A Sétima Porta

FaceBook  Twitter  

 

 

 

Autor: Richard Zimler
Edição: Mar/2014 (Nova edição)
Páginas: 616
ISBN: 9789720046284
Editora: Porto Editora

 

 


Em 1990, Richard Zimler encontrou, numa cave de Istambul, sete manuscritos do século XVI escritos pelo cabalista Berequias Zarco. Um deles narrava o pogrom de Lisboa e o autor utilizou-o para cenário do seu livro O Último Cabalista de Lisboa. Mas, o que revelavam os outros seis manuscritos?
Em Berlim, na década de trinta, Isaac, um descendente de Berequias Zarco e detentor dos manuscritos, está determinado a descobri-lo. Convencido de que o pacto entre Hitler e Estaline anuncia uma profecia apocalíptica prestes a concretizar-se, Isaac Zarco procura arduamente descodificar aqueles textos cabalísticos medievais para assim salvar o mundo.

Passado durante a ascensão de Hitler ao poder, e coincidente com o período da perseguição nazi aos portadores de malformações físicas, A Sétima Porta junta Sophie Riedesel – uma jovem ousada, sonhadora e ambiciosa – a um grupo clandestino de ativistas judeus e antigos artistas de circo liderado por Isaac Zarco, numa luta contra as políticas antissemitas. Mas quando uma série de esterilizações forçadas, estranhos crimes e deportações dizimam o grupo, Sophie ergue-se num combate solitário contra aqueles que ameaçam destruir tudo o que ela mais ama na vida. Um romance emocionante carregado de simbolismo e uma verdadeira lição de História e de humanidade sobre as muitas vítimas sem rosto de um dos regimes mais implacáveis de todos os tempos.

Leia gratuitamente as primeiras páginas aqui.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Os Anagramas de Varsóvia
Meia Noite ou o Princípio do Mundo
Goa ou o Guardião da Aurora
A Sentinela

Autor:

Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heights, um subúrbio de Nova Iorque. Fez um bacharelato em Religião Comparada na Duke University e um mestrado em Jornalismo na Stanford University. Trabalhou como jornalista durante oito anos, principalmente na região de São Francisco. Em 1990 foi viver para o Porto, onde lecionou Jornalismo, primeiro na Escola Superior de Jornalismo e depois na Universidade do Porto. Tem atualmente dupla nacionalidade, americana e portuguesa. Desde 1996, publicou onze romances, uma coletânea de contos e quatro livros para crianças. A sua obra encontra-se traduzida para 23 países.

Saiba mais em www.zimler.com
Visite a sua Página no Facebook

Comentários  

 
#5 Sebastião Barata 2015-08-22 17:15
Os romances de Richard Zimler (pelo menos os que conheço) têm todos uma linha comum: mostram, de um lado, poderosos alienados por ideologias ou religiões distorcidas, que oprimem os fracos e praticam as mais obscenas arbitrariedades sobre estes, em nome da sua crença; do outro, oprimidos que buscam a verdade, numa tentativa de descobrir as motivações dos seus algozes e manter a ilusão de vir a conseguir destruir o seu poder e repor a justiça. É por este motivo, que são uma mistura de horror com policial, mas um policial com um papel secundário na história, funcionando mais como pano de fundo. Este livro é mais um exemplo deste perfil da escrita do autor.

Em mais uma aventura da família Zarco, encontramos Isaac Zarco como personagem principal e modelo das vítimas do regime nazi. O cenário principal do romance é Berlim durante todo o período do regime nazi na Alemanha. Começa com a tomada do poder por Hitler em 1932 e vai até ao fim da 2ª Guerra Mundial, com a sua derrota e o fim desta época de terror que varreu a Europa (e o resto do mundo) de uma maneira inesperada e fulminante. Isaac é o atual detentor dos manuscritos de Berequias Zarco, sobrevivente desta família de judeus sefarditas que foi vítima do pogrom lançado pela Inquisição no século XVI sobre os judeus em Portugal.
Fiel às tradições da família, era um apaixonado pela Cabala e um defensor dos pobres e oprimidos. Perante o avanço da ideologia nazi que defendia a pureza da raça ariana e, consequentement e, a morte das pessoas pertencentes a raças consideradas degeneradas, como os judeus e os ciganos, mas também os deficientes físicos e psicológicos, como anões, gigantes, cegos de nascença, surdos, mudos, deformados físicos, epiléticos, neuróticos, etc., Isaac reuniu à sua volta um grupo heterogéneo de perseguidos que tentou, numa primeira fase, motivar para a contestação e a luta contra o regime. Mas, perante o avanço da ideologia nazi e a consolidação do regime, foi forçado a virar-se para a tentativa de retirar da Alemanha o maior número de pessoas, para as livrar da morte ou da deportação para campos de concentração.
Paralelamente, estudava a cabala e os documentos do seu antepassado Berequias, na esperança de atingir o sétimo nível da Sephirot, isto é, atravessar a Sétima Porta para conseguir evitar o fim dos tempos e livrar o Mundo da aniquilação.

