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| A Sul. O Sombreiro |
| Sábado, 17 Setembro 2011 23:24 | |||
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Autor: Pepetela "Manuel Cerveira Pereira, o conquistador de Benguela, é um filho de puta." Assim começa um grande romance de aventuras que nos conduz a Angola dos séculos XVI e XVII, enquanto Portugal vivia sob o domínio filipino. Entre lutas de poder, muitas conspirações, envolvendo governadores e ordens religiosas com os franciscanos e os jesuítas na linha da frente, travamos conhecimento com homens muito ambiciosos, com um inglês um pouco doido, e com os terríveis jagas, os guerreiros incomparáveis que povoavam os piores pesadelos dos brancos, ao mesmo tempo que nos deixamos encantar por um fugitivo que se torna um aventureiro e explorador de terras por desbravar. O regresso de Pepetela com um empolgante romance ambientado nos primórdios do colonialismo, revelando uma época desconhecida da história de Angola.
Autor:
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| Actualizado em Segunda, 19 Setembro 2011 11:23 |
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Comentários
Neste seu mais recente romance, existem duas linhas narrativas principais, mas distintas entre si: a história de um herói negro (mas educado à maneira branca) de seu nome Carlos Rocha (e suas deambulações pelo território angolano) e a história de Manuel Cerveira Pereira e a sua obsessão pela conquista dos territórios a sul de Luanda (e a fundação de São Filipe de Benguela).
Dito isto assim, seria de esperar um romance interessante e que nos levasse a um final memorável. No entanto... Aquilo que encontrei nestas mais de 300 páginas, foi um romance demasiado palavroso que, de tão grande que é, e, por existirem tantas personagens que se torna difícil fazer a distinção entre elas, fez com que a minha curiosidade pela história esmorecesse antes mesmo de chegar a metade do livro... Li-o até ao fim, não sem alguma dificuldade. E tudo para chegar à última página e não haver um final arrebatador. De facto, não existe conclusão nenhuma... Não é de estranhar. Há livros em que o mais importante não é a conclusão, mas sim o seu conteúdo. E é precisamente isso que acontece com este livro. Apesar de eu preferir ler algo que me leve a algum lado, em vez de um livro que me deixe a sensação de não me ter levado a lado nenhum, reconheço que temos aqui uma boa reconstituição histórica do período em que a colónia portuguesa de Angola se estava a desenvolver, curiosamente numa época em que Portugal estava submetido à autoridade dos Habsburgos espanhóis. Para quem já conhece o estilo de Pepetela, é muito provável que não se sinta desiludido com este livro. Para quem ainda não conhece, talvez deva começar por outras leituras mais leves e não tão complexas...
Livro memorável? Para mim, não. No entanto, é um livro bem escrito, de um autor lusófono cujo nome garante qualidade literária a quem decidir lê-lo.
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