A Febre das Almas Sensíveis

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Autora: Isabel Rio Novo
Género: Romance Histórico
Edição: Fev/2018
Páginas: 200
ISBN: 9789722064378
Editora: Dom Quixote

 

 


Romance finalista do Prémio Leya

Portugal, primeira metade do século XX. Entre os males que assolam um país isolado e retrógrado, a tuberculose ressalta como uma das principais causas de morte. Ainda sem recursos farmacológicos para combater a doença, os médicos recomendam aos infetados o internamento em sanatórios instalados em zonas de altitude. Na serra do Caramulo, outrora uma região pobre e agreste, cresce uma estância sofisticada que, no auge do seu funcionamento, chega a acolher milhares de doentes.

Entre o edifício do Grande Sanatório do passado - onde o drama do jovem Armando se cruza com o dos outros pacientes -, os escombros do presente, visitados por uma rapariga que coleciona histórias de escritores tuberculosos, e as páginas escritas pelo misterioso «R. N.», movem-se almas de todos os tempos: Eduardo, Natália, Carolina e Ernest, mas também Soares de Passos, Júlio Dinis, António Nobre e tantos outros atingidos pela febre das almas sensíveis.
Combinando o registo histórico e a toada fantástica que produziram a magia de Rio do Esquecimento, neste novo romance, finalista do Prémio LeYa, Isabel Rio Novo recupera a memória de uma doença esquecida, que marcou a sociedade de uma época e o nosso imaginário romântico.

Desta autora no Segredo dos Livros:
Rio do Esquecimento

Autora:

Isabel Rio Novo nasceu no Porto em 1972. Doutorada em literatura comparada, é docente no ensino superior de Escrita Criativa e outras disciplinas nas áreas da literatura e do cinema. Autora de várias publicações no âmbito dos estudos intermédia, das literaturas portuguesa e francesa e da teorização literária, já integrou o júri de vários prémios literários e de fotografia. Gosta de dizer poesia, embora não a escreva. Como ficcionista, começou a publicar dispersamente desde a adolescência. Em 2004, escreveu a novela O Diabo Tranquilo, em colaboração com o poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues. Em 2005, viu o romance A Caridade distinguido com o Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes. Em 2014, publicou o volume de contos Histórias com Santos. O romance Rio do Esquecimento foi finalista do Prémio LeYa 2015.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2018-03-11 20:01
"A Febre das Almas Sensíveis" é um romance histórico escrito de uma forma bastante diferente daquilo a que estou habituado. Embora se centre num "tísico" (como se chamava popularmente a quem sofria de tuberculose), não se limita a contar a história desse doente, da sua família e daqueles que com ele conviveram (e/ ou morrerem). Cada um dos capítulos, é dividido em três partes: uma em que narra um pouco da vida de Armando; outra em que desvenda um pouco daquilo que uma jovem estudante vai colhendo da análise de escritos e outros resíduos que vai recolhendo no velho Sanatório do Caramulo, agora em ruínas; e uma terceira em que nos fala resumidamente de uma conhecida vítima da tuberculose, escolhida entre escritores, poetas, médicos, professores e outras pessoas que foram célebres no século XIX e XX e acabaram vítimas desta terrível doença.

Na verdade, a tuberculose foi uma das principais causas de morte em Portugal (e não só) até que foi descoberta a estreptomicina após a segunda guerra mundial. A partir daí, começou a decair e chegou a ser declarada como extinta em alguns países. No entanto, a desativação de estruturas de saúde destinada especificamente ao tratamento desta doença, o aumento da resistência do bacilo da tuberculose aos antibióticos e o aparecimento de doenças que reduzem o sistema imunitário (como a Sida, por exemplo) aumentaram os casos detetados e hoje é, de novo, uma preocupação da OMS. Como disse, muitos portugueses ilustres foram vítimas desta doença e este livro fala de diversos, como Soares de Passos, Júlio Dinis e António Nobre.

E porquê "Febre das Almas Sensíveis"? Acreditava-se que atacava sobretudo as pessoas mais sensíveis, como os poetas. Na verdade, atacava os mais frágeis, com menos resistência às infeções, com a saúde mais debilitada, porque tinham o sistema imunitário menos robusto. A poesia vinha depois, porque é um género literário mais ao gosto das almas sofredoras, física ou moralmente, daqueles que veem a vida a esvair-se sem nada poder fazer. Hoje, outras "febres" atacam as almas sensíveis, sendo o cancro a grande preocupação dos nossos dias. Há quem diga que pelo menos um terço da população foi ou vai ser vítima de cancro e, destes, continuam a ser maioria os que não lhe conseguem resistir. É a "tuberculose" do século XXI.

Como se depreende do que fica dito, a autora escolheu falar de um tema que dominou as preocupações da nossa sociedade durante mais de um século, que foi uma autêntica peste, mas não tem merecido a suficiente atenção dos autores que escrevem sobre essa época. E fê-lo muito bem, criando um conjunto de personagens que espelham bem o drama das famílias que viam os seus membros a serem sucessivamente vitimados pela doença, geralmente jovens que deixavam crianças pequenas sem recursos e, por vezes, até sem quem as acolhesse e criasse. Também daquelas famílias que viam os seus filhos nascer e, poucos anos depois, morrer, sem lhes conseguirem valer.
Como já disse, foi intercalando, paralelamente, flashes de vidas de outras vítimas, geralmente em épocas anteriores à época da história principal (os anos 40 do século XX). E, muito habilmente, criou também uma estudante a fazer a sua tese sobre o tema, o que é um belo pretexto para intercalar apontamentos do interesse pelo tema na atualidade. Conseguiu, assim, navegar por entre três épocas, sem cansar o leitor e sem o dispersar.

Termino fazendo uma referência à escrita da autora, que escreve com uma prosa quase poética, muito singela, mas muito bela. Não nos apresenta uma cura milagrosa, ou outro final cor de rosa. Mas o leitor mais atento vai reparar certamente, ao dar-se conta da identidade do narrador, de que pode haver outras formas de redenção, para além da saúde e da própria vida humana.
 

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