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| A Evolução de Calpurnia Tate |
| Sábado, 25 Junho 2011 22:09 | |||
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Autora: Jacqueline Keely “O meu nome é Calpurnia Virginia Tate, mas, nesses tempos idos, toda a gente me tratava por Callie Vee. Nesse verão, tinha onze anos e era a única rapariga de um total de sete irmãos. Conseguem imaginar pior do que isto?”
Autora: http://www.jacquelinekelly.com/
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| Actualizado em Quarta, 27 Julho 2011 14:08 |
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Comentários
Contado na primeira pessoa, com uma linguagem simples, com humor, vamo-nos apercebendo das características sócio-culturais de um mundo diferente do actual, já que estamos em 1899: o tratamento diferenciado entre raças, o aparecimento do primeiro telefone (e da célebre Coca-cola!), onde o isolamento só era superado através da carta, os poucos estudos e conhecimentos que eram administrados nas escolas, eram diferenciados entre rapazes e raparigas...
Assistimos ao começo de uma amizade entre um avô distante e ríspido e a neta, sôfrega de conhecimentos e única rapariga entre seis irmãos. Sendo uma esponja constante, Callie aprende a amar o avô e um mundo novo abre-se para ela: há tanto para aprender com e na natureza, tanto para ler! O avô abre-lhe um mundo desconhecido até então e Callie sonha: quer ser cientista!
A escrita original desta escritora prende-nos ao livro e, narrando as peripécias de uma família do campo, através de uma menina e de toda a sua inocência, Jacqueline Kelly consegue transportar-nos e fazer-nos viver uma bela história. O final ficou muito aquém de todo o livro. Esperaria eu algo diferente? Certamente! Mas pergunto-me, sem ter resposta, como quereria que ela acabasse? A autora deixou-nos em aberto toda uma série de possibilidades...
A vida e o quotidiano na família e na comunidade de Callie Vee são também outros dos temas que esta narrativa abrange e promove alguns bons momentos de entretenimento tranquilo. Não correspondeu às minhas expectativas, mas foi uma leitura aprazível, sem grandes pretensões ou arrojos. Medianamente interessante.
Para mim, a autora consegue transformar uma história simples num livro maravilhoso e fantástico.
Calpurnia Tate é uma pequena de onze anos que vai descobrir, num único Verão - quando o calor abrasivo e o tédio são uma constante -, que o mundo tem muito mais para ver do que aquilo que encontra em Fentress. Graças à proximidade que vai adquirindo junto do avô, Callie Vee (que é como lhe chamam) parte numa aventura pelo universo da natureza, numa insaciante busca por novas descobertas, novos saberes e conhecimentos darwinistas.
Tal como o título indica, esta história retrata precisamente a evolução de Calpurnia, esta personagem tão rebelde e inocente que procura o seu lugar no mundo. Contra todas as expectativas, molda o sonho de entrar para a universidade e de se tornar cientista. Fugindo aos planos que a mãe tem para si e ao caminho que as amigas e os irmãos estão a tomar, Calpurnia quer distância da renda, da cozinha e, acima de tudo, de uma família. A independência é a única certeza da pequena Callie, a par de um futuro vivido ao lado da ciência. O problema é que o avô, inicialmente tão temido e ignorado, parece ser o seu único apoio nestes irreverentes planos.
Apesar de toda a bonita moral subjacente a esta história, A Evolução de Calpurnia Tate não me encheu totalmente as medidas. Esperava, efectivamente, algo mais surpreendente e empolgante. A narrativa, contudo, peca por momentos destes. Os pequenos acontecimentos que dela fazem parte têm, sem dúvida, o seu quê de perspicácia e astúcia, mas embalam o leitor numa cómoda leitura. Não são acontecimentos arrebatadores aos nossos olhos, muito embora a autora saiba que o são para aquela época de viragem do século, marcada por colossais invenções: o telefone, o automóvel e a Coca-cola.
O problema está nas falhas no retrato temporal da acção. Jacqueline Kelly devia ter apostado mais na descrição do ambiente daquela época, dos valores que imperavam e das vidas que eram levadas a cabo pelas pessoas de há mais de cem anos. Há certas e determinadas lacunas a esse respeito, o que impossibilita o leitor de se deixar embrenhar devidamente na história e faz com que seja construída uma ténue barreira entre o mundo de Calpúrnia e o nosso.