Pelo que fica dito, pode o leitor concluir como o autor conseguiu construir uma personagem forte, plena de vitalidade e interventiva que nos apaixona. Mas à sua volta giram outras personagens não menos fortes e bem delineadas: é o caso da inesquecível Sophie, uma jovem ariana que não aceita as teorias nazis, se torna aliada de Zarco e do seu grupo, luta ao seu lado e acaba por se apaixonar por ele e propor-lhe gerar no seu seio a criança que vai permitir a continuação da família Zarco.
Outras personagens ficarão para sempre gravadas na mente do leitor, sejam resistentes, sejam apoiantes do regime. Estou a pensar em Vera, uma mulher monstruosa que atrai todas as atenções, pelo seu gigantismo e deformidades, que vai ser a grande aliada de Sophie e a acompanhará pela vida fora. Lembro também, Hansi, o irmão deficiente de Sophie, que esta tenta proteger até ao limite das suas forças. Do lado contrário, temos o pai de Sophie, o comunista que vira nazi para salvar a pele e Tonio que foi namorado de Sophie e a amava sinceramente, mas não resistiu ao apelo da Grande Mãe ariana, a nova Alemanha, e à sedução da guerra.

Houve um pormenor que me intrigou e deixou, até certo ponto, desiludido. O autor, que nos levou a acompanhar de perto o nascimento e crescimento de Hans, o filho de Isaac e Sophie, afastou-o completamente não só da história, mas também da vida da própria mãe, quando atingiu a maioridade e se recusou a acompanhá-la na sua mudança para os Estados Unidos.
Será que foi propositado e o autor planeia uma nova etapa da dinastia Zarco? Será que ainda nos vai brindar com um novo livro em que Hans Zarco vive na Alemanha de leste, sobrevive ao comunismo e à miséria e assiste à queda do muro de Berlim, à reunificação alemã e alcança a liberdade? Se não foi a intenção, aqui fica a minha sugestão. Os fieis leitores de Richard Zimler querem mais sobre esta família fantástica que sobrevive ao tempo e às vicissitudes da história.
 
 
#4 Liliana Patrícia Pereira Pinto 2014-09-11 12:57
Este é um livro incrível. Um livro que atravessa décadas até ao pior momento da nossa história. É um livro que é contado com tal realismo que parece que estamos lá, a presenciar e a sentir como as personagens.

Este é o primeiro livro que leio de Richard Zimler, mas penso que posso afirmar que ele é um génio. Um génio na forma como conta a história, na forma como transmite os sentimentos das personagens e na forma como nos envolve. É um livro que não se consegue parar de ler e que é muito pequeno para o que contém. E é um livro que eu vou recordar.

Recomendo.
 
 
#3 João Teixeira 2014-06-06 10:42
Que dizer deste livro? Creio que "sublime" não basta. Esta foi a segunda vez que o li. A primeira foi em 2008. E, pela segunda vez, adorei!

Foi o facto de saber que havia 4 livros que andavam à volta de diferentes ramos de uma família de judeus sefarditas (com origem em Portugal) ao longo da História que me impeliu a começar a ler os livros do Richard Zimler. E mais do que ler, acho que os devorei!
Tendo lido toda a saga Zarco, na qual se incluem ainda os livros O Último Cabalista de Lisboa, Goa ou o Guardião da Aurora e ainda Meia-Noite ou o Princípio do Mundo, posso afirmar que se trata de um conjunto de livros que vale muito a pena serem lidos, para tentarmos perceber (claro que de uma forma ficcionada, mas ainda assim séria) as desventuras do povo judeu, o qual desde a Idade Média é perseguido, seja por cristãos que os desejam converter à força, seja por nazis que os querem exterminar.

Adorei A Sétima Porta, embora considere que a parte do "mistério policial" (a que Zimler já nos habituou nas suas obras) seja tortuosamente labiríntica, com muitas personagens à mistura, algumas das quais acabamos por esquecer, mas que depois são resgatadas mais à frente na narrativa. No entanto, e apesar de aos leitores poder gerar alguma confusão tantos assassínios perpetrados por diferentes pessoas e por razões diversas, creio que isso até serve para impor um certo ritmo à leitura que faz com que não a consigamos pôr de lado enquanto não chegamos ao fim. E é fantástico o facto de Zimler escrever um livro de forma "circular", ou seja, só compreendemos verdadeiramente o primeiro capítulo depois de termos lido o livro todo. Façam a experiência: a narradora conta-nos quase tudo no princípio (claro que de forma misteriosa), mas só o conseguimos perceber depois de lermos o último capítulo.

