A Morte do Cozinheiro

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Autor: Allan Pitz
Edição: 2010
Páginas:
80
Editora: Above Publicações (Brasil)

É verdade, eu matei o cozinheiro. Em momento algum deste livro negarei que matei o sórdido cozinheiro com minhas próprias mãos de escrever versos. Havia motivo claro em saciar-se com a sua morte, morte de quem por carne e gozo objetou-se ao incomensurável amor que me tornava tão puro. Eu estripei-o com suas facas imundas de trabalho banal, e escalpelei por mimo infantil, de criança brincalhona, ao ver os índios e escalpes na TV. Matei o demônio com noventa facadas, cultivando um novo demônio sanguinário em mim, portanto não negarei ter feito a coisa mais maravilhosa que eu poderia fazer por minha inconsequência gloriosa naquele momento: Eu matei o cozinheiro.

"Nesse livro em especial não me prendi a nada, fiz como fazia nos palcos, montei um personagem e deixei fluir tudo na sintonia dele. O protagonista, Luiz Aurélio, encontra-se num estado de perturbação mental contínuo, não existe mais verdade ou ilusão, existe a sua realidade tragicômica tosca de perdas super valorizadas e ciúmes." (Allan Pitz)

A morte do cozinheiro é uma das obras literárias mais intensas e atuais sobre a dor de cotovelo e o ciúme. De forma singular o autor nos guia sem medo até o amor doente de Luiz Aurélio e as psicoses novas da recente solidão induzida. A derrota do ”eu” exaltado, o abandono, e a morte que pede lugar ao descontentamento puramente egoísta caminham livres. Vemos um jogo de querer e não poder, que desenrola o frágil espírito do ser humano desiludido de amor.
Usando a mescla de linguagens necessária em sua abordagem diferenciada, Allan Pitz atormenta os corações abalados neste livro memorável e instigante, fazendo enxergar com outros olhos a parte considerada cruel de uma trágica história romântica.

Autor:
Escritor, ator, e diretor teatral. Allan Pitz, carioca nascido em 23 de janeiro de 1983, foi publicado consecutivamente em dez antologias da CBJE - Câmara Brasileira de Jovens Escritores no ano de 2008, após difíceis seletivas nacionais. Além de duas publicações no Celeiro de Escritores. Já em 2009, a primeira honraria veio em janeiro, com a publicação de um conto na oficina de textos da Revista Cult, sob escolha mensal unitária. Em fevereiro, o resultado do XXVII Concurso internacional literário da AG Edições, colocou o Jovem escritor Carioca novamente entre os dez primeiros colocados, (8° lugar - Poesia / 9° lugar - Conto) concorrendo com outros países de língua portuguesa, repetindo o feito do XXV concurso internacional da mesma editora, onde conseguiu um 7° lugar na categoria conto.
Ainda em âmbito internacional, teve dois contos publicado na revista ‘A broca literária’, da editora norte-americana Drill Press. Aluno dos livros, dos palcos do Rio de Janeiro, e da solidão reflexiva, ele mesmo se auto-intitula um PHD em Patavinas, e deixa fluir sem trava toda sua criatividade.
Outros livros do autor:
Duas Doses e um Bungee Jump (World Art Friends, Corpos Editora. Portugal) Poemas.
Visões comuns de um porco esquartejado (Ponto da Cultura Editora) Poemas.
A fuga das amebas selvagens (Editora Livro Novo) - Contos, piadas, pensamentos, crônicas, esquetes.

Comentários  

 
+7 #4 Sara Sousa 2010-07-19 10:21
À primeira vista pode parecer um policial/suspen se/busca do assassino, mas pelo contrário é uma narração, em que um "carinha com dor de cotovelo" confessa e nos guia pela história que o levou a matar o reles cozinheiro.
Allan Pitz conseguiu criar uma história curta, acessível, cheia de humor (negro) e com um final surpreendente! Pelo tamanho do livro, pensei que fosse um conto (daqueles que, quando finalmente estamos a conhecer as personagens, terminam!), mas enganou-me! Uma história contada num ritmo alucinante e num estilo levezinho!
 
 
+2 #3 Antonio Carlos 2010-06-16 04:24
Este é um livro diferente de todos os outros que já li, recomendo por ser uma novela original, coisa difícil atualmente. Sem dúvida quem gostar ou não acabará por se lembrar dos ridículos de Luiz Aurélio em sua doença, nas crises de paranóia inconformada, no desfecho. Faz pensar, com certeza, faz pensar em nós mesmos; e isto nos cresce.
 
 
-1 #2 maria afonso 2010-06-16 01:01
Um livro...estranho.
Um amor doentio. Um ciúme absurdo. A relação que acaba e a obsessão pela Carmen que leva a um desfecho trágico. Um livro com 70 e poucas páginas que se lê como um conto. Não gostei do estilo do autor.
 
 
+2 #1 Sebastião Barata 2010-06-07 22:21
Esta é uma novela que se lê em uma ou duas horas. Mas desde já aviso que só deve ser lida quando pudermos fazê-lo de seguida. É que, uma vez começada a leitura, não se consegue parar.
O autor começa por informar que matou o cozinheiro e o fim da história ficou contado. Mas quais foram as circunstâncias que o levaram a praticar aquele crime? Ao longo das 78 páginas, a trama vai-se adensando, a inevitabilidade do acto vai-se tornando evidente e o leitor acaba fã da paranóia do assassino. O final é inesperado e bizarro. Por favor, não espreite!
 

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