A Sentinela

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Autor: Richard Zimler
Edição: Out/2013
Páginas: 424
ISBN: 9789720044907
Editora: Porto Editora

 

 

 

Até que ponto um único assassinato pode iluminar a crise em que se encontra o país?
6 de julho de 2012. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos.

Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais ao mesmo tempo que tenta deslindar um caso que irá abalar para sempre os muros da sua própria identidade.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Os Anagramas de Varsóvia
Meia Noite ou o Princípio do Mundo
Goa ou o Guardião da Aurora

Autor:

Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heights, um subúrbio de Nova Iorque. Fez um bacharelato em Religião Comparada na Duke University e um mestrado em Jornalismo na Stanford University. Trabalhou como jornalista durante oito anos, principalmente na região de São Francisco. Em 1990 foi viver para o Porto, onde lecionou Jornalismo, primeiro na Escola Superior de Jornalismo e depois na Universidade do Porto. Tem atualmente dupla nacionalidade, americana e portuguesa. Desde 1996, publicou onze romances, uma coletânea de contos e quatro livros para crianças. A sua obra encontra-se traduzida para 23 países.

Saiba mais em www.zimler.com
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Veja aqui o booktrailer:

Comentários  

 
#5 Helena 2014-06-08 19:01
Nunca tinha lido nada de Richard Zimler. Achei que teria a oportunidade de apreciar a sua escrita e a capacidade de conceber uma boa estória através deste livro, mas não antevi, pela sinopse, a intensidade dos meus sentimentos para com esta ficção que retrata uma realidade recente. Violação e abuso de menores, bem como crueldade e violência por parte de quem mais os devia proteger, são temáticas que, mesmo em ficção, evito.

Personagens credíveis vão ganhando profundidade ao longo da narrativa, num enredo que vai aumentando em complexidade e ambivalência, enquanto novos dados vão surgindo durante a investigação policial e o confronto da personagem principal com o passado se vai desenrolando num crescendo quase intolerável.

Harry e Ernie, dois irmãos inseparáveis, com tanto para contar e superar que vai surgir entre eles uma terceira personagem sempre vigilante - a sentinela Gabriel.

Romance forte e muito bem concebido. Muito bom.
 
 
#4 Vera Neves 2014-03-10 19:08
Esta foi a minha estreia com Richard Zimler. É um autor que vou querer ler novamente. Apesar deste livro não ser o que eu esperava, a escrita do autor conseguiu cativar-me e as referências a outras das suas obras fazem com que queira experimentar outro dos seus registos.

A Sentinela. Gabriel. Protector.
O policial não foi o que mais me cativou no livro. Senti que fui acompanhando essa vertente da história, mas sempre a desejar ler mais da outra parte do livro: a história do protagonista. Essa cativou-me mais, envolveu-me e deixou-me na expectativa.

O crime é o assassinato de Pedro Coutinho, um empreiteiro que recorre a subornos para conseguir algumas das suas obras. Inimigos pode ter muitos, não só na área dos negócios, mas também na esfera familiar. Um enredo envolvente na parte que respeita à filha e a alguns acontecimentos escondidos no passado e que agora são revelados. E há muita gente com medo das informações que podem vir a lume e que o inspector Monroe da Polícia Judiciária pode descobrir e, por isso, também ele pode correr perigo.
Monroe nasceu nos EUA e veio para Portugal ainda pequeno, para morar com uma tia. Consigo veio o seu irmão Ernie e deixam uma história misteriosa para trás. Um drama familiar e psicologicament e violento.

O autor dá-nos a conhecer de forma sublime a infância destes dois irmãos que, na realidade, nunca estiveram sozinhos, mas sempre acompanhados por Gabriel. A nossa mente é ainda inexplorada em muitos aspectos. Ela é capaz de coisas que nos surpreendem e o autor dá-nos a conhecer uma patologia bastante interessante e que vai envolver o leitor até ao fim.
Vamos acompanhando a infância e a fase adulta de Monroe. Este conseguiu construir uma família, mas há segredos que ameaçam destruir tudo o que alcançou.

