A Ilustre Casa de Ramires

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Autor: Eça de Queiroz
Género: Romance
Edição: Mar/2018
Páginas: 312
ISBN: 9789897023675
Editora: Guerra & Paz

 

 

 

Um monumento à língua portuguesa, um clássico absoluto. A sua leitura, mais do que um prazer, é uma obrigação.
Esta é a história de Gonçalo Mendes Ramires, um dos grandes heróis queirosianos. Último descendente de uma antiga família aristocrática, cujas origens remontam aos tempos dos reis suevos, carrega em si o peso dos gloriosos feitos dos seus antepassados. Contudo, não consegue ombrear com essa memória.

Empobrecido, com um carácter hesitante e fraco que o aprisiona e humilha, sonha libertar-se. Gonçalo quer viver, criar obra, honrar a história familiar. Entrecruzam-se na narrativa dois tempos: o passado, o romance dentro do romance, cujo autor é o próprio Gonçalo, verdadeira reflexão sobre a literatura e a criação literária, e o presente da acção, triste e cabisbaixo, onde a mesquinhez e o provincianismo imperam, contrastando com a valentia de outras épocas. A pena de Eça, de uma prosa perfeita e ironia acutilante, demorou mais de sete anos a escrever "A Ilustre Casa de Ramires". Todo este labor resultou num livro que é um monumento à língua portuguesa, um clássico absoluto.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Adão e Eva no Paraíso Seguido de o Senhor Diabo e Outros Contos
Civilização e Outros Contos (adaptação juvenil)
Os Maias (adaptação juvenil)

Autor:

José Maria Eça de Queiroz nasceu a 25 de novembro de 1845 na Póvoa de Varzim. Com 16 anos foi para Coimbra estudar Direito, tendo aí sido amigo de Antero de Quental. Os seus primeiros trabalhos, publicados publicados em fascículos na revista "Gazeta de Portugal", apareceram como coleção, publicada depois da sua morte, sob o título Prosas Bárbaras. Em 1869 e 1870, Eça de Queirós viajou ao Egito e visitou o canal do Suez que estava a ser construído, o que inspirou diversos dos seus trabalhos, entre os quais o Mistério da Estrada de Sintra, de 1870, e A Relíquia, apenas publicado em 1887. Em 1871 foi um dos participantes das chamadas Conferências do Casino. Mais tarde, foi trabalhar em Leiria como administrador municipal, onde escreveu a sua primeira novela realista da vida portuguesa, O Crime do Padre Amaro, que apareceu em 1875. Eça de Queirós passou os anos mais produtivos de sua vida em Inglaterra, como cônsul de Portugal em Newcastle e em Bristol. Escreveu então alguns dos seus trabalhos mais importantes, como A Capital. As suas obras mais conhecidas, Os Maias e O Mandarim, foram escritas em Bristol e Paris, respetivamente. O seu último livro foi A Ilustre Casa de Ramires, sobre um fidalgo do séc XIX com problemas para se reconciliar com a grandeza de sua linhagem. Foi também o autor da Correspondência de Fradique Mendes e A Capital, obra cuja elaboração foi concluída pelo filho e publicada, postumamente, em 1925. Fradique Mendes, aventureiro fictício imaginado por Eça e Ramalho Ortigão, aparece também no Mistério da Estrada de Sintra.
Faleceu em 1900 em Paris. Os seus trabalhos foram traduzidos em aproximadamente 20 línguas.

Comentários  

 
#1 Tiago 2020-06-28 09:42
NOTA: Este comentário contém spoilers (*** não leia se pretender ainda ler o livro ***)

Após 2 ou 3 anos a ler aos poucos este romance de Eça de Queirós que me faltava, a Ilustre Casa de Ramires, consegui finalmente chegar ao seu fim. Comprei o livro na loja da INCM que está a editar clássicos da literatura portuguesa e o interessante desta edição é que contém uma nota introdutória que explica o contexto histórico do livro e explica parte da história, como se de um resumo se tratasse. Na verdade, depois de ter terminado o livro, regressei a esta nota introdutória, pois procurei arrumar as ideias que tirei do livro e compará-las com a opinião ali descrita.

A Ilustre Casa de Ramires não é dos melhores livros de Eça, mas é um livro que merece a sua atenção, caso o leitor esteja mesmo interessado no legado que o escritor nos deixou. Trata-se de um romance passado na província, onde o grande fidalgo Gonçalo procura retratar-se na sua condição de fidalgo perante a sociedade envolvente, tendo sempre como refúgio a sua casa, em especial, a sua torre - símbolo de uma velha família cuja história começa antes da nacionalidade.

Na sua busca por trazer a si mesmo a honra da família, é proposto a Gonçalo que escreva sobre a sua família, um romance histórico sobre um dos seus egrégios avós, ao mesmo tempo que, no desenrolar da história, se candidata a deputado na Assembleia Nacional daquele tempo, em Lisboa. Assim, o livro acaba por dividir-se entre a narração histórica de Tructesindo - o seu avô com passado de herói - e a sua vivência em Vila Clara, perante as personagens que o acompanharam diariamente na sua vida quotidiana, nas suas dúvidas perante o peso do passado da família.

O fim é repentino. Parece que o livro termina abruptamente. Depois de um acto heróico que o vangloria na sociedade e na condição onde ele merecia estar, a Gonçalo parece que a pequenez que o assiste desaparece. É como se se tivesse finalmente libertado das correntes que o prendiam a uma condição eterna de dúvida. E assim, terminado o romance histórico, tendo vencido a eleição a deputado e tendo-se transferido para Lisboa, Gonçalo procura mais e segue para África. Termina por aqui a história com a descrição do seu regresso e a sua comparação com os personagens da sua vida a dizerem que Parece-se com Portugal.

Atribui-lhe uma nota de 3 em 5 ou 6 em 10. Livro ligeiro, longo e escrito com a subtileza típica de Eça. Claramente um livro mais secundário perante as suas grandes obras primas.
 

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