A Luz de Pequim

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Autor: Francisco José Viegas
Género: Romance
Edição: Out/2019
Páginas: 400
ISBN: 9789720032539
Editora: Porto Editora

 

 


Um corpo pendurado dos pilares da Ponte de D. Luís, no Porto, desafiando uma cidade em transformação, cosmopolita e cheia de turistas. O cadáver de uma mulher abandonado nas colinas do Douro – e a evocação de uma série de crimes no submundo da noite portuense. O que parecem duas ocorrências independentes acabam por revelar ligações que não surpreendem o inspetor Jaime Ramos – que, em simultâneo, enfrenta o seu passado de militante comunista, um inquérito interno à sua atuação na polícia, o estranho pedido de um velho amigo e a busca por um personagem desaparecido, que o levará das ruas do Porto ao Minho e ao Douro e, finalmente, a Pequim.

Um romance denso e crepuscular em que a figura de Jaime Ramos, agora no seu nono livro, se interroga sobre o sentido de ser português num país dominado por elites cúmplices, endogamias e poderes ocultos.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Juncos à Beira do Caminho
Regresso por um Rio
A Poeira que cai sobre a terra e outras histórias de Jaime Ramos
Um crime na exposição
Um Céu Demasiado Azul
O Mar em Casablanca
Se Eu Fosse... Nacionalidades (Infantil)

Autor:

Francisco José Viegas nasceu em 1962. Professor, jornalista e editor, é responsável pela revista Ler e foi também diretor da revista Grande Reportagem e da Casa Fernando Pessoa. De junho de 2011 a outubro de 2012 exerceu o cargo de Secretário de Estado da Cultura do XIX Governo Constitucional. Colaborou em vários jornais e revistas, e foi autor de vários programas na rádio e televisão.
Da sua obra destacam-se livros de poesia (Metade da Vida, O Puro e o Impuro, Se Me Comovesse o Amor) e os romances Regresso por um Rio, Crime em Ponta Delgada, Morte no Estádio, As Duas Águas do Mar, Um Céu Demasiado Azul, Um Crime na Exposição, Um Crime Capital, Lourenço Marques, Longe de Manaus (Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2005), O Mar em Casablanca e O Colecionador de Erva.
Os seus livros estão publicados na Itália, Alemanha, Brasil, França e República Checa.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2020-01-15 13:56
Apesar de ter vários livros do autor na estante, ainda não tinha tido a oportunidade de ler qualquer obra de Francisco José Viegas, até ter a oportunidade de ler este livro. Após a leitura, fiquei com alguma dificuldade de fazer o meu comentário, porque não era o tipo de policial que eu esperava no início. E pensei: como tem muitas referências a livros anteriores, será que é uma espécie de despedida do inspetor Jaime Ramos? Será o fim de uma série? Para tirar dúvidas, fui à estante e escolhi outro livro, para ler e comparar. A escolha recaiu sobre "O Mar em Casablanca", uma das obras do autor mais aplaudidas pela crítica e cujo tema era um dos referidos em "A Luz de Pequim". Depois da sua leitura, concluo que a escrita e a forma de construir as histórias é a mesma, sendo, por isso, este o estilo do autor, pelo menos na série protagonizada por Jaime Ramos.

Jaime Ramos é um inspetor da Judiciária muito especial. Aliás, é uma pessoa muito especial, o que se reflete no seu trabalho na Polícia. A sua vida é marcada pela sua passagem pela Guiné, durante a Guerra Colonial. Aí foi recrutado para o Partido Comunista Português por um personagem muito enigmático, que foi dado como morto poucos dias depois de lhe dar o contacto da pessoa que seria o elemento de ligação ao Partido, quando regressasse à Metrópole, mas que veremos reaparecer em "O Mar em Casablanca". De regresso ao Porto após a guerra, Jaime Ramos começa a trabalhar num Banco e a colaborar nas atividades clandestinas do PCP, nunca passando de um mero colaborador sem grandes convicções ideológicas. Depois do 25 de Abril, ingressa na Polícia Judiciária, onde se mantém até à atualidade. Foi subindo na hierarquia da corporação, mas foi sempre um agente sui generis, avesso a relatórios, preferindo que os casos se resolvam por si. As investigações de que é incumbido versam geralmente crimes que envolvem gangues de passadores de droga ou de contrabando de armas proibidas, o que lhe permite conhecer os mais miseráveis e marginalizados da sociedade portuense. É por isso que os casos terminam quase sempre com atos de vingança entre grupos rivais, sendo mais os mortos do que os presos.

Agora já velho e considerado desatualizado pelas hierarquias constituídas por especialistas formados em Universidades, é ultrapassado pelos novos métodos científicos. Escorado no seu vasto curriculum, não pode ser "descartado", mas é considerado como "fazendo parte da mobília". Tentam colocá-lo em funções de fachada ou que se aposente. Tem problemas de saúde que procura disfarçar, mas condicionam o seu trabalho. Esta situação percorre todo o livro e vai-o mentalizando para o inevitável do fim da sua atividade profissional.
Quanto à história, está apresentada na sinopse da contrapaca. Aparecem duas vítimas de crimes macabros. Ambas são encontradas penduradas de cabeça para baixo: um homem na ponte de D. Luís e uma mulher numa árvore num lugar recôndito em Trás-os-Montes. Ambas foram previamente mortas a tiro e posteriormente colocadas naquela posição. Haverá uma ligação entre os dois crimes? É o que Jaime Ramos e a sua equipa vão ter de descobrir.
Voltando ao início do meu comentário, após a leitura de "O Mar em Casablanca", confirmei a opinião com que tinha ficado antes: Jaime Ramos é um inspetor à moda antiga que se envolve pessoalmente nos casos, que procura compreender as motivações dos criminosos, o passado que os levou a enveredar pelo mundo do crime. São geralmente pessoas marginalizadas, criadas em bairros degradados por famílias desestruturadas , que merecem mais ajuda das autoridades do que castigo pelos atos, mais vítimas do sistema do que agentes do mal. Outra característica da escrita do autor é que apresenta sempre duas ou mais histórias que evoluem paralelamente e, no final, se verifica terem alguma ligação. Uma dessas histórias liga-se também com o passado de Jaime Ramos, seja com a sua infância em terras transmontanas ou nas margens do rio Douro, seja no seu passado de militante comunista ou de ex-combatente da guerra do Ultramar.

A minha estranheza inicial acabou por se revelar uma surpresa. É um género de policial com um lado humano, que mostra que a polícia criminal e as polícias em geral podem desempenhar um papel moderador na sociedade e não simplesmente repressor. É um género completamente inverso dos policiais à americana, com muita violência, perseguições e tiros, como vemos nas séries que fazem sucesso nas televisões. Vale a pena ler.
 

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