
Autora: Anne Enright
Edição: Jun/2012
Páginas: 232
ISBN: 9789722524568
Editora: Bertrand
Gina recorda a senda de desejo e de acaso que a levou a apaixonar-se por Seán, «o amor da sua vida». Enquanto a cidade lá fora fica paralisada pela neve, Gina recorda os tempos que passaram em diversos quartos de hotel: longas tardes que a felicidade e a negação tornaram indistintas. Agora, enquanto as ruas silenciosas e a quietude e a vertigem da neve que cai tornam o dia luminoso e pleno de possibilidades, Gina enfrenta a intempérie para se ir encontrar com uma rapariga a quem chama o «belo erro» de Seán: Evie, a sua frágil filha de doze anos.
Neste romance extraordinário, uma espécie de caixa de segredos, deparamo-nos com o relato de acontecimentos súbitos e decisivos da vida quotidiana, com as relações voláteis entre as pessoas, com a frescura do olhar para cada estremecimento e gesto, com a captação irónica e exata das famílias, do casamento e da fragilidade da meia idade. São evidentes toda a verve, o humor e o extraordinário controlo característicos da autora, bem como a capacidade de fundir o banal e o miraculoso. Em Valsa Esquecida, toda a atenção é voltada para o amor e acompanhamos a viagem sentimental de uma heroína prevaricadora e inesquecível. Uma obra-prima de inteligência, paixão e originalidade.
Autora:
Anne Enright nasceu em Dublin em 1962. Publicou uma colectânea de contos, com o título The Portable Virgin, galardoada com o Prémio Rooney. Para além do presente romance, vencedor do Prémio Man Booker, é também autora dos romances The Wig My Father Wore, finalista do Prémio Irish Times/Aer Lingus Irish Literature; What Are You Like?, vencedor do Prémio The Royal Society of Authors Encore e The Pleasure of Eliza Lynch.









Comentários
Mas este "A Valsa Esquecida" intrigou-me. Ganhou um Orange Prize, tem uma capa que apela à melancolia, à reflexão e aos valores morais e enraizados... Não?! A mim foi essa ideia que passou. Agora adivinhem, pois eu não entendo: porque é que o livro tem este título - nem valsas, nem convenções, nem um passado para esquecer, nada que se lhe associe? E a capa? Bom, a ideia que tenho da protagonista é a de uma trintona de ganga e cabedal, cabelos curtos, álcool e maquilhagem a mais. Onde é que isto combina com a saia e os sapatinhos clássicos da senhora na capa?
Ponto positivo: a escritora e o cenário são irlandeses e vou à Irlanda em Setembro, pelo que teve, para mim, um interesse particular.
Ponto negativo: fiquei na mesma quanto à Irlanda. A escritora não aproveitou a visibilidade para falar de nada, que não da crise e do sector imobiliário.
Personagens: mas que azar é este que tenho com as personagens? Perguntei-me, ao terminar o livro, se sou eu que embirro. Na verdade, senti-me ligeiramente decepcionada. Seria pelo género? Será por amar tanto os romances históricos que me aborreci de morte com este da Enright?
A dado momento, a narração resvalou do foco do romance extraconjugal para a filha do adúltero, que tem epilepsia. Ora bem... quando o casal morreu - alguma vez houve chama? Aí pela página 160 de 225 (aprox.) a autora lembrou-se de remexer na filha, de "inventar" uma relação entre a adúltera e a filha do adúltero. Relação cliché, mal explorada, vazia, até porque a Gina não tem nada de terno, vulnerável ou maternal. A cabeça do Seán? Nunca entendemos. O porquê daquela atracção mútua? Idem.
O que salva o romance - muito repetitivo em cenários, muitas festas com os mesmos convidados, álcool, pseudo-dramas e rotina doméstica aborrecida - são os trechos, as associações espirituosas ocasionais que sugerem que a Anne, de facto, tem talento. Mas este não é um livro que eleve o seu potencial.
PS - Voei sobre as últimas cinquenta páginas. Precious time, this one of mine...