Acho que o que mais gosto na escrita deste autor, acaba por ser a sua subtileza ao narrar a história, dando uma profundidade incrível às personagens, aos espaços em que elas se movem e às próprias situações em que elas se encontram. Destaco, obviamente, a protagonista Sophie Riedesel, mas também a sua mãe (incrível a maneira como Zimler nos consegue imprimir a sua infelicidade, presente na forma como trata a própria filha, sempre em conflito ou antagonismo, ainda que mais para o final haja uma certa redenção) ou até mesmo Tónio (que muda a sua maneira de ser de acordo com os seus interesses do momento).

Mas não é só isso. A história é-nos maravilhosament e contada. Ainda que passada durante o período nazi, Zimler não cai na tentação de tratar os judeus como coitadinhos. Pelo menos, eu não senti isso, ainda que tenha ficado sensibilizado em determinadas alturas.Por exemplo, a descrição da Kristallnacht não nos deixa indiferentes e faz-nos pensar como é que um pogrom de tal forma cruel pôde acontecer no século XX!
Mas, como eu estava a dizer, a história não se foca única e exclusivamente no Holocausto, e é aí que encontramos a originalidade desta história. De facto, ela alarga-se às outras minorias que também foram dizimadas pela ideologia nazi, nomeadamente aos indivíduos com doenças hereditárias (nanismo, gigantismo, surdez, autismo, esquizofrenia, etc.) e à forma como se tentou "prevenir" (proibir!) que se reproduzissem, tudo em nome da "superioridade ariana".

Para terminar, devo ainda acrescentar que este é o desfecho (?) ideal para a saga Zarco, um verdadeiro fechar do círculo. Tudo encaixa correctamente, como as peças de um puzzle e, agora sim, percebemos como e por que foram os manuscritos de Berequias Zarco encontrados numa cave em Istambul, tal como nos foi narrado em O Último Cabalista de Lisboa.

Um livro excepcional! Creio que este é o meu livro preferido, não só da saga Zarco, mas de toda a obra de Richard Zimler.

10 estrelas (e é porque a minha escala de estrelas só vai até 10)
 
 
#2 Vera 2014-04-17 11:11
Uma homenagem a todas as vidas que ficaram em silêncio e cujo sofrimento permanece na memória da História da Humanidade!

Um livro brilhante, excelentemente bem escrito, de uma imaginação rica em detalhes… Richard Zimmler fez-me não ser só uma leitora, mas ser também uma confidente da vida da personagem principal, Sophie.

Se alguma vez se perguntaram como terá sido crescer durante a Segunda Guerra Mundial, é possível imaginar essa resposta com a leitura deste livro.

Com o passar das páginas, assistimos à vida de uma adolescente que aprende o que é ganhar, perder, amadurecer, sofrer, rir, fazer amizades e inimigos, e que, numa sociedade alemã em transformação, nada é o que parece, tudo o que era considerado não ético e imoral, passa a ser permitido e todos parecem cegos para lutar contra o regime de Hitler.

Ficamos com lágrimas nos olhos quando a acção se intensifica, porque sabemos que aqueles horrores não são ficção e existiram mesmo. Sophie é uma personagem símbolo de uma geração devastada.

Foi uma leitura surpreendente, porque nunca tinha lido nada do escritor e, sinceramente, não esperava gostar tanto. Não gostei... amei!
 
 
#1 Cristina Delgado 2014-03-19 19:23
Já li este livro há algum tempo. Muito embora não me recorde da história no seu todo, lembro-me bem de que, ao fim de meia dúzia de páginas, estava completamente rendida, tanto à própria história como à escrita do autor.

O tema é um dos meus favoritos, mas, por si só, não explica o facto de ter devorado estas páginas (tantas!) e de as ter achado tão poucas. Zimler é um dos meus autores de eleição! Recomendo vivamente!
 

Tem de iniciar sessão para submeter o seu comentário.

Últimas Opiniões

  • Eça de Queiroz segundo Fradique Mendes
    Depois de ler várias obras de Sónia Louro, concluo que a sua escrita está cada vez melhor. Este livro ...
  • 14.01.2019 00:06
  • Cinco Meninos, Cinco Ratos
    Este livro é o segundo volume da série "Mitologias" e pouco mais poderei acrescentar à minha apreciação ...
  • 26.12.2018 21:37
  • O Judeu
    Bernardo Santareno é, sem dúvida, um dos maiores, se não o maior dramaturgo português do século XX. Era ...
  • 07.12.2018 13:53

Últimos Tópicos

Uma Pequena Palavra...

"Apenas se deveriam ler os livros que nos picam e que nos mordem. Se o livro que lemos não nos desperta como um murro no crânio, para quê lê-lo?"
Franz Kafka