À Janela dos Livros

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Autor: Rui Beja
Edição: Abr/2011
Páginas: 360
Editora: Círculo de Leitores/Temas e Debates

Fundado em 16 de Outubro de 1970, o Círculo de Leitores iniciou a sua actividade editorial em sistema de clube do livro, no primeiro trimestre de 1971. Tratou-se, à data, de uma verdadeira pedrada no charco. Num país fechado sobre si mesmo, com um apertado sistema de censura política e um grau de analfabetismo na ordem dos trinta por cento, poucos acreditaram que a aventura, então começada, fosse duradoura e bem-sucedida. O Círculo de Leitores veio a afirmar-se como uma prestigiada instituição cultural, sendo amplamente reconhecido o seu contributo para o aumento do número de leitores e alargamento dos hábitos de leitura. A história destas três primeiras décadas do Círculo é igualmente a do sucesso de uma ideia: o conceito de clube do livro, com edições próprias e com assistência pessoal e domiciliária.

Autor:
Nascido em Lisboa, em 1944, Rui Beja é licenciado em Controlo Financeiro pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa. Foi presidente do Círculo de Leitores entre Julho de 1992 e Dezembro de 2001. Ao longo de 30 anos, esteve ligado a esta editora, acumulando o cargo com a presidência do Conselho de Administração da Fundação Círculo de Leitores. Tendo iniciado a actividade no Círculo de Leitores em 1971, como Director Financeiro, participou na evolução da empresa desde o seu primeiro ano de actividade operacional, e era seu presidente quando o «clube do livro» foi distinguido, em 1998, com o prémio da Revista Exame para a «Melhor entre as Maiores» empresas do sector de «Edição, Informação e Artes Gráficas». Em consequência da actividade desenvolvida neste grupo editorial, foi agraciado pelo Presidente da República, em 2002, com o grau de Comendador da Ordem do Mérito.

Comentários  

 
+3 #1 Sebastião Barata 2011-07-13 14:01
Como sócio do Círculo de Leitores desde a primeira hora, gostei muito de ler este livro. Pelos olhos daquele que o viu nascer, foi seu primeiro responsável durante 10 anos e fez quase toda a sua carreira profissional nesta prestigiada Instituição, vemos como o Círculo de Leitores foi uma temeridade num país de analfabetos, como era Portugal no início da década de 70 do século XX. Na verdade, a PIDE perseguia não só quem escrevia, mas também quem lia, porque pessoa que lê torna-se perigosa para um regime paternalista e retrógrado, como era o de Portugal na altura.
Através deste livro, escrito ao jeito de crónica, vemos como o povo português ansiava por ler e ser informado, o que muito contribuiu para o êxito espectacular do Círculo que, em poucos anos, atingiu 500.000 sócios, o que corresponde a 2.000.000 ou mais de prováveis leitores, dado o limite de um sócio por morada.
A nova ordem implantada pelo 25 de Abril de 1974, com a abolição da Censura, a aposta na cultura e o aumento da literacia do povo português, aliada a uma gestão correcta do Círculo de Leitores, foram decisivas para o seu crescimento e consolidação no tecido editorial do país, que se afirmou como líder do mercado.
O autor narra de uma forma bastante exaustiva os factos mais marcantes dos primeiros 30 anos do Círculo de Leitores desde a sua fundação até à sua aposentação em 2001. Pelo meio, vai contando também a sua história de vida, pessoal e familiar que, de uma forma curiosa, verificamos ter tido um percurso semelhante à da Instituição a que dedicou a sua outra vida, a profissional.
É discutível se foi uma boa ou má opção esta simbiose, na medida em que transformou um livro que, à priori, o leitor espera ser a história do Círculo, num livro de memórias pessoais. Na verdade, ao findar a leitura, ficamos com a impressão de que acabámos de ler a autobiografia do Dr. Rui Beja que, por arrastamento, conta também a história da Instituição a que se dedicou de alma e coração.
De qualquer modo, vale a pena ler este livro, porque, tanto o Dr. Rui Beja, como o Círculo de Leitores são dois exemplos de sucesso, de honestidade e de luta por uma vida melhor, dignos de serem conhecidos e imitados.
À atenção da editora, deixo um recado: as citações, por vezes extensas, deveriam ter sido num tipo de letra um pouco maior, porque dificultam a leitura e podem ser desincentivador as para alguns leitores.
De resto, este livro é mais um dos muitos documentos que o Círculo de Leitores tem publicado ao longo da sua existência e muito têm contribuído para a nossa memória colectiva, como povo dotado de história, personalidades e instituições que não podem ser esquecidas.
 

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"Algumas obras morrem porque nada valem; estas, por morrerem logo, são natimortas. Outras têm o dia breve que lhes confere a sua expressão de um estado de espírito passageiro ou de uma moda da sociedade; morrem na infância. Outras, de maior escopo, coexistem com uma época inteira do país, em cuja língua foram escritas, e, passada essa época, elas também passam; morrem na puberdade da fama e não alcançam mais do que a adolescência na vida perene da glória. Outras ainda, como exprimem coisas fundamentais da mentalidade do seu país, ou da civilização, a que ele pertence, duram tanto quanto dura aquela civilização; essas alcançam a idade adulta da glória universal. Mas outras duram além da civilização, cujos sentimentos expressam. Essas atingem aquela maturidade de vida que é tão mortal como os Deuses, que começam mas não acabam, como acontece com o Tempo."
Fernando Pessoa, in Heróstrato