A Sibila

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Autora: Agustina Bessa-Luís
Género: Romance
Edição: Jul/2017
Páginas: 268
ISBN: 9789896417475
Editora: Relógio D'Água

 

 


«Foi há dez anos que o milagre, já anteriormente preparado, teve lugar na praça pública. Não há assim tantos que um verdadeiro não mereça ser glorificado como convém. O que Sibila e a sua descendência significam não precisa de ser sublinhado por contraste. Mas este mundo romanesco, pelo seu simples aparecimento, deslocou o centro da atenção literária.» Eduardo Lourenço na revista Colóquio de Dezembro de 1963.

Prefácio de Gonçalo M. Tavares

Desta autora no Segredo dos Livros:

O Concerto Dos Flamengos
Dentes de Rato

Autora:

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de Outubro de 1922. Filha de um empresário de cinemas e casinos, cedo se deixou viciar pelo romance, iluminada roleta dos comportamentos humanos. Foi com o profético título «A Sibila» que publicou em 1954 que veio a ser reconhecida ao público em geral ao receber o Prémio Delfim Guimarães e o Prémio Eça de Queiroz. Vários dos seus romances foram adaptados ao cinema por Manoel de Oliveira. Foi, durante a sua vida, homenageada em múltiplos países e universidades, condecorada por Portugal e pela França e traduzida em várias línguas. Já foi distinguida por todos os prémios nacionais de literatura e vários internacionais. Recebeu o Prémio Camões em 2004.

Saiba mais no CLABL - Círculo Literário Agustina Bessa-Luís

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2017-08-28 09:22
Em simultâneo com um livro infantil, esta é a primeira grande obra de Agustina Bessa-Luís a ser lançada pela sua nova editora. Foi uma boa escolha, porque A Sibila é, sem dúvida, a sua obra mais conhecida, a que a deu a conhecer e é considerada uma das melhores.

Confesso que é o primeiro livro de Agustina que leio e, apesar de ter A Sibila na minha estante há mais de 20 anos, nunca tinha sido tentado a lê-lo, talvez porque foi adquirido por imposição, por ser de leitura obrigatória para a minha filha que, na altura, frequentava o ensino secundário. É uma pena que os nossos melhores clássicos sejam pouco apreciados e, muitas vezes, mesmo detestados, pelo facto da sua leitura ser imposta. E não é só a obra lida, mas os restantes livros e a própria pessoa do autor, que adquire perante o jovem laivos de criatura abominável, quiçá uma espécie de demónio atormentador da juventude nacional.

A nova edição foi a oportunidade que precisava, agora que me dediquei quase em exclusivo à leitura de autores de língua portuguesa, para retirar A Sibila da estante e me deixar penetrar pelos seus oráculos de mulher mensageira dos deuses. Pelo menos era esse o papel de uma 'sibila' no tempo de gregos e romanos. E encontrei, de facto, uma sibila.

Mas a sibila de Agustina Bessa-Luís não era uma profetiza ao serviço de Apolo ou de qualquer outro deus. Joaquina Augusta, mais conhecida por Quina, é uma sibila forjada pela vida. Filha de uma família de proprietários rurais, com um pai libertino, mas que ela admirava, nunca casou e acabou por ser dona da casa e dos terrenos da família e, pela sua sagacidade e capacidade para os negócios, também foi aumentando as suas propriedades ao longo da vida. Temida ou odiada por uns, amada por outros, manteve-se virgem até à morte, como boa sibila que se preze.

Agustina conta-nos a vida de Quina desde a infância até à velhice e fá-lo de uma maneira maravilhosa. Apresenta-nos uma "Dona" de província que, não sendo nobre, era tão conceituada como se fosse da família real. Descreve a sua envolvência num ambiente campestre do início do século XX, quando os adeptos da República começavam a ter alguma credibilidade. Mas Quina não era pessoa de política, a sua política era a gestão dos seus caseiros e dos criados da sua casa. Boa conselheira para todos, dotada de um coração compassivo, soube manter sempre a sua independência, tanto dos familiares, como dos candidatos à sua mão.

Ambientado no norte de Portugal, não muito longe do rio Douro, A Sibila mostra-nos as crendices, os usos e as tradições locais e da época. Fala também dos "vai e vem", ou seja dos que emigravam para o Brasil e de lá vinham novos ricos, sendo considerados Brasileiros em Portugal e Portugueses no Brasil.

Enfim, um livro muito interessante, de fácil leitura, que nos dá a conhecer um País que já não existe, mas que faz parte do nosso património cultural. Eu próprio ainda conheci e convivi com esse Portugal do interior, com os proprietários rurais, os seus rendeiros ou caseiros, os seus criados e os casamentos de conveniência que se faziam com vista a reunir propriedades e fazer crescer o património. Uma leitura que aconselho.
 

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