É um livro bastante rico que retrata alguns aspectos menos bons do nosso país, como a corrupção e os subornos, na esfera política e laboral, e também a crise económica. Retrata o trabalho da Polícia Judiciária. Retrata o trauma vivido por Monroe, não só em pequeno, mas durante toda a sua vida, um peso que carrega sozinho há demasiado tempo. Retrata a sua família actual num ambiente feliz, mas com uma segurança precária. Retrata um crime que envolve outro crime.
Um livro interessante e que vale a pena ler.
 
 
#3 Sebastião Barata 2014-02-07 23:46
Embora seja passado num ambiente contemporâneo e não histórico, como é habitual nas obras de Richard Zimler que conheço, está aqui o estilo inconfundível deste autor: não são as personagens que são inseridas no ambiente, mas este que as enquadra. Melhor dizendo, as personagens não povoam o cenário, é este que as envolve, porque a ênfase está nas pessoas, com os seus sentimentos, as suas vidas sofridas, sempre vítimas inocentes de poderosos sem escrúpulos.

Em A Sentinela, Zimler debate o drama das crianças abusadas sexualmente, especialmente as que o são no seu ambiente familiar por aqueles que as deviam proteger. Ilustra com muito realismo a forma como os predadores conseguem os seus intentos, os subterfúgios que utilizam para não serem denunciados pelas crianças e restantes membros do agregado familiar; os traumas que este abuso deixa nas personalidades dos abusados para sempre. Fala ainda da violência familiar e da sua ligação ao problema do alcoolismo. Paralelamente, toca o tema da homossexualidad e e os pontos de contacto que, se não for bem entendida e acompanhada, pode ter com o do abuso. Confesso que adorei ler o livro, como sempre nas obras de Zimler, mas o tema é tão delicado que, por vezes, dei comigo a desejar chegar ao fim, para deixar de me angustiar com os procedimentos dos facínoras (não encontro outro nome mais apropriado) que povoam a história e praticam crimes horrorosos contra crianças inocentes e indefesas e deixar de me indignar com aqueles que os apoiam, lhes dão cobertura, ou simplesmente fazem que não veem.

Apesar do ambiente policial que enquadra este conjunto de personagens, não considero que seja um romance policial. A personagem principal é um inspetor-chefe da Polícia Judiciária e há uma investigação policial em curso ao longo do livro, primeiro de um homicídio e, depois, de um suicídio, que perpassa toda a trama do início ao fim, mas esta não passa do tal cenário de que falei atrás. A verdadeira história é a dos dois irmãos que foram abusados em crianças pelo próprio pai, das sequelas que esse abuso deixou neles para sempre, da influência que esse passado desempenhou na forma como um deles conduziu a sua investigação policial num caso bastante semelhante ao seu e de como este horrível caso os ajudou a, finalmente, serem capazes de enterrar o passado e serem felizes ao lado de uma família que os ama verdadeiramente.

O final da história não é o que seria de esperar, se fosse, de facto, um romance policial, mas é o mais realista, o mais lógico e mais ilustrativo de uma sociedade em que a corrupção campeia, os maus raramente são castigados e os mais fracos são abandonados à sua sorte, como, infelizmente, continua a ser a nossa.

Um libelo contra as arbitrariedades dos poderosos, como é timbre das obras de Richard Zimler. Vai arrepiar-se muitas vezes, mas não pode deixar de ler este livro exemplar.
 
 
#2 Sónia 2014-01-23 02:46
Foi a minha estreia com Richard Zimler. Com tão boas referências ao autor, andava ansiosa para ler um livro dele e, quando esta oportunidade surgiu, decidi agarrá-la.

Uma obra que não é policial mas também não é romance e esse foi um dos factores que fez com que o meu entusiasmo inicial se fosse evaporando um pouco. Para começar, não se centra na investigação propriamente dita, mas sim mais na figura de Monroe, o inspector-chefe que lidera o caso. Criou, a meu ver, alguma confusão a "mistura" entre os relatos da sua vida e do seu irmão Ernie (o que mais me entusiasmou), com o assassinato de Pedro Coutinho.

A dada altura vi-me "obrigada" a deixar este livro de lado e pegar noutro para ver se recomeçava com outro entusiasmo. É estranho estar a escrever o que escrevo sobre este livro, sabendo que é garantidamente bom. Porque o é! Soa a contraditório até.

