A Noite em que o Verão Acabou

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Autor: João Tordo
Género: Thriller
Edição: Nov/2019
Páginas: 672
ISBN: 9789896659127
Editora: Companhia das Letras

 

 

 

Pela mão de um dos grandes nomes da literatura portuguesa chega-nos um imperdível thriller.
14 de Setembro de 1998. O dia em que Chatlam, uma pequena vila americana, acordou em choque com o homicídio de Noah Walsh. O principal suspeito: a sua filha de dezasseis anos.
No Verão de 1987, o adolescente Pedro Taborda apaixona-se por Laura Walsh, a filha mais velha de um magnata nova-iorquino. Ela e Levi - uma criança misteriosa - passam férias com os pais no Lagoeiro, uma pacata cidade algarvia. Rica e moderna, a família Walsh tem tudo para dar muito nas vistas no sul de Portugal. Inebriado pelas formas perfeitas e pelos modos ousados de Laura, Pedro encontra na rapariga americana o seu primeiro amor. Mas quando o Verão acaba, a família Walsh regressa aos Estados Unidos e o destino fica por cumprir.

Dez anos depois, Pedro, decidido a tornar-se escritor, vai estudar para Nova-Iorque. Fascinado com Gary List, antigo prodígio das letras americanas, chega aos Estados Unidos determinado a perseguir os sonhos da juventude. Ao reencontrar Laura, está longe de suspeitar que esse acaso o mergulhará no crime mais falado dos anos noventa, o homicídio do milionário Noah Walsh.
Com um segundo homicídio a atrapalhar a investigação e uma corrida para salvar Levi, de apenas dezasseis anos, acusada de matar o pai, Pedro e Laura enredam-se irremediavelmente na teia de segredos que envolve a família Walsh, desde os anos quarenta do século XX até ao impensável desfecho nas primeiras décadas do novo milénio.
Porque em Chatlam - e neste thriller imparável - nada é o que parece.
O QUE ESCONDE LEVI WALSH?

Deste autor no Segredo dos Livros:
Anatomia dos Mártires
A Mulher Que Correu Atrás do Vento
O Ano Sabático
As Três Vidas
Hotel Memória
Ensina-me a Voar sobre os Telhados
O Deslumbre de Cecilia Fluss
O Paraíso Segundo Lars D.
O luto de Elias Gro
Biografia Involuntária dos Amantes

Autor:

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Formado em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, trabalhou como jornalista freelancer em vários jornais. Viveu em Londres e nos Estados Unidos. Em 2001, venceu o Prémio Jovens Criadores na categoria de Literatura e, mais tarde, o Prémio Literário José Saramago 2009 com As Três Vidas (2008), tendo sido finalista, com o mesmo romance, do Prémo Portugal Telecom, em 2011. Com o romance O Bom Inverno, publicado em 2010, foi finalista do prémio Melhor Livro de Ficção Narrativa da Sociedade Portuguesa de Autores e do Prémio Literário Fernando Namora; a tradução francesa integrou os finalistas da 6.ª edição do Prémio Literário Europeu. Da sua obra publicada constam ainda os romances: O Livro dos Homens sem Luz (2004), Hotel Memória (2007), Anatomia dos Mártires (2011), finalista do Prémio Literário Fernando Namora, O Ano Sabático (2013) e Biografia Involuntária dos Amantes (2014). Os seus livros estão publicados em sete países, incluindo França, Itália e Brasil.

Visite o blogue do autor joaotordo.blogs.sapo.pt

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2019-12-10 14:38
Pedro Taborda era um adolescente cuja família, a exemplo de muitas famílias portuguesas, tinha uma casa no Algarve e ali passava as suas férias de verão. Naquele agosto, hospedou-se na casa do lado uma família americana, com duas filhas. Como é natural, começaram a conviver e Pedro apaixonou-se por Laura, a mais velha das meninas americanas. As férias acabaram e cada família regressou a sua casa. Pedro e Laura corresponderam- se durante uns tempos, mas todos sabemos o que são amores de verão: a distância foi arrefecendo a relação. Pedro nunca esqueceu Laura, mas a vida continuou. Estudou jornalismo e, dez anos depois, foi para Nova Iorque estudar escrita criativa com um autor de que era admirador. Embora secretamente o desejasse, estava longe de saber que iria reencontrar o seu primeiro amor e se confrontaria com uma situação muito estranha: o pai de Laura foi encontrado morto com inúmeras facadas na casa de praia da família e a sua irmã na mesma sala com a arma do crime na mão.

