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A Máquina de Fazer Espanhóis
Quinta, 28 Janeiro 2010 23:27

Autor: valter hugo mãe
Edição: Janeiro de 2010
Páginas: 312
Editor: Alfaguara uma chancela da Objectiva

Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até difícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo. A máquina de fazer espanhóis é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar. O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma?
Autor:
valter hugo mãe nasceu em Saurimo, Angola, no ano de 1971. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Vive em Vila do Conde. Publicou três romances: o apocalipse dos trabalhadores (2008), o remorso de baltazar serapião, Prémio José Saramago (2006) e o nosso reino (2004). A sua obra poética está revista e reunida no volume folclore íntimo (2008). valter hugo mãe é vocalista do grupo musical Governo (www.myspace.com/ogoverno) e esporadicamente dedica-se às artes plásticas.
Actualizado em Domingo, 14 Março 2010 14:24
 

Comentários  

 
+3 #5 Sebastião Barata 09-02-2011 00:30
António Silva vê desaparecer, de repente, a sua Laura, mais que esposa, companheira e quase mãe. A filha Elisa não pode tomar conta dele e "despeja-o" no lar Feliz Idade. Aqui começa a odisseia deste anti-herói que, no princípio, rejeitou a nova situação, mas, aos poucos, se foi adaptando, chegando a criar grandes amigos que, no entanto, iam desaparecendo, até ao dia em que chegou a sua vez.
É uma história angustiante, sobretudo para pessoas que, como eu, vêem o espectro do Lar cada vez mais próximo. Mas é uma história que não se esquece mais. O autor criou e caracterizou um leque de personagens vivas (embora às portas da morte), cativantes (embora trôpegas), lúcidas (embora com Alzheimer). É o Silva da Europa, é o Esteves da metafísica, o solícito Américo, é o paciente Dr. Bernardo, é o Henrique português de Badajoz, é o Anísio e os seus amores com a D. Glória do linho. E quantas outras...
Não haja dúvida, um livro que merece o êxito que está a alcançar por cá e lá fora!
 
 
0 #4 Cristina Delgado 03-11-2010 14:54
Gostei. Muito. Como é envelhecer, ver partir um amigo e outro e outro ainda... Como perder a vida aos poucos ou como nos tiram, aos poucos, a vida! Gostei. Muito!
 
 
0 #3 Paulo Alexandre Alves 26-05-2010 16:34
Este livro é um exercício de cidadania, um hino ao amor e à amizade.
Não entendi por que razão há dois capítulos escritos com maiúsculas e sinais de pontuação para além da vírgula e ponto. Mas suponho que seja alguma falha de impressão e apenas um pormenor sem grande importância.
Espero que o valter me permita continuar a gostar tanto do que diz e escreve.
 
 
0 #2 Helena 26-04-2010 14:51
Tenho tendência a evitar os actuais autores portugueses porque me maçam. Este livro foi uma tentativa bem conseguida de me reconciliar com quem se aventura a escrever bem com alma lusitana.
Escrever bem e com um estilo particular - em minúsculas, com pontos, parágrafos e virgulas apenas, não me dificultou a leitura, porque lemos mentalmente e rapidamente construía o sentido ao texto.
Contudo, no início ainda pensei em desistir, porque a raiva e revolta de António Silva, que abruptamente perde a mulher e a sua casa (as suas referências) e é colocado no lar Feliz Idade, incomodou-me. Persisti e entretanto fui envolvida pelo convívio de um limitado grupo de idosos que nos leva a "olhar" e a reflectir sobre um passado recente. Através do Silva(s)que se confronta com os seus fantasmas e reavalia a sua vida, percebe-se que, mesmo que tardiamente, podemos sempre mudar e aproximarmo-nos dos outros.
 
 
+1 #1 sonia areia 12-03-2010 21:26
O facto de haver pouca pontuação fez-me alguma confusão… Deve ser porque sou uma pessoa muito expressiva. Pesquisei no Google e encontrei a razão do porquê do estilo adoptado pelo autor.
Na escola primária aprendeu com certeza a escrever com “letra grande”. Mas, mais tarde, as maiúsculas desapareceram dos seus textos.
"A dada altura, percebi que as minúsculas ligam o texto, aceleram-no, precipitam o leitor. As vírgulas ficam menos virguladas e os pontos menos pontuados. Então as pausas tendem a ser mais breves. Há uma aceleração que se junta a uma certa urgência da história. O leitor fica sem travões."
Tem tido reacções de leitores? Dificulta-lhes a leitura?
"Ao que sei, no início, a primeira reacção é um choque. As pessoas ficam aflitas, não sabem onde parar, não percebem onde a frase acabou. Mas o leitor menos preguiçoso habitua-se ao fim de quatro páginas e consegue deslizar. Consegue seguir naquela leitura com menos travões com alguma destreza. Fico contente quando percebem que este tipo de pontuação os leva mais rápido ao fim da história."
Concordo com o autor… Só que é mais para a vigésima página…

Não se trata de um romance de fácil leitura, a escrita é elaborada. Trata-se de um romance irónico, trágico e cheio de humor. O que torna o livro cativante.
 

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