhor do Japão
O Samurai Negro

Outros livros deste autor no Segredo dos Livros:
Construtores do Império (coautoria)
O Cavaleiro de Olivença
Henrique, O Infante

Autor:

João Paulo Oliveira e Costa nasceu em Lisboa a 1 de abril de 1962. É professor catedrático de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa desde 2009. É diretor do Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar (CHAM) e tem uma vasta obra historiográfica em que se destacam as obras O Japão e o Cristianismo no Século XVI. Ensaios de História Luso-Nipónica (1999), D. Manuel I, um Príncipe do Renascimento (2005), Henrique, o Infante (2009), Mare Nostrum - Em Busca de Honra e Riqueza (2013) e História da Expansão e do Império Português (coordenador e coautor, 2014). Foi presidente da Associação de Amizade Portugal-Japão (2000-2005), tendo sido recentemente condecorado pelo Imperador do Japão com a Ordem do Sol Nascente. É autor dos romances O Império dos Pardais (2008), O Fio do Tempo (2010), O Cavaleiro de Olivença (2012), O Samurai Negro (2016) e Xogum – O Senhor do Japão (2018).

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2019-07-29 17:54
Com este volume, termina a saga do Samurai Negro, constituída por uma trilogia de romances históricos, na qual se narra a presença dos portugueses no Japão em finais do século XVI e princípios do século XVII. Curiosamente, este volume esteve para se chamar "Chamas de Nagasáqui" e a mudança para "A Dama do Quimono Branco" tem a sua razão de ser, como explicarei mais à frente. O 'fantasma' da dama do quimono branco percorre toda a trama deste volume, aguçou a minha curiosidade e levou-me a fazer as mais diversas conjeturas, mas, confesso, estive sempre longe de acertar na sua identidade. É um pormenor que os futuros leitores só vão saber na última linha do romance. Mas espreitar não vale!

Este volume situa-se nos primeiros anos do século XVII, uma fase extremamente difícil da presença portuguesa no Oriente que culminou da pior forma, como sugere o título provisório que esteve para ter. Na verdade, a perseguição aos cristãos intensifica-se, o conflito entre as ordens religiosas que apoiam Portugal e as que apoiam Espanha não contribui para a boa imagem da religião cristã e a Igreja acaba por sobreviver na clandestinidade , sendo caçados e mortos muitos cristãos, a começar por aqueles que mantinham padres escondidos. Giuseppe regressa ao Japão como enviado papal, mas vai manter-se incógnito, sendo uma peça fundamental nesta sobrevivência escondida. Quem viu o filme "Silêncio" de Martin Scorsese compreenderá melhor aquilo que quero dizer, uma vez que se situa na mesma época histórica e local.

Logicamente, este volume vem atar as pontas soltas dos volumes anteriores e explicar o destino das pessoas e famílias que protagonizaram a saga. Uns morreram, outros foram sacrificados e outros acabaram por emigrar para outras zonas do mundo. Carlos e Pedro, os dois eternos rivais pelo amor de Ana, continuaram amigos e nada os conseguiu separar, nem na morte. De facto, fazem parte dos que não conseguiram escapar e o momento da sua morte é emocionante, de grande dignidade e tocou comigo. No entanto, os negócios da família continuaram, outras latitudes e outros continentes os receberam e foram pioneiros na evangelização e na defesa da soberania portuguesa noutra zona ainda inexplorada do mundo, sempre fieis à sua sina de se relacionarem com os povos indígenas e promoverem o seu desenvolvimento , em vez da exploração que era costume dos colonialistas.

Tenho pena de não poder dizer muito mais, sob pena de fazer spoilers e reduzir o interesse de próximos leitores, mas a minha vontade é contar tudo, tal é o meu entusiasmo. Remeto para a sinopse da contracapa do livro, onde quem leu os anteriores vai encontrar uma curta lista de dicas que verão, no final, serem um perfeito resumo do que se pode dizer antes da leitura. Termino dizendo que gostei muito não só deste volume, mas de toda a trilogia, porque é muito fiel à História da presença portuguesa no Japão e os factos históricos estão enquadrados numa trama romanesca que prende o leitor do início ao fim, mesmo aquele que não tenha grande interesse pela parte histórica.
 

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