Daqui nasce uma história, onde acontecem outros crimes, há pessoas com personalidades peculiares, situações aparentemente impossíveis, polícias de meios pequenos onde todos se conhecem e é difícil manter-se imparcial. Pedro apoia Laura na tentativa de descoberta da verdade, envolve-se emocionalmente no caso, mas tudo parece conjugar-se para tramar as meninas Walsh (era este o apelido da família), para as quais o caso não acaba bem. Pedro regressa a Portugal, a vida prossegue, casa, tem um filho, mas o que viveu naqueles dias é um espinho atravessado no seu caminho. Assim, com a anuência da esposa, uma década depois, decide aceitar o convite de um jornalista que quer fazer um documentário sobre o caso, e volta à América, para terminar o trabalho inacabado.

Como se vê, temos aqui uma história com todos os ingredientes para prender a atenção do leitor. Tem muitos outros pormenores, para além daqueles que apontei atrás, para a enriquecer, como os negócios obscuros do pai de Laura que nunca chegaremos a conhecer bem, o seu sócio muito estranho e as relações entre eles, que tanto aparentam ser de amizade como de ódio ou rivalidade, o relacionamento sui generis entre o casal e deste com as filhas, o colégio cheio de segredos onde ambas as meninas Walsh estudaram, sombras da juventude do Sr. Walsh que o velho cromo da aldeia e o seu neto meio anormal teimam em afirmar, mas ninguém leva a sério.

Como seria de esperar, a escrita e a edição do livro estão perfeitas e o leitor fica preso desde a primeira página. Num breve prólogo, são apresentados os pontos-chave da história, começando pela cena do Sr. Walsh estendido no chão do escritório, banhado em sangue, a filha Levi sentada a um canto completamente apática e com a faca de cozinha cheia de sangue na mão. Quem resiste a querer conhecer mais pormenores? Teria mesmo esfaqueado o seu próprio pai? Que fortes motivos pode uma filha ter para cometer um ato tão macabro? A nossa consciência moral e o sentido de amor entre pais e filhos que nos foi incutido desde a infância, recusa-se a aceitar tal facto... Tem de haver outra explicação!

A capa é muito apelativa. Faz lembrar as capas de outros thrillers muito em voga, mas não me parece que tenha muito a ver com o tema do livro. Apresenta o que parece ser uma mulher jovem afogada, mas algo me falhou ou tal não existe no livro. A meu ver, não passa de uma estratégia de marketing, eventualmente desnecessária para o prestígio de que o autor desfruta.

O livro é apresentado como um "thriller". A promoção tem-se esforçado por afirmar que é o primeiro thriller de João Tordo. Não estou completamente de acordo, uma vez que livros anteriores, como "As Três Vidas" ou a trilogia iniciada com "O Luto de Elias Gro" têm bastante suspense e apresentam vidas destruídas e bastante horrorosas para não impressionarem o leitor. Aqui há mais sangue, há crimes repugnantes, mas há igualmente pessoas estranhas, vidas fora da normalidade, cenários que preferíamos não ver. Na minha opinião, é mais um policial do que um livro de terror. Todos o podem ler sem medo, porque não vão encontrar fantasmas, alienígenas ou vampiros. É uma história bastante angustiante, há cenas fortes, mas nada que tire o sono ao leitor. Um livro para todo o tipo de leitor e que reforça a qualidade de escritor que os fãs da escrita de João Tordo já estão habituados a encontrar nos seus livros.
 

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