A Vingança das Vagas

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Autor: José Teles Lacerda
Edição: Out/2012
Páginas: 384
ISBN: 9789896800727
Editora: Esfera do Caos

 

 

 

Dizia-se, nessa época, que naquele gigantesco amontoado de ravinas negras vogava a voz do Diabo. Quinhentos anos passados, não existem documentos que descrevam o sinistro martírio coletivo, na tentativa de povoamento dessa ilha maldita. Aliás, em nenhuma biblioteca do mundo se descobriu uma única página contendo alusões ao sucedido. Em suma, ninguém conhece a verdadeira localização da maligna massa insular, para sempre perdida no meio do oceano.

Durante os serões, o avô Vicente alerta Bernardino Gávea para os perigos inerentes à convivência com a violência das vagas. O menino, porém, não se amedronta. Pode ser a mais miserável das crianças, mas, por viver num casebre encavalitado nas dunas, considera-se o legítimo dono de toda a praia. Fascinado pelas narrativas náuticas, que o septuagenário lhe transmite, sonha ser um intrépido conquistador dos mares — há de conseguir, afinal, reencontrar a ilha que o medo humano apagou dos mapas.

Todos estamos sujeitos às ingratas investidas do imprevisto. No mar ou em terra, a palavra vaga pode unir-se a outras, numa sanguinária cumplicidade catastrófica, que culminará com a materialização dos nossos piores pesadelos.
Surgirão então vagas de desgraça, vagas de infortúnio, vagas de desespero e desilusão.
Nas páginas deste livro poderemos esbarrar com os sonhos de uma criança miserável e viver as preocupações do seu decrépito avô. Mas também teremos notícias de um assustador mundo paralelo. Vindos de ilhas distantes, esvoaçam os gritos dos colonos condenados, ressoam os cânticos melancólicos de musas moribundas, ouvem-se fraudulentas vozes fantasmagóricas. E sobre as ondas do mar existem suspeitas de poder eclodir, a qualquer momento, uma nefasta ofensiva de ninfas.

Autor:

José Teles Lacerda nascido em Évora, em 1970, considera-se uma humilde alma alentejana. A posse de íntimos indícios de uma pacífica índole vegetal permite-lhe digerir desilusões e ruminar remorsos, num esforço quase clorofilino que culmina no fabrico inesperado de aglomerados de frases. Pela frequência desta conduta, tornou-se numa espécie de escriba secreto, clandestino, compulsivo. Assim, vive viciado na desorientada navegação por efémeros mares imaginários. Considera que a génese de um livro é uma feliz forma de exorcizar a maldita tendência para andar, constantemente, “com a cabeça nas nuvens”. Acima de tudo, entende o mundo das palavras como um refúgio obrigatório, sempre que cogita sobre o bizarro absurdo da existência. A Vingança das Vagas é o seu romance de estreia.

Comentários  

 
#1 sofia 2012-12-25 23:08
Uma criança que vive e sonha com as histórias do seu velho avô, sobre o mar terrível e fascinante; outra história de uma criança passada há 500 anos que vive também fascinada pelo mar e por umas ilhas misteriosas...
Não faz de todo o meu género. No entanto, confesso que será deveras interessante para quem gosta do género.
 

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