A Recriação do Mundo

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Autor: Luís Corredoura
Género: Romance
Edição: Set/2019
Páginas: 384
ISBN: 9789895437443
Editora: Cultura

 

 

 

A história do matemático português que permitiu aos nazis ganhar a corrida atómica
Fevereiro de 1943. No Palácio dos Desportos de Berlim, perante uma plateia de nazis fanáticos, Goebbels, ministro da Propaganda, faz um inflamado discurso, deixando no ar uma mensagem subliminar: os alemães, apesar de terem acabado de sofrer a sua maior derrota, irão em breve possuir uma arma que lhes permitirá vencer a guerra.

José Bensaúde, um judeu português, génio da matemática e física, mas também um idealista de Esquerda, será determinante para que a Alemanha se adiante na corrida atómica. Capturado em França e levado para um campo de concentração, aí fica até alguém dar conta que pode ser útil aos intentos do III Reich, exactamente quando a resistência começa a ganhar corpo e força e a operação Valquíria tem início.
Conseguirá Claus von Staufenberg matar o Führer enquanto este tenta a todo o custo ter uma bomba atómica? Lograrão os norte-americanos, com a ajuda de Enrico Fermi e Albert Einstein, antecipar-se aos nazis e ser os primeiros a recriar o momento zero do mundo numa gigantesca e inédita explosão nos confins do Novo México? E o que fará Estaline quando descobre que Moscovo e Londres poderão ser os alvos da arma-maravilha de Hitler?

Deste autor no Segredo dos Livros:
O Senado, História de uma Conspiração

Autor:

Luís Corredoura nasceu em 1985, em Pêro Pinheiro, concelho de Sintra. É arquiteto e mestre em Recuperação de Património. Além dos projetos de arquitetura, desenvolve, desde muito novo, projetos literários, «manuscritos» que vai guardando na penumbra da gaveta e no íntimo dos seus pensamentos. Estreou-se como escritor com Nome de Código – Portograal, um romance histórico que ocorre no período da Segunda Guerra Mundial. Lusitano Fado foi o seu segundo romance a ver a luz do dia, um livro surpreendente que não consegue deixar nenhum leitor indiferente. O Senado, História de uma Conspiração é o seu mais recente título.

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2019-09-22 13:21
Não é segredo que a Alemanha e a URSS correram contra o tempo e contra os Estados Unidos da América para serem os primeiros a ter e usar a bomba atómica. Infelizmente para eles, não o conseguiram e foram os americanos a arrasar Hiroshima e Nagasaki, precipitando com isso o final da Segunda Guerra Mundial e o destino dos contendores.
Mas imaginemos que tinha sido a Alemanha a ganhar a corrida. Que cidades iria destruir? Que consequências teria no destino da Europa e do mundo? Seria muito diferente? É esta a proposta que o autor nos faz neste romance distópico: a Alemanha consegue antecipar-se e vai arrasar Moscovo. Porquê Moscovo e não Londres, por exemplo? Como reage Estaline e que consequências tem o facto para o regime comunista e para o decurso da guerra?

Vamos, então, analisar o romance sob os vários aspetos que me parecem pertinentes. Comecemos pela história, que tem coisas de que gostei e outras não. Começando pelo lado positivo, o autor caracterizou bastante bem os senhores da guerra: Hitler, Estaline, Churchil e Roosevelt; as suas qualidades e defeitos, as ambições e a forma de conduzir o conflito. No entanto, relegou para segundo plano ou quase nem falou de Mussolini e de De Gaulle. Quase não falou do Japão e da guerra no oriente, mas é compreensível, uma vez que centrou a história na Europa, onde o conflito começou, onde estava realmente o centro das atenções e que sofreu os maiores danos com o conflito. Achei que o espaço temporal da história não precisava de ser tão extenso. Estende-se desde a guerra civil em Espanha até ao final da Guerra Mundial e acabou por ser tudo aflorado muito por alto. Na minha opinião, o autor devia centrar-se mais no período de 1943 a 1945, o tempo que durou a corrida pela posse da bomba atómica que todos concordavam iria decidir quem ganharia a guerra.

Sobre o protagonista. José Bensaúde, de ascendência judaica, é o matemático e físico português que vai estar sempre no centro de todos os acontecimentos. Começa por ser aluno de Bento de Jesus Caraça no início dos anos 30, tendo-se salientado pela sua inteligência invulgar. Aconselhado pelo mestre, vai para Paris, onde continua os seus estudos e se envolve em movimentos esquerdistas, e decide integrar a Legião Estrangeira que lutou em Espanha pela República contra Franco. Quando o sonho republicano falhou, foge de novo para França. Aí integra as forças militares francesas e participa na luta contra as tropas alemãs. Mas acaba por ser preso e, descoberta a sua situação de judeu, é internado num campo de concentração. No entanto, pelas suas qualificações, é forçado a participar no grupo de cientistas que estava a desenvolver os foguetes que ficaram conhecidos por bombas voadoras, onde ultrapassa facilmente problemas que os cientistas alemães não conseguem ultrapassar. É depois integrado no grupo que estava a desenvolver a bomba atómica, onde a sua ação é igualmente decisiva. Apesar de judeu, ninguém lhe podia tocar, porque sabiam que nada podiam sem ele. Assim se tornou o grande obreiro da supremacia atómica alemã, que lhe permitiu transportar e deflagrar a primeira bomba atómica sobre Moscovo, que ficou totalmente arrasada. Porém, acaba por ser apanhado pelos serviços secretos americanos e transportado para Los Alamos, onde vai ser o braço direito de Fermi na produção da bomba atómica americana. Mais uma vez, o nosso herói está onde faz falta e se torna decisivo. Tudo muito fácil, tudo muito simples... E depois da guerra terminar? Vamos encontrá-lo noutro cenário lutando pelos seus ideais, como o vimos começar na guerra civil espanhola. Por onde passou, encontrou sempre belas mulheres suspirando por este macho latino que, como bom português, nunca deixou os seus créditos por mãos alheias.
Como vemos, é uma personagem pouco realista. Penso que foi a forma que o autor encontrou para ter um elo de ligação em todos os cenários pelos quais a história tinha de passar, mas resultou muito artificial e pouco credível. Representa, no entanto, o espírito aventureiro dos portugueses e a nossa capacidade para nos adaptarmos em todas as circunstâncias e resolvermos problemas aparentemente insolúveis, que os outros não conseguem ultrapassar.

Quero, no entanto, salientar que foi o primeiro livro que li do autor e que fiquei agradado com a sua escrita. Mostrou ter muita qualidade e ser de fácil leitura, apesar dos muitos nomes de políticos, cientistas, militares e espiões célebres que povoam o livro. Só foi pena não ter conseguido eliminar ou sintetizar parte da história, de modo a reduzir o tamanho do livro, evitando, assim, o tipo de letra muito pequeno, pouco adequado para os meus olhos cansados pela idade.
 

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