Provavelmente (eufemisticamen te falando), não o li na melhor altura e isso fez com que não o apreciasse da melhor forma. Quero acreditar que sim, até porque gostei do estilo de escrita do autor.

A nível pessoal, é um livro que nunca, mas nunca esquecerei. Deixou uma marca indelével em mim. Ficará sempre associado aos últimos dias de vida da minha Mãe. Foi o livro que me acompanhou sempre, enquanto a ia visitar.
 
 
#1 João Teixeira 2013-10-23 16:02
Antes de mais nada, devo começar por dizer que sou um indefectível leitor das obras de Richard Zimler (já li praticamente todas), pela simples razão de que adoro tanto as suas histórias como, acima de tudo, a maneira como ele as conta.
Como tal, fazer um comentário isento sobre este autor é-me muito difícil, pois não considero nenhum dos seus romances maus, ainda que haja um ou outro do qual não gostei tanto: é o caso de À Procura de Sana e de Meia-Noite ou o Princípio do Mundo, não por estarem mal escritos ou por não serem interessantes (nunca corremos esse risco com os romances de Zimler!), mas apenas porque não me falaram tanto ao coração como os outros.

Depois de ter lido aqueles que podemos chamar de romances histórico-polic iais de Zimler (os quais são ambientados em diferentes períodos históricos - seja a Lisboa de 1506, a Índia seiscentista ou a Berlim do pré-Segunda Guerra Mundial - e em que existe sempre uma personagem que tenta desvendar um mistério, normalmente resultado de um assassínio), assim como os seus romances-apenas -policiais-e-nã o-históricos (À Procura de Sana e agora este A Sentinela) devo dizer que prefiro os da primeira categoria.

Nesta história, acompanhamos uma investigação policial "oficial", levada a cabo por Henrique Monroe, um inspector-chefe da Polícia Judiciária portuguesa (e cujo apelido se justifica por ele ser luso-americano) , ao contrário das restantes histórias de Zimler (nas quais acompanhamos geralmente uma pessoa comum que, movida por um desejo pessoal de justiça, tenta desvendar um crime). Somos também aqui brindados com uma incursão de Zimler na Psicologia, uma vez que este tal Henrique Monroe possui um distúrbio de personalidade que é resultado de certas circunstâncias ocorridas durante a sua infância.

Talvez por serem aqui abordadas estas duas vertentes distintas (a do crime que o inspector tenta desvendar e o seu distúrbio de personalidade) que Zimler tenta unir com a personagem de Monroe, acabei por achar a narrativa de A Sentinela um pouco dispersa e que me deixou a mim um pouco desorientado... O estilo da narrativa é claramente "zimleriano", mas achei a parte do "mistério policial" menos interessante que a parte das vivências dos dois irmãos Monroe (e a origem do já referido distúrbio de personalidade) e que daria por si só um romance perturbador, mas sem qualquer sombra de dúvida bastante interessante, sem precisar da bengala da parte "policial". De resto, Zimler tem muito jeito para a descrição de afectos e sentimentos e aqui, como não poderia deixar de ser, os laços familiares que unem Henrique ao seu irmão Earnie e aos seus filhos e mulher, são maravilhosament e descritos ao ponto de nos deixarem embevecidos.

Mas enfim, concedo que o objectivo inical de Zimler foi não só escrever um romance em que aborda afectos, mas sim um policial de estilo "clássico" em que pudesse fixar, tal qual uma fotografia instantânea, um retrato fiel do período negro de crise (económica e não só) por que o nosso país está a passar na actualidade (nosso e dele, que cá vive e deve sentir uma frustração por ver que neste país a classe política é corrupta, em que os interesses dos poderosos triunfam sobre a justiça e que os portugueses não sabem usar a democracia a seu favor).

Concluindo, acho que, como todos os livros do Zimler, este vale a pena ser lido, apesar de não ser um dos meus preferidos de sempre. (A Sétima Porta foi o de que gostei mais até hoje!).

Para quem conhece os policiais de Paul Auster e a subtileza de Michael Cunningham e gostasse de ver reunidos ambos os estilos num só livro, certamente não ficará desiludido com este.

8,5 em 10 estrelas
 

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