O carisma e o humor da protagonista são, sem dúvida, o melhor do livro. Qualquer leitor, independentemen te da sua idade, irá libertar umas quantas gargalhadas, perante a maneira com que Calpurnia vê e lida com as coisas. É impossível evitar que um sorriso se desenhe nos nossos lábios, ao presenciarmos os mirabolantes diálogos entre Callie e os irmãos.
A par disso, temos uma excelente componente pedagógica para os mais jovens, com especial enfoque nas Ciências da Natureza. Há um abrir de portas para o universo de Darwin, um desabrochar de saberes que nos elucidam sobre o que se passa efectivamente no mundo dos animais e das plantas. É aqui que as coisas também se podem tornar um tanto ou quanto aborrecidas para o leitor mais velho e conhecedor da matéria, tendo em conta o teor infanto-juvenil com que é abordada.
Ainda assim, trata-se de um livro deveras agradável. Recomendo-o essencialmente para um público infanto-juvenil, pois considero que o seu conteúdo e moral vão muito mais de encontro à sua identidade e experiência pessoal. Não tiro a hipótese de o mesmo ser igualmente delicioso aos olhos de vários adultos, pois trata-se de um livro cuja abrangência temática e abordagem temporal poderão agradar-lhes. Contudo, não o será para todos certamente, pois requer alguma abertura de espírito para este tipo de história e linguagem mais juvenis.
Em suma, uma história diferente e rejuvenescedora . Um apelo à imaginação de todo o leitor, num esforço de recriar a vida há cem anos atrás e que nos faz, inevitavelmente , lembrar o mundo apresentado por Jane Austen. Um mundo onde as mulheres não têm escolha: as suas vidas são pensadas para girar única e exclusivamente em torno das boas maneiras, da governação de uma casa e de um bom casamento; um mundo onde até sonhar pode ser uma angústia, por saber que o melhor de tudo não está nas nossas mãos e cuja possibilidade de vir a estar é fonte de polémica reprovação. Mas, acima de tudo, um mundo onde a determinação e a esperança de vingar naquilo que sonhamos, são sempre as últimas a morrer.
De personalidade carismática, extremamente inteligente e madura, a personagem principal não poderia estar melhor executada.
Atenta ao mundo que a rodeia, embora pertencendo a uma sociedade ignorante, Callie busca a sabedoria no quente e aborrecido verão de 1899.
Através da sua propensão para a inovação e curiosidade em saber mais sobre a teoria d'A Origem das Espécies de Charles Darwin, estabelece uma relação forte, e nunca antes pensada, com o seu avô. Este último vem mostrar-se decisivo e influente na progressão e desenvolvimento da pequena Callie.
Dotado de uma narrativa que nos embala, este livro faz-nos querer participar nas aventuras de Callie, vendo com os nossos próprios olhos todos os elementos maravilhosos que nos são descritos.
Embora possa haver um certo exagero na maturidade de Callie, tendo em conta que se encontra num tempo em que a religião se sobrepõe à ciência, reconheço que a menina e o seu avô são duas mentes brilhantes, estimulando o leitor desde a primeira à última página, com as suas fascinantes personalidades e intelectos, assim como conseguem converter leigos na matérias em verdadeiro entusiastas da ciência.
Não esqueçamos que Callie vem de uma família do seu tempo, onde é a única rapariga no meio de seis irmãos.
Irmãos estes que, em muito, diferem da sua irmã, ocupando-se de assuntos mais triviais mas não menos importantes, como o amor.
Destaca-se, também, a mãe de Callie que se concentra em tornar a filha numa excelente futura matriarca, tentando lidar com a rebeldia da mesma.
"A Evolução de Calpurnia Tate" é, acima de tudo, uma estória de desenvolvimento pessoal, deixando ao leitor portas abertas quanto ao seu futuro. Essas mesmas portas são deixadas em aberto para a protagonista, terminando de maneira inacabada, deixando-nos curiosos em relação ao futuro de Callie.
Personagens reais e encantadoras à mistura com uma boa dose de conhecimentos e busca pelo desconhecido, são alguns dos ingredientes que temperam este excelente livro.
De leitura fácil e aprazível, "A Evolução de Calpurnia Tate" é um livro para todas as idades, para todas as mentes abertas à sabedoria, pois, como sabemos, o conhecimento não ocupa espaço!
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