A Sociedade dos Sonhadores Involuntários

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Autor: José Eduardo Agualusa
Género: Romance
Edição: Mai/2017
Páginas: 280
ISBN: 9789897223327
Editora: Quetzal

 

 


O jornalista angolano Daniel Benchimol sonha com pessoas que não conhece. Moira Fernandes, artista plástica moçambicana, radicada em Cape Town, encena e fotografa os próprios sonhos. Hélio de Castro, neurocientista brasileiro, filma-os. Hossi Kaley, hoteleiro, antigo guerrilheiro, com um passado obscuro e violento, tem com os sonhos uma relação ainda mais estranha e misteriosa. Os sonhos juntam estas quatro personagens num país dominado por um regime totalitário à beira da completa desagregação.

A Sociedade dos Sonhadores Involuntários é uma fábula política, satírica e divertida, que desafia e questiona a natureza da realidade, ao mesmo tempo que defende a reabilitação do sonho enquanto instrumento da consciência e da transformação.

Deste autor no Segredo dos Livros:
Teoria Geral do Esquecimento
Um Estranho em Goa
Um pai em nascimento

Nota: A Quetzal lança também neste dia novas edições dos seguintes livro do autor:
As mulheres do Meu Pai
Estação das Chuvas
A Conjura
Catálogo de Sombras

Autor:

José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de Dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa. Vive entre Lisboa e Luanda.
Iniciou a sua carreira literária em 1988, com a publicação de um romance histórico, A Conjura. É autor de uma vasta e reconhecida obra literária que inclui romances, novelas, contos e crónicas, livros para crianças, peças para teatro, um livro de reportagens e um relato de viagens. As suas obras estão publicadas em mais de vinte países sempre com muito sucesso. Ao seu romance O Vendedor de Passados foi atribuído o Prémio Independent – Ficção Estrangeira. Teoria Geral do Esquecimento recebeu o Prémio Fernando Namora 2013 e é um dos finalistas do Prémio Man Booker Internacional 2016.

Saiba mais sobre o autor e a sua obra em www.agualusa.pt

Comentários  

 
#1 Sebastião Barata 2017-10-15 20:44
Este romance é a mais recente obra de José Eduardo Agualusa e também a que trata um tema mais atual. Como está escrito na contracapa, "A Sociedade dos Sonhadores Involuntários é uma fábula política, satírica e divertida, que desafia e questiona a natureza da realidade, ao mesmo tempo que defende a reabilitação do sonho enquanto instrumento da consciência e da transformação".

Afinal, o que é um sonho? Sonhos são as histórias que a nossa mente constrói durante o sono e que podem ter diversas explicações, segundo os estudiosos. Podem ser recordações de vidas passadas, segundo uns, podem ser traumas do nosso passado que revivem durante o sono como forma de descompressão, segundo outros, e podem ser mensagens enviadas por seres superiores e pelos mortos, para nos orientarem na vida ou nos encarregarem de cumprir tarefas que estão a impedir a sua passagem ao paraíso, à luz, ou seja lá onde for. Este livro fala de pessoas que têm sonhos e tentam fazer a sua interpretação, ou até a sua captura, seja através da pintura, da imagem ou do vídeo. Cada um tem a sua maneira de sonhar e os sonhos de cada um têm diferentes explicações e até funções sociais e políticas. Numa primeira e superficial análise, estamos perante um caso científico da área da neurologia e da psicologia.

Mas quem conhece o autor sabe que esta primeira leitura não passa de uma metáfora para proclamar um outro tipo de sonhadores e escalpelizar as diversas motivações que levam esses sonhadores a sonhar.

Diz nos evangelhos que Cristo falava aos importante do seu tempo através de parábolas para que "vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem entendam" e apelava aos que tivessem "ouvidos para ouvir" que ouvissem. Isto é, aos que estivessem dispostos a compreender, que interpretassem a mensagem e tirassem as devidas ilações. E Cristo cita o profeta Isaías que, séculos antes, já tinha avisado que "o coração deste povo se tornou insensível".

Ao ler este livro, não pude deixar de lembrar esta passagem e de fazer uma associação mental ao tema deste livro. Na verdade, Agualusa situa estes sonhadores num país imaginário, onde os poderosos tomaram conta do poder em seu próprio benefício e dos seus familiares e amigos. Em tempos, houve uma guerra fratricida de que os sonhadores querem esquecer-se e sonham construir uma nação em que a paz seja o mote e não haja mais vencedores, nem vencidos. Ora, aqueles que, "vendo, não querem ver e, ouvindo, não querem ouvir" tudo fazem para desacreditar os sonhadores e, se necessário, eliminá-los. Mas são cada vez mais os que têm "ouvidos para ouvir" e pode ser que, brevemente, deixe ser ser preciso sonhar...

Não quero concretizar com nomes de países, mas, como já Cristo dizia, "quem tem ouvidos para ouvir, ouça".

Neste livro, temos José Eduardo Agualusa igual a si próprio e dando provas da sua qualidade de escritor de grande talento que, através de símbolos, imagens, parábolas ou fábulas, temperadas com passagens cheias de ironia, umas vezes satíricas, outras vezes divertidas, nos conta histórias para meditar, sempre com o objetivo de alertar consciências e alimentar sonhos de um futuro melhor